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Por Da Redação; Para O TechTudo


Quando pensamos em adquirir algum equipamento de áudio, uma das primeiras informações buscadas é a potência do sistema (amplificador e caixas acústicas). Erroneamente temos o hábito de pensar que o volume ou a pressão sonora proporcionada é resultado da aferição em Watts RMS. O TechTudo desmitifica o assunto e esclarece suas dúvidas.

Imagem 02 — Foto: TechTudo

Para ficar claro, watt é a unidade que afere valor de potência elétrica, seja ela mínima, média (RMS) ou máxima (pico/PMPO) e apenas isto.

Anos atrás, os fabricantes divulgavam em seus equipamentos de áudio a máxima potência elétrica fornecida por seus amplificadores através de picos obtidos em curtíssimos intervalos de tempo, também conhecida como potência PMPO. O maior problema é que a metodologia não permitia o fornecimento constante e em tempo integral da potência declarada, nem muito menos em normais condições domésticas de uso.

Imagem 03 — Foto: TechTudo

A indústria então passou a utilizar outra forma de aferição para valores de potência elétrica, desta vez mais honesta e que expressava valores médios e constantes, conhecida como RMS (Root Mean Square) ou raiz quadrática média, que nada mais é do que o resultado de um cálculo matemático.

A aferição da potência em RMS não isenta o equipamento de distorções harmônicas ou sonoras como muitos pensam. Por padrão previamente estabelecido, no Brasil a potência divulgada pelos fabricantes tolera em média 10% de distorção harmônica (THD), o que é um valor bastante elevado.

Quando falamos de volume audível, estamos falando do nível de pressão sonora (SPL) e seu valor é quantificado em decibéis (dB). Por padrão, este formato afere quantos decibéis as caixas acústicas conseguem produzir quando alimentadas pela potência elétrica de 1 Watt estando a um metro de distância. E isto é o que ouvimos e sentimos quando aumentamos o volume no controle remoto.

Produzir boas caixas acústicas e alto falantes de alta sensibilidade pode ser algo muito caro e de maior perícia em engenharia. No mercado existem caixas acústicas que superam facilmente a casa dos 15 mil reais, como algumas da conceituada marca B&W (Bowers & Wilkins).

IMAGEM 04 — Foto: TechTudo

Para se ter uma ideia, a cada três decibéis a menos, uma caixa acústica precisará do dobro da potência elétrica fornecida pelo amplificador para produzir o mesmo nível de volume (pressão sonora), veja o exemplo abaixo:

IMAGEM 05 — Foto: TechTudo

A caixa acústica (A) possui sensibilidade de 90 decibéis e, quando alimentada por um amplificador com 500 Watts RMS, produz o mesmo nível de volume (pressão sonora) que a caixa acústica (B) que possui 87 decibéis e recebe 1000 Watts RMS de seu respectivo amplificador.

Por isso, de nada adianta o sistema possuir um amplificador que fornece alta potência em RMS se suas caixas acústicas possuírem baixa sensibilidade. É desperdício de dinheiro na aquisição do equipamento e na conta de energia elétrica no final do mês.

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Tanto a “potência sonora” que ouvimos em decibéis, quanto a potência elétrica média fornecida pelo amplificador em RMS variam (e muito) conforme a frequência sonora reproduzida, devemos levar em conta que é comum existirem um ou mais amplificadores em um mesmo produto e que estes muitas vezes, direcionam potências em RMS completamente diferentes para os graves, médios e agudos. 

O produto “ideal” é aquele capaz de oferecer a potência declarada em qualquer frequência compreendida entre 20Hz a 20KHz (valores médios audíveis pelo ser humano), sua taxa de distorção harmônica (THD) não deverá ser maior que 1% em todas as frequências sonoras e com todos os canais e alto falantes do sistema funcionando simultaneamente, para altos níveis de “volume” sonoro procure por valores de sensibilidade acima de 87dB nas especificações das caixas acústicas ou dos alto-falantes do sistema.

Por último, verifique a relação entre a potência de entrada em Watts, que é o consumo de energia elétrica, e a potência elétrica de saída especificada em Watts RMS, ambos os dados são fornecidos diretamente no aparelho. Lembramos que nunca um amplificador poderá fornecer maior potência do que aquela consumida por ele.

Dificilmente encontraremos produtos com estas especificações no Brasil, os sistemas que mais se aproximarem destas características são os mais recomendados.

LG lançou um sistema de som para quem quiser ser DJ na sala de casa (Foto: Pedro Cardoso/TechTudo) — Foto: TechTudo

Dependendo de suas características físicas e limitações técnicas, alguns equipamentos oferecem maior destaque para os sons graves e os sub-graves. Em outros, ouvimos os médios e agudos com maior destaque pois, em “matéria de som”, o gosto musical e a sensibilidade auditiva, variam de pessoa para pessoa.

Finalmente, como podemos escolher um sistema com grande potência sonora? o que devemos avaliar?

Primeiramente, peça para o vendedor trazer o manual do produto ou simplesmente baixe-o no site do fabricante, depois vá até as últimas páginas e veja como se divide a potência elétrica média declarada, sempre observando quantos RMS vão para cada canal e alto-falante (não é complicado e dá para encontrar facilmente os valores).

Em segundo lugar, utilize uma mesma música como referência nos diferentes produtos que compõem a sua dúvida e ouça atentamente a sonoridade de cada um deles percebendo quais sons se destacam mais e se o som dos instrumentos e principalmente das vozes são igualmente legíveis, potentes e realistas.

Agora que você já sabe, não compre um equipamento de áudio apenas pela potência RMS declarada. Ouça cada sistema e verifique o volume audível e principalmente a qualidade sonora de suas caixas acústicas e alto falantes.

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