Por Melissa Cruz Cossetti, da redação


O Wired Festival Brasil 2017 acontece em São Paulo nos dias 8 e 9 de junho. A segunda edição do evento vai promover um debate sobre inovação, negócios e educação. Para falar sobre as cidades do futuro, quem sobe ao palco da sala Reverb, às 11h do segundo dia, é Paulo Cabral, líder de crescimento para a América Latina do Waze. O famoso aplicativo de trânsito e navegação está trabalhando em novos recursos, como Carpool. A ferramenta pretende contribuir com a redução dos engarrafamentos e, com isso, melhorar a qualidade de vida dos usuários. Ao TechTudo, Cabral adiantou parte da palestra "Como pessoas e dados podem transformar o trânsito".

"O Wired Festival Brasil terá alguns temas e um deles será cidades. Vamos participar mostrando como o Waze ajuda a melhorar a infraestrutura dessas cidades grandes como São Paulo", explica Paulo Cabral.

Waze Carpool — Foto: Gabrielle Lancellotti/TechTudo

Segundo o executivo, o Waze segue crescendo: São Paulo é a cidade com a maior quantidade de wazers do mundo, com 3,8 milhões de motoristas cadastrados. Em todo o globo, são 80 milhões de inscritos na plataforma que, além de fornecer dados sobre o trânsito e mapas online, está investindo também em um serviço próprio de carona: o Carpool. Anunciado para o Brasil em março, as caronas organizadas do Waze vão desembarcar no país até o final de 2017, mas ainda não há uma data oficial. Tampouco é certo que o destino seja mesmo a capital paulista. O próximo grande lançamento será em pistas brasileiras.

Duas caronas por dia: ida e volta

O Carpool acabou de chegar a Los Angeles, nos Estados Unidos. Antes, a ferramenta estava disponível apenas em São Francisco, a primeira cidade de porte tão grande quanto São Paulo. Em breve, estará em toda a Califórnia. O recurso de caronas do Waze opera também em Israel, onde um time de desenvolvimento decide quais as funções serão oferecidas. Para se diferenciar de serviços de transporte, como táxi, Uber ou Cabify, algumas regras globais serão mantidas em todas as regiões: o limite de oferecer apenas duas caronas (ida e volta) por dia é um exemplo.

Segurança ainda é um desafio

Para que o Carpool chegue ao Brasil, é necessário que o Waze receba ajustes técnicos. A ferramenta vai precisar também se adaptar às questões culturais: a segurança pública, por exemplo, é um desafio para o país.

Estamos pensando a questão de segurança. Sabemos que no Brasil será diferente de outras partes do mundo

De acordo com Cabral, ainda há o que se discutir. Porém, algumas medidas já estão sendo tomadas para adaptar o Carpool às necessidades do usuário brasileiro. "Estamos pensando a questão de segurança. Sabemos que no Brasil será diferente de outras partes do mundo, principalmente São Paulo. Estamos pensando em alternativas para mitigar esse risco [de violência]. Você pode, por exemplo, selecionar quem você vai pegar e permitir usar a sua carona", explica.

Sendo assim, mulheres podem preferir apenas dar carona a mulheres ou qualquer outro usuário poderá escolher quem vai levar no seu carro antes mesmo de sair de casa. Outra decisão, como diminuir o alcance da cobertura na região em que o usuário vai fornecer a carona, também pode ajudar a reduzir os riscos de levar no carro totais desconhecidos.

"Se o seu carona trabalha no mesmo prédio em que você ou mora na mesma região em que você também trabalha, isso já melhora", diz.

Não é Uber!

A Waze trabalha com o conceito básico de que quem vai utilizar o Carpool são pessoas que vão na mesma direção em momento similar e na melhor rota possível. Sendo assim, não é um serviço para que a pessoa use como uma ocupação profissional, como o seu trabalho — não é táxi, nem Uber.

As caronas já estão acontecendo no mundo inteiro. O que não existia era uma plataforma grande, com o alcance do Waze, para conectar todas as pessoas

"É apenas fazer o que o motorista já faz com outra pessoa dentro do carro", argumenta. "As caronas já estão acontecendo no mundo inteiro. O que não existia era uma plataforma grande, com o alcance do Waze, para conectar todas as pessoas [interessadas em caronas]", completa.

