Por Fabrício Vitorino; da CES 2013


 

Ouvir a Corning, fabricante do Gorilla Glass, não é uma tarefa das mais fáceis. Ao longo dos últimos meses foram muitas tentativas sem sucesso. Mas durante a CES 2013, realizada em Las Vegas (EUA) na última semana, não teve jeito: sem saída, a empresa respondeu às nossas perguntas sobre o famoso e polêmico vidrinho que cobre (e supostamente protege) os melhores tablets e smartphones do mercado.

Em seu stand, a Corning fazia, de hora em hora, demonstrações do poder e da resistência de sua tecnologia e as melhorias conseguidas com o Gorilla Glass, já em sua terceira geração. Entre gráficos e números que mostravam na frieza dos dados como a GG3 era durona, o que convencia os presentes era mesmo os testes práticos de esforço. Atacada por pesadas bolas de aço, que rolavam nas mais diversas alturas e variadas velocidades, a telinha resistia bravamente.

Gorilla Glass (Foto: Fabrício Vitorino / TechTudo) — Foto: TechTudo

Em um display, uma escala comparava uma tela de vidro normal, o Gorilla Glass 2 e sua terceira geração. Aparentemente a evolução é significativa, mas queríamos saber qual era o limite para que a Gorilla Glass deixasse de ser uma poderosa tela e acabasse virando um mero pedaço de vidro trincado.

"Essencialmente o que as pessoas devem saber é que, por mais resistente que seja, a Gorilla Glass ainda é um vidro. Ele é feito para resistir, mas eventualmente vai riscar ou quebrar. Para tudo há um limite", explica Marcia Chapman, relações públicas da Corning. Acompanhada de um engenheiro da empresa, a porta-voz do grupo explicava que os processos químicos a que são submetidos os produtos se aprimoram cada vez mais, e isso se traduz em resistência e durabilidade para o usuário.

Comparativo de resistência entre vidro normal e as gerações do Gorilla Glass (Foto: Fabrício Vitorino / TechTudo) — Foto: TechTudo

O problema, segundo Marcia, é a engenharia dos produtos finais. "Alguns deles são curtos, têm ângulos ou encaixes que podem aumentar ou diminuir a estabilidade do Gorilla Glass. É por isso que alguns aparelhos têm suas telas trincadas ou quebradas com maior facilidade", explica, se esquivando ao ser perguntada se o Galaxy S3 é um desses aparelhos críticos. "Nós não podemos falar em nome de outros fabricantes sobre seus produtos".

Ainda sobre o S3, a porta-voz da empresa diz duvidar muito que a Samsung esteja fabricando aparelhos sem a Corning Gorilla Glass no Brasil, como muitos usuários seguem relatando em fóruns on-line. Embora, mais uma vez, diga que não pode falar em nome de outras empresas. "Seria uma ideia não muito inteligente. Não creio que deva ser verdade".

A Corning continua sendo uma empresa muito, mas muito reservada. O próprio stand na CES 2013, pequeno e localizado no fundo de um dos pavilhões, deixava claro que a fabricante não queria aparecer muito. Ainda assim, o público aparecia e fazia sempre as mesmas perguntas, principalmente voltadas a entender como conservar a telinha e qual seria o limite de sua resistência. "O melhor a fazer para proteger sua tela é cuidar dela. Não deixá-la cair e evitar ao máximo arranhar. Afinal, um primeiro arranhão pode comprometer toda a estabilidade do produto. Ou seja, a melhor dica ainda é prevenir", aconselha Marcia. Embora todos saibam que, já que os tombos são inevitáveis, é sempre bom dar uma rezadinha após ver seu S3, iPhone ou afim se espatifar no chão.

Mais do TechTudo