Por Melissa Cruz Cossetti, da redação

Enquanto mensageiros como o Facebook Messenger recebem os bots como um diferecial para o seu próprio futuro, o Instagram iniciou uma verdadeira guerra contra a automação de interações na rede social. Aplicativos famosos que geram comentários de forma automatizada e em massa pararam de funcionar nas últimas semanas: Instagress, InstaPlus, PeerBoost, Mass Planner, FanHarvest e tantos outros apresentam atualmente mensagens de desculpas aos usuários — alguns oferecem dicas de como obter reembolso sobre os serviços que já foram pagos aos sites. Os aplicativos vendiam interações automáticas, incluindo mensagens diretas (Direct) e comentários. Nos últimos meses, o Instagram tem tentado reduzir as interações não-humanas.

Instaplus avisa aos usuários que foram 'forçados a encerrar atividades' e serviço foi descontinuado — Foto: Carolina Ochsendorf/TechTudo

Com isso, os usuários do Instagram já podem celebrar o fim dos comentários genéricos e totalmente fora do contexto nas suas fotos. Quem nunca recebeu comentários em inglês ou mesmo em outras línguas com emojis e textos como “This is so awesome!”, “Love it!” ou "Great pic!"? Geralmente, a mensagem vem de contas com muitos seguidores, cujos donos simulam um status de influencer que não sustentam na vida real, pois fazem o uso de bots para gerar falsas curtidas e também comentários de forma automatizada, caracterizando spam pelo Instagram.

Para funcionar, tudo o que os donos das contas precisam fazer é pagar o número de curtidas e comentários que gostariam de fazer — com o objetivo de gerar um "troco likes" automático e chamar a atenção dos usuários comuns — e um bot cuida do resto. Os comentários, na maior parte das vezes, são vagos, não têm relação com o conteúdo publicado e são todos iguais por onde o bot passou.

Um influenciador real costuma receber comentários de acordo com o seu idioma, relevantes e com relação direta sobre a foto ou vídeo publicados. Algumas vezes, como resposta ao post ou mencionando outro contato para que possa ver a foto. Um falso influencer, geralmente, tem a seção de comentários inundada por hashtags e emojis que podem ser usados para comentar qualquer coisa online.

Instagress também encerrou atividades web e avisa na página inicial — Foto: Carolina Ochsendorf/TechTudo

Política contra spam e denúncias

Contudo, se a compra de likes foi algo tolerado por muitos anos, as falsas interações provocaram uma