Contribuição mínima

Ainda de acordo com Cabral, o que as pessoas precisam ver como diferencial é que ao usar um serviço de táxi, elas pagam ao motorista pelo transporte. No Carpool haverá uma troca monetária, porém mínima, para ajudar em custos como combustível, seguro e depreciação do carro.

"Todos os cálculos são locais, mas a ideia é ter o mesmo princípio do resto do mundo: dependendo da distância percorrida isso vai alterar o preço", explica. Sendo assim, usuários poderão pagar menos do que pagariam a motoristas particulares para se deslocar com frequência e o dono do veículo teria alguém para dividir custos com gasolina, álcool ou gás, desgastes de pneus e manutenção preventiva do seu automóvel.

Carpool pode ajudar condutores nos custos com combustível no Brasil — Foto: Reprodução / Waze

Sem pagamento em dinheiro

Cabral dá como principal público do Waze Carpool pessoas que trabalham em grandes cidades e se deslocam de áreas residências para grandes centros comerciais, todos os dias. Porém, há outros usuários que podem se interessar em fazer cadastro nas caronas do aplicativo. "O trabalho é um caso mais comum, mas podemos trocar por escola, faculdade ou qualquer outro trajeto que as pessoas façam de maneira frequente", pontua. O destino, porém, precisa ser sempre o mesmo.

Também uma questão de segurança, o pagamento ou contribuição, com o Cabral prefere chamar, não será realizado em dinheiro. "Vamos tirar o máximo proveito do que temos hoje na plataforma. Algumas coisas, porém, vão mudar. Pagamento em dinheiro não estará disponível em São Paulo", afirma o executivo, que imagina que o dinheiro em espécie pode gerar interesse de criminosos em abordar os participantes do Carpool.

Mais de uma carona por carro

Atualmente, para oferecer bancos vazios do seu carro no Carpool nos Estados Unidos e em Israel, os motoristas e passageiros precisam ser residentes do país — ou seja, não se destina a turistas —, que usem um nome real e uma foto para identificá-lo no perfil, ter pelo menos 18 anos para passageiros e mais de 21 anos para condutores. Atualmente, o organizador de caronas só permite levar uma pessoa por vez, o que deve mudar em breve, e chegar junto com a estreia do Carpool no Brasil.

"Hoje o limite é de uma pessoa. Mas estamos em teste para ter mais pessoas de carona dentro do carro. Quando lançarmos no Brasil, teremos a função de mais de uma pessoa, ideal para quem vai para a universidade ou mesmo para o trabalho em grupos maiores", disse.

Atualmente, Waze Carpool só permite um carona por veículo em cada viagem — Foto: Reprodução / Waze

Cada passo de uma vez ...

Cabral também deixa claro que o início das atividades do Waze Carpool no Brasil não será de uma hora para outra. O serviço deve começar a operar aos poucos, a exemplo de como foi em outras regiões em que já opera. "Temos alguns exemplos no resto do mundo: em Israel começamos em alguma regiões específicas. Em São Francisco começamos com algumas empresas parceiras: Google, Walmart e univerisades. Não vejo a Waze abrindo direto o Carpool a todos", diz.

Expectativas de melhoria no trânsito

Tudo isso tem um porquê. Entre as expectativas de melhoria no trânsito apresentadas pelo Waze estão diminuir carros nas ruas e aumentar a velocidade média de circulação dos veículos — reduzindo engarrafamentos formados por carros com apenas uma pessoa dentro.

"Baseado na experiência do resto do mundo, o Carpool pode tirar metade dos carros das ruas e aumentar a velocidade media em 15% na cidade. O impacto disso são minutos a menos em um trajeto diário", completa.

Mesmo com tantos desafios de segurança e implementação, Cabral segue otimista com a aposta da Waze no país e em tornar as cidades mais sustentáveis para os próprios habitantes e usuários da plataforma: "Acreditamos que o Waze Carpool vai ser bem sucedido no Brasil".

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