Facebook quer feed informativo, divertido e com 'amigos primeiro'

Ou seja, se um post vem de um amigo, está em seu feed. O trabalho, no entanto, segue "apenas 1% concluído".

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Por Melissa Cruz Cossetti, da redação

Cuidado com as suas amizades... É sobre elas que, em parte, o algoritmo do Facebook se inspira para escolher o que vai aparecer no seu feed de notícias. No artigo "Construindo um Feed de Notícias mais relevante para as pessoas", a rede social procurou explicar como a plataforma vai exibir histórias que informem e entretenham os usuários de forma mais assertiva. Segundo o Facebook, da maneira "que acreditamos que as pessoas vão identificar como informativas e divertidas".

A atualização mais recente, anunciada nesta sexta-feira (30), quer reduzir os links de baixa qualidade. Entre os valores que pretende utilizar está "Amigos e Familiares primeiro". Ou seja, se um post vem de um amigo, está em seu feed." O trabalho, no entanto, segue "apenas 1% concluído". Entenda a proposta da rede.

Facebook  (Foto: Foto: Melissa Cruz/TechTudo) Facebook  (Foto: Foto: Melissa Cruz/TechTudo)

Facebook (Foto: Foto: Melissa Cruz/TechTudo)

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Guerra contra spam

De acordo com a rede social, pesquisas internas mostram que há um pequeno grupo de pessoas que rotineiramente compartilham grandes quantidades de posts públicos diariamente e, efetivamente, categorizados como spam. Essas mesmas pesquisas também apontam que esses links compartilhados tendem a incluir conteúdo de baixa qualidade, como títulos caça-cliques (clickbait), sensacionalismo e, até mesmo, chegam a contribuir com a desinformação no site.

"Queremos reduzir a influência desses spammers e diminuir a relevância dos links que eles compartilham com mais frequência do que normalmente a maioria das pessoas compartilha. Certamente, esse é apenas um sinal entre muitos outros que podem afetar a classificação prioritária desse tipo de publicação. Esta atualização só se aplicará a links, como um artigo, e não a domínios, páginas, vídeos, fotos, check-ins ou atualizações de status", diz Adam Mosseri, vice-presidente.

O papel do algoritmo

A rede social colocou como foco nos seus principais valores a meta de que o feed deve ser informativo. Ao mudar a forma como distribui os links, poderá focar na boa informação e reduzir a propagação de links problemáticos como os já citados. Um update permitirá às pessoas visualizar mais posts de seus amigos e familiares — o que pode ser bom, ou muito ruim, a depender das suas companhias online.

Lançado em 2006, o feed de notícias sequer era parecido com o que temos hoje: um desafio enorme em que muitas informações são compartilhadas para uma única pessoa consumir. Com o crescimento da rede social, que chegou a dois bilhões de membros, e da quantidade de posts gerados por dia — que cresce paralelamente — foi necessário ranquear os posts com um algoritmo.

"É por isso que as histórias no Feed de Notícias são ranqueadas – para que as pessoas vejam o que mais importa primeiro e não percam conteúdos importantes de seus amigos e familiares. Se este ranqueamento não estiver ativo, as pessoas não se engajam e ficam insatisfeitas. Portanto, um de nossos trabalhos mais importantes é entender como organizar este ranking corretamente", diz.

Com objetivo de ser mais transparente sobre essas regras — ou, como chamam, de um conjunto de valores fundamentais — a rede social compartilhou diretrizes.

Os valores do feed do Facebook

"Se você pudesse passar por milhares de histórias a cada dia e escolher as 10 mais importantes para você, quais seriam?". De acordo com a rede social, a resposta dessa pergunta deve ser o feed de notícias. O que o próprio site sinalizou como subjetivo, pessoal e único. O feed ideal, seria assim, conforme as novas regras:

Amigos e Familiares primeiro

Desenvolvido para conectar pessoas com seus amigos e familiares, esse continua sendo o principal pilar do feed. "Por isso que, se uma atualização vem de um amigo, está em seu Feed e ponto – você precisa apenas rolar a página. Para ajudá-lo a não perder as publicações de amigos e familiares, vamos colocar estes posts no topo de seu News Feed", informa rede social. Ainda de acordo com o artigo, a plataforma explica que aprendeu com as ações dos usuários e adaptou regras ao longo do tempo. "Por exemplo, se você costuma curtir fotos da sua irmã, nós começaremos a colocar as publicações dela no topo de seu feed para que você não perca o que ela postou", completa. Mas as notícias também são importantes.

O feed deve informar

E se o Facebook acredita que o feed deve informar — e não desinformar, as pessoas esperam que as histórias sejam cada vez mais significativas. "Algo que uma pessoa considere informativo ou interessante pode ser diferente na perspectiva de outra pessoa — e isso pode ser um post sobre um evento, uma história sobre uma celebridade, trechos de uma notícia ou mesmo uma receita", reconhece. A plataforma diz que segue trabalhando para entender o que é interessante e informativo para cada usuário e dar destaque aos temas no feed.

O feed também deve entreter

Mas nem só de notícias vivem os usuários do Facebook: gifs de gatinhos, tirinhas, vídeos divertidos e tutoriais de coisas curiosas roubam a cena de grandes escândalos políticos quase sempre. "Para alguns, isso significa seguir uma celebridade ou atleta; para outros, significa assistir a vídeos no Live e compartilhar fotos divertidas com seus amigos", afirmam. Sendo assim, a rede social também segue trabalhando para entender e prever o que faz você rir e sair do mau humor.

'Não é escolher o que as pessoas devem ler'

Entretanto, a rede social se defende: "nosso negócio não é escolher o que as pessoas devem ler. Nós conectamos pessoas e ideias — e entregamos a elas histórias que consideramos ser mais significativas a elas", argumentam. Para isso, o Facebook quer ter uma política inclusiva em diferentes pontos de vista.

O site promete não favorecer fontes ou ideias específicas. "Nosso objetivo é entregar a um indivíduo específico os tipos de histórias que obtivemos um feedback sobre seu possível interesse. Nós fazemos isso não apenas por acreditar ser a forma correta, mas também porque é importante para nosso negócio", encerram. É evidente que, acertando as medidas dos ingredientes, é capaz de o Facebook fazer você passar mais tempo, ou ainda mais tempo, rolando o feed.

"Acreditamos que é possível ser inclusivo sem tornar o Facebook um lugar onde as pessoas estejam sujeitas a agressões, ódio ou outros comportamentos prejudiciais", completa Mosseri. O executivo lembra ainda que há controles para que qualquer pessoa possa personalizar o que vê no Facebook: funções como “deixar de seguir”, “ocultar” e “ver primeiro” dão o feedback que o site precisa.

Trabalho 1% concluído

Para fechar o artigo, o executivo diz que a rede social considera o trabalho como apenas 1% concluído. "Como procuramos maneiras de melhorar constantemente, continuaremos a solicitar seu feedback", finaliza. Ou seja, dizer ao Facebook o que você não quer — o contrário do Like (curtida, por exemplo) — terá, talvez, valor mais significante do que reações aos posts. Resta aguardar e observar mudanças.

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