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Por Felipe Velloso; Para O TechTudo


Na guerra por vendas e conquista de fãs, as empresas de jogos muitas vezes se utilizam de estratégias mais agressivas de marketing. Algumas vezes o resultado é ousado, criativo e inovador, mas em certos casos a abordagem passa dos limites do bom senso e acaba se tornando uma peça de mau gosto ou até mesmo ofensiva. Conheça abaixo algumas das piores campanhas publicitárias de jogos.

Seaman (Foto: IGN) — Foto: TechTudo

Em um momento em que se debate as qualidades artísticas dos videogames e que a indústria de jogos eletrônicos está lutando para ser levada a sério em outros sentidos que não o financeiro, estas propagandas parecem dedicadas a nos levar de volta ao início dos anos 90.

O torso escultural de Dead Island

Na época de lançamento de Dead Island muitos estavam empolgados com o título graças a seu trailer sensacional. Entretanto, na hora de lançar a edição de colecionador, os desenvolvedores decidiram vender uma 'visão grotesca de uma icônica estátua romana'.

Edição de colecionador de Dead Island (Foto: Divulgação) — Foto: TechTudo

Basicamente, eles decidiram juntar sexo e violência na mesma peça. O pequeno torço contém um par de seios bem grandes, presos por um biquíni que pode ser retirado. O objeto causou polêmica por sua temática machisma e resultou em duras críticas à empresa Deep Silver, que pediu desculpas pelo item de mau gosto.

O comercial machista de Juiced

Juiced foi um jogo de corrida de pouca relevância lançado para o PS2 e Xbox em 2005. A única coisa memorável sobre este título foi seu polêmico vídeo promocional, que mostrava dois homens humilhando uma mulher com a ajuda de um controle mágico.

Juiced (Foto: freewallpaperhd) — Foto: TechTudo

No comercial, dois homens personalizam um carro no jogo Juiced, quando percebem que também estão alterando a roupa de uma mulher passando próxima a eles. Em pouco tempo os jovens começam a se aproveitar da situação, aumentando os seios, rasgando as roupas e deixando a mulher nua no meio da rua. Para finalizar eles colocam uma tatuagem com o nome do jogo nas nádegas da garota, marcando-a como a um gado.

Os pedaços de corpos perdidos

Para o lançamento de Resident Evil 5, a Capcom decidiu espalhar pedaços de corpos mutilados e ensaguentados pela cidade de Londres. Quem encontrasse o maior número deles seria premiado com uma viagem para a África. Cada parte tinha uma pontuação: dois pontos para membros, cinco para cabeças e três para torsos.

Rapaz encontra algumas das cabeças perdidas por Londres (Foto: Divulgação) — Foto: TechTudo

A promoção gerou polêmica quando, no final do evento, a Capcom percebeu que não tinha recolhido todos os pedaços de corpos. Como isso poderia resultar em uma ação criminal, a empresa divulgou para todos os londrinos que, caso encontrassem as peças sumidas, as destruíssem imediatamente. Cerca de uma semana depois, a Sega teve a mesma idéia genial e espalhou braços cortados pelas ruas da cidade para divulgar o lançamento de Madworld.

Sua mãe vai odiar Dead Space 2

Uma campanha publicitária baseada em uma ideia bem simples: “Dead Space 2 é legal porque sua mãe vai odiá-lo”.  A Eletronic Arts decidiu filmar um comercial para a TV que mostrava mulheres entre 30 e 50 anos assistindo as cenas de violência brutal presentes no jogo. Ao final elas ficavam indignadas e diziam que o jogo não deveria ser vendido e quanto ele seria uma má influencia para seus filhos.


Vale lembrar que Dead Space 2 ganhou uma censura de 18 anos, o que nos leva a pensar porque este comercial foi criado. Ou a Eletronic Arts julga que seu público é composto por pessoas completamente imaturas, ou realmente o jogo foi feito para adolescentes de 13, 14 anos que deliberadamente comprariam um produto apenas para irritar suas mães.

Zoofilia em propaganda

A Sega lançou em meados dos anos 2000 um jogo chamado Seamen. Funcionando como uma espécie de tamagoshi, o jogador deveria criar uma pequena colônia de bizarros híbridos humanos com peixes. O único diferencial deste fracassado título de Dreamcast era o uso do microfone para conversar com as criaturas, que adoravam trocar insultos com seus donos das piores maneiras possíveis.

Seamen, produto de uma noite intensa entre homem e carpa (Foto: Divulgação) — Foto: TechTudo

Seamen era reconhecidamente um jogo muito difícil de ser vendido, levando a empresa a apelar em sua campanha de marketing. O resultado: cartazes promocionais que insinuavam relações sexuais entre um homem e uma carpa, com a seguinte mensagem: “Eu não vou mais copular com seres que não sejam da minha espécie”.

Para completar, o nome do jogo também era uma referência explícita à palavra sêmen, que em inglês se pronuncia exatamente igual ao nome dos bichinhos, Seamen.

Entre Ninjas e Virgens

Na campanha de divulgação de Ninja Gaiden Sigma 2 no Japão, os desenvolvedores do Team Ninja decidiram gastar cerca de um minuto do seu tempo na TV para reforçar uma grande bobagem: a física de seios. A impressão é de que eles provavelmente consideraram isto um dos maiores avanços tecnológicos do jogo. Reforçando assim, mais uma vez o já desgastado estereótipo do gamer machista.

As belas ninjas de Ninja Gaiden Sigma 2 Plus poderão se mover com mais suavidade agora (Foto: Just Push Start) (Foto: As belas ninjas de Ninja Gaiden Sigma 2 Plus poderão se mover com mais suavidade agora (Foto: Just Push Start)) — Foto: TechTudo

Game Gear, Sonic 2 e as bizarras campanhas da Sega

Poucas empresas cometeram tantos erros quanto a finada rival da Nintendo, principalmente no que se refere à propaganda. No início dos anos noventa a Sega decidiu que seria mais proveitoso tentar conquistar o público adolescente / adulto juvenil e decidiu investir em uma série de anúncios de teor duvidoso em revistas pelos Estados Unidos e Inglaterra.

Na primeira propaganda, a empresa decide brincar com ideia de que para um homem, seu novo Game Gear é tão bom quanto se masturbar.

'Alguma coisa com as suas mão que não vai te deixar cego' (Foto: Divulgação) — Foto: TechTudo

Na segunda, eles se mostram ainda mais explícitos com seu propósito, investindo em uma piada ainda pior.

“Quanto mais você brinca com ele, mais duro (difícil) ele fica” (Foto: Divulgação) — Foto: TechTudo

Para completar, na hora de divulgar o seu jogo mais importante do ano para Game Gear, Sonic 2, a Sega utilizou a seguinte propaganda:

“Qual será a dupla mais popular da praia nesse verão?” (Foto: Divulgação) — Foto: TechTudo

Os comerciais acabaram não chamando tanta atenção, já que a Sega teve o bom senso de restringi-los apenas a revistas de adultos. Ainda assim, este é mais um exemplo de campanhas que se baseiam em conceitos estereotipados de seu público-alvo, ao invés de procurarem conhecer de fato seus clientes, suas ideias e necessidades.

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