Por André Fogaça; Para O TechTudo


Como de surpresa, a Amazon iniciou suas vendas no Brasil em dezembro. Porém, de toda a loja do exterior, apenas vieram os livros digitais e a versão mais baratinha do Kindle, seu leitor de livros eletrônicos. O modelo vendido no Brasil faz parte da quarta geração de e-readers. Sem a iluminação do Paperwhite ou a tela sensível ao toque da versão Touch, este mesmo modelo custa apenas US$ 89 nos EUA. No Brasil, por R$ 299, será que vale a pena?

Tela inicial do Kindle, com os livros baixados e disponíveis (Foto: André Fogaça) — Foto: TechTudo

A tela de 6 polegadas do aparelho usa o chamado e-Ink, ao invés dos tradicionais LEDs ou LCDs. O display foi criado pela Epson e é capaz de reproduzir até 16 tons de cinza em resolução de 800 x 600 pixels. É menor que o dos tablets diminutos que caíram no gosto dos consumidores, como o iPad Mini e o Nexus 7, mas vale considerar que o Kindle é apenas um leitor de livros. E nada mais.

Navegador, ainda em testes, com a página do TechTudo aberta (Foto: André Fogaça) — Foto: TechTudo

Uma grande vantagem desta tela é sua capacidade de exibir qualquer dado da forma mais clara possível, mesmo quando você está usando o aparelho debaixo do sol, sob a luz do meio-dia e sem nuvens. Como o display é opaco, não há reflexo do sol ou de qualquer outra fonte de luz, e como não há iluminação traseira, não sentimos aquela sensação de vista cansada que outros tipos de tela causam. A sensação é a mesma de ler um livro em papel de verdade. Como consequência, neste modelo você não conta com iluminação da tela.

Livro de Ziraldo, no Kindle 4 (Foto: André Fogaça) — Foto: TechTudo

A primeira impressão que o Kindle passa é de leveza. São 170 gramas distribuídos em 165,75 milímetros de altura, por 114,5 milímetros de largura e 8,7 milímetros de espessura. Estas dimensões lembram muito o que um smartphone entrega e são próximas ao do iPad Mini, só que com metade do peso. Ele é tão leve e pequeno que pode ficar confortavelmente guardado dentro do bolso de um paletó, ou quem sabe dentro do bolso mais largo de uma calça jeans (apesar de não ser lá muito seguro fazer isso).

Por dentro, o dispositivo conta com um processador ARM Cortex A-8 de 800 MHz e a conexão com o mundo é feita por meio de uma antena Wi-Fi nos padrões b, g e n. A Sandisk é a empresa responsável pela memória interna de 2 GB, que pode parecer pequena, mas é suficiente para armazenar aproximadamente 1.500 livros de uma só vez.

Traseira do Kindle, com conector microUSB em baixo (Foto: André Fogaça) — Foto: TechTudo

Na parte inferior há apenas um botão para ligar e desligar o aparelho, além de uma entrada para a conexão microUSB. Esta conexão é usada para carregar a bateria em qualquer porta USB, ou acessar os arquivos da memória interna.

Conexão microUSB e conexão para ligar e desligar o aparelho (Foto: André Fogaça) — Foto: TechTudo

Por fora, o aparelho conta com uma traseira fosca que se encaixa muito bem na mão, mesmo quando segurada por apenas uma delas. Os botões para virar as páginas são localizados nas laterais e há opções para ir e voltar em ambos os lados, o que facilita a utilização com uma ou duas mãos.

Nesta versão a Amazon removeu o teclado físico, liberando mais espaço para a tela. Por outro lado, apenas há como opção para escrita um teclado virtual, que até pode parecer incômodo, mas é algo que você certamente pouco usuará.

Teclado virtual (Foto: André Fogaça) — Foto: TechTudo

De fábrica, o Kindle vem com dois dicionários – um para verbetes em português e outro para inglês. A partir do site da Amazon é possível baixar versões em outros idiomas.

Estes dicionários são utilizados para definir palavras dos textos: basta selecionar a palavra em questão com as teclas da parte inferior do aparelho para consultar o seu significado.

Definição de palavras, com base no dicionário (Foto: André Fogaça) — Foto: TechTudo

A bateria é um dos pontos fortes do aparelho, já que a Amazon garante que ela dura até 4 semanas com uma carga só, com o aparelho ligado 30 minutos por dia. Quando desligado, uma espécie de proteção de tela toma conta do dispositivo.

Por ser estática, a tela não consume praticamente nenhuma energia - este é um dos trunfos da tecnologia E-ink, que utiliza minúsculos tubos com micro bolinha pretas e brancas, realinhadas de acordo com a polaridade da tela. Em outras palavras, depois que os tubos foram colocados no lugar (representando a mudança de uma página), não há mais consumo de energia.

Nativamente o leitor é capaz de reconhecer arquivos em, TXT, PDF, MOBI (sem DRM), PRC, HTML, DOC, DOCX, JPEG, GIF, PNG e BMP, sendo que os últimos sete formatos necessitam de conversão, que é feita automaticamente quando o usuário envia um e-mail para um endereço criado para cada aparelho Kindle. Ele será algo como xxx@kindle.com e estará vinculado a sua conta da Amazon.

Menino Maluquinho, de graça na Amazon (Foto: André Fogaça) — Foto: TechTudo

A loja de livros da Amazon conta com 13 mil títulos de livros em português (e outros 1,4 milhão de livros em demais idiomas), o que é o suficiente para encontrar versões nacionais de livros bem conhecidos, como O Hobbit e o Cinquenta Tons de Cinza. Todo o conteúdo pode ser comprado diretamente pela tela do Kindle, ou pelo computador para depois baixar no Kindle. De graça, é oferecido um livro exclusivo para esta plataforma, do cartunista Ziraldo com seu personagem O Menino Maluquinho.

Enfim, este é um leitor de qualidade e tão fino que pode ficar na mochila sem uma sensação de peso que um tablet traria. Ele não reproduz música, vídeo ou jogos bacanas de um tablet, mas se você procura apenas um leitor de livros, é a melhor escolha. A Amazon chegou ao Brasil com muitos livros disponíveis e está vendendo o aparelho por um preço bastante convidativo.

Loja da Amazon, dentro do Kindle (Foto: André Fogaça) — Foto: TechTudo

São R$ 299 que podem ser parcelados - algo que não pode ser feito se você comprá-lo no exterior. Lá fora ele custa US$ 89, o que daria algo próximo de R$ 184, que adicionados de alguns impostos e IOF do cartão de crédito, chegariam próximos aos R$ 299 do Brasil. Por este preço você encontra alguns tablets bem baratos, mas que não entregam a qualidade de leitura deste aparelho. Nem mesmo o mais caro dos tablets, o iPad, consegue algo próximo do e-ink. E nem levamos em conta a bateria que dura um mês, contra as dez horas dos tablets.

Ao comprar, é necessário escolher entre um leitor que não faz nada além de oferecer uma boa experiência de livros – mas faz muitíssimo bem isso – ou um tablet. O Kindle conta com apps para ler seus livros no Android e iOS, além de computadores com Windows ou Mac OS X. Se sua escolha for realmente por um e-reader, esta é a melhor opção no Brasil.

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