Por Elis Monteiro; Para O TechTudo


Se o que a Apple queria era fazer barulho, ô, mandou bem à beça. Até os especialistas ainda estão confusos depois da série de anúncios explícitos (e não tão explícitos assim) feitos no California Theater em San Jose, na Califórnia. Algumas coisas ficaram bem claras: a Apple admitiu publicamente aquilo que nós mais ou menos já percebemos – o “iPad 3” ou “novo iPad” foi um erro de trajetória. Na verdade, um tapa-buraco; no caso, o buraco deixado pelo que viria a ser o iPad 4, agora sim “uma nova geração de iPad”. E como cliente de iPad não é necessariamente o mesmo de iPhone, mesmo depois do anúncio do iPhone 5 a Apple teve coragem de lançar o iPad mini (a partir de US$ 329, o de 16GB), que nada mais é do que um meio termo entre um iPad e um iPhone.

iPad mini é apresentado oficialmente (Foto: Reprodução) — Foto: TechTudo

Ficou confuso, sim, e essa coluna nasce em pleno momento de confusão (sendo assim, perdoem caso cometa algum sacrilégio). E que não venham dizer que foi só uma correção de portfólio – a Apple admitiu, sem dizer claramente, que foi mexida pela concorrência e que precisava entrar no mercado dos “foblets”, incluindo aí o Google Nexus 7, o Galaxy Note, Kindles e todos os outros – não são poucos. Sua arma é o iPad mini, que não chega a brigar com o iPhone porque… não é telefone! O iPhone 5, vamos lá, fica por aqui nesta coluna, já que é um bicho à parte. Bicho, aliás, que pelas palavras de Tim Cook hoje está agradando bastante – já vendeu cinco milhões de unidades.

Para tentar entender o que aconteceu hoje, vamos por partes. O que é certo: a Apple lançou um “foblet” (iPad mini), equipamento que tem potencial para ser xodó, por vários motivos. Vamos a alguns? O iPad mini cabe na bolsa, é ligeiramente mais barato, tem visualização de apps igualzinha à da geração mais recente dos iPads; tem versões só Wi-Fi e Wi-Fi mais 3G/4G; tela de 7,9 polegadas; pesa 300 g, tem resolução de 1028 x 768; chip dual-core A5; câmera principal de 5 megapixels e secundária (para FaceTime) de 1,2 megapixel; gravação de vídeo, Nano-SIM (não mais Micro-SIM, como a Apple já tinha sinalizado com o iPhone 5); novo conector Lightning (substituiu o de 30 pinos); bateria com duração de dez horas (diz a Apple que garante mais de nove horas de navegação na web) e uso de… tcharammm, Siri!

E para que adquirir um iPad se você pode optar por um iPad mini? Pois em verdade vos digo, amigos: pela primeira vez na história recente da nossa amiga Apple, ela lança dois modelos que podem competir entre si. Ok que é a primeira vez que ela lança um foblet, mas corre um risco danado de 1) não convencer de que os produtos da concorrência, já no mercado há tempos, são piores ou “menos modernos”; 2) que o consumidor acabe optando por um ou por outro e não encontre um jeito de fazer caber os dois em sua vida, como muitos chegaram a fazer com o iPhone e o iPad, iPad 2 e “novo iPad”, que “casaram”.

Game de carro rolando no novo iPad mini (Foto: Reprodução/Apple) — Foto: TechTudo

Temos de considerar, contudo, que o iPad mini não é um telefone, por isso pode ser oferecido como um produto completamente à parte. O problema é que a própria Apple o está colocando “num mesmo pacote iPad”. Ou seja, a sensação é de que ela decidiu matar de vez o iPad 3 (na verdade, não é só uma sensação, ela tirou do mapa mesmo). Ou seja, fingir que o “novo iPad” nunca existiu, passar uma borracha com mão pesada e, para pedir desculpa aos consumidores descontentes, ofereceu – de verdade – um “ops, foi mal”.

Simples assim. “Foi mal aí, galera, mas tiramos o iPad 3 do caminho e resolvemos fortalecer nossa linha de iPads com duas opções: uma pequena e uma grande”. Parece que simplifica. Mas na verdade… complica! Afinal, qual é o público do iPad mini? O mesmo para o iPad com tela Retina (o 4)? E o que dizer deste, é tão diferente assim do anterior? Pesa 652 g; tem tela de 9,7 polegadas; resolução de 2048 x 1536 (bem melhor que a do iPad mini, notem); processador dual-core A6X, com gráficos quad-core; câmera principal de 5 megapixels e secundária (FaceTime) de 1,2 megapixels. Ou seja, estou louca mas sua configuração é muito parecida com a do iPad mini?

Minha sincera opinião (opinião, leram?): acho mesmo que a Apple não está ligando para a concorrência entre seus dois aparelhos. De qualquer forma, quem comprar um ou outro vai pagar por ele e a grana entra em seus cofres. O que ela fez foi se posicionar no tal novo nicho de mercado dos foblets ou “tablets-pequeninos-que-cabem-na-palma-da-mão”. Precisava disso, não pode não ter, e o iPad mini é mesmo opção super interessante para quem ainda não sacou a da Amazon (Kindle), acha que a Samsung não está com essa bola toda (Note e outros) ou ainda não foi seduzido pelo Android do Google. No mundo dos iOSs, o iPad mini seria a minha opção para “tablet de bolsa”.

"Minha sincera opinião: acho mesmo que a Apple não está ligando para a concorrência entre seus dois aparelhos." - Elis Monteiro

E antes que vocês saiam correndo, precisamos falar sobre o que, para mim, foi o anúncio realmente importante: o novo iMac, ultra slim, light, magrelo, uau! Como assim um iMac 80% mais fino, do nada? Isso sim foi de parar o mercado, uma carta sensacional tirada da manga! Quem melhor definiu o susto foi o vice-presidente de Marketing da maçã, Phil Schiller, ao apresentá-lo: “Há um computador inteiro aqui dentro.” É que não dá mesmo para acreditar naquela espessura rodando uma senhora máquina. Imaginem um micro capaz de armazenar até 3 TB de armazenamento (três terabytes!)? O filhotinho, de 21,5 polegadas, terá preço inicial de US$ 1.299 e traz processador 2,7 GHz Core i5, 8 GB de RAM, placa de vídeo GeForce GT 640M e HD de 1 TB, e chegará aos Estados Unidos em novembro. Já o de 27 polegadas virá pelo preço inicial de US$ 1.799 e oferece 2,9 GHz Core i5, 8 GB de RAM e 1 TB de armazenamento.

Novo iMac tem apenas 5 mm de espessura (Foto: Reprodução) — Foto: TechTudo

Ah, sim: e ainda teve um MacBook Pro com tela Retina e 13 polegadas, além de uma versão atualizada do Mac mini, a primeira desde 2011, agora com processador Intel Ivy Bridge (US$ 599). O modelo mais barato tem processador dual-core i5 de 2,5G GHz, com 4 GB de RAM e disco rígido de 500 GB. A versão superior (US$ 999) tem processador quad-core i7 de 2,3 GHz e dois drives de 1 TB.

Como é de costume, nada de preços e lançamento no Brasil. E, sim, vamos precisar de outras colunas pra comentar tudo isso. Dessa vez ficamos cansados! Ufa!

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