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Por Pedro Zambarda; Para O TechTudo


Vicente Martin Mastrocola (34) é professor da ESPM e da Miami Ad School. Conhecido pelo apelido Vince Vader, ele também é designer de games eletrônicos e jogos para tabuleiro, além de ser autor do livro Ludificador, lançado em abril de 2012. Para a coluna Geração Gamer desta semana, o TechTudo conversou com Vicente sobre suas atividades no mercado nacional de games e experiências em sala de aula.

Vince Vader é designer de games e usa sua experiência para dar aulas (Foto: Divulgação) — Foto: TechTudo

O professor ajuda o designer

“Eu supervisiono 15 professores, faço doutorado e ainda produzo games, com freelas para agências de publicidade. O essencial aqui é um trabalho auxiliar o outro”, diz o especialista. Vicente atua em um nicho de games já consolidado no Brasil atualmente: os jogos para publicidade, conhecidos como advergames.

Vicente também não vê distinção entre o trabalho de um acadêmico, alimentando pesquisas, e o de um criador de jogos dentro do mercado, atendendo clientes como Intel, Ford e MTV. “Um texto do doutorado pode virar post no meu blog ou capítulo de um livro novo. Um trabalho de advergame para uma agência tem que se transformar em exercício na sala de aula em algum momento, e por aí vai”, explica.

Além dos títulos eletrônicos, Vicente acredita bastante no potencial dos jogos físicos, de cartas e de tabuleiro, na indústria nacional. “No começo de 2013, eu produzi um board game independente chamado OKTO. Fiz 200 cópias, coloquei grana do meu bolso e vendi tudo pela internet em menos de cinco meses." Apesar do sucesso, o desenvolvedor reclama do baixo retorno, que torna o mercado independente inviável para ele.

Vince Vader é autor do Ludificador, livro lançado em 2012 (Foto: Reprodução) — Foto: TechTudo

O livro Ludificador é fruto das experiência de Vicente como jogador, desenvolvedor e professor. “Eu me obrigo a conhecer dois jogos de tabuleiro, além de card games novos, toda semana. Também tento jogar pelo menos um digital. É essencial você ter amigos gamers que compram esse tipo de material e compartilham com você, senão é falência total”, explicou o especialista.

Para Vicente, Johan Huizinga é o autor que melhor explica o que é um jogo, e suas teorias desenvolvidas em Homo Ludens (2001) são comentadas no Ludificador para que o próprio Vicente Martin Mastrocola elabore suas teorias. “Eu defino a ideia de jogo como um possível componente do universo lúdico. Na minha visão, esse universo lúdico potencialmente congrega diferentes tipos de propriedades”, diz Vicente, citando as regras de um game como uma via de diversão para o jogador.

As discussões acadêmicas de Vicente em seu livro são exibidas junto com projetos práticos de jogos com os quais ele esteve envolvido. O Ludificador trata, por exemplo, de dois jogos que o professor elaborou, como O Mundo VS Danilo Gentili, encomendado pelo comediante e apresentador, e Haunted Cards, um jogo de tabuleiro para o público infantil. “Tive boas oportunidades de criar games dentro desse cenário não estruturado que temos no Brasil. Por outro lado, nunca participei da criação de um jogo para console”, afirma o professor em seu livro.

Os desafios do mercado nacional

“Trabalhar com games no Brasil, analógicos ou digitais, é complicado. O governo não fomenta a indústria e os impostos são altos. Quem está no mercado e insiste é porque acredita e vê um horizonte melhor”, diz Vicente, sem rodeios. E completa: “Há iniciativas brilhantes como o Dia do Jogo Justo e todos os esforços que a ABRAGAMES e outros grupos realizam, mas é complicado receber somente ajuda picada. O mercado é gigantesco por aqui, e é líder de crescimento, segundo a GfK, mas falta incentivo governamental”.

Gamer há pelo menos 30 anos, Vicente Martin aprendeu a jogar em um Atari. “Acho que comecei a curtir videogame como todo garoto da minha geração, ao interferir em alguma coisa projetada numa tela. Essa experiência não existia antes. A gente era espectador e de repente virou algo mais. É o que Janet Murray, autora do livro Hamlet no Holodeck, chama de ‘interator’”, diz o professor.

Quando o Atari foi lançado, o Brasil nem imaginava ter um mercado de games próprio e os consoles não eram lançados corretamente por aqui. Três décadas depois, Vicente ajuda a criar essa cena de games no Brasil, além de dar diversas aulas sobre o tema.

O motivo do apelido

Poucas pessoas chamam Vicente pelo nome na Internet, onde é mais conhecido como Vince Vader. “Eu sempre gostei de Star Wars desde bem pequeno e tinha um capacete do Darth Vader. Quando tinha uns quatro para cinco anos, meu pai tirou uma foto minha usando ele. Um amigo meu, o Daniel, já me chamava de Vince e quando viu a foto e começou a me chamar de Vince Vader. A gente devia ter uns 13 anos de idade”, diz o designer, sobre a história de seu apelido.

Darth Vader inspirou o professor gamer (Foto: Divulgação/StarWars.com) — Foto: TechTudo

“Tem uma história engraçada com essa história no nick. Eu estava dando aula em 2010, quando mostrei o post de um sujeito e falei 'olha o nome que esse cara assina o post: Jonas Robocop'. Na mesma hora uma garota levantou a mão e falou: 'Acho bacana o Vince Vader criticar o Jonas Robocop'. Dano crítico e penalidade de moral depois dessa (risos)”, diz o professor.

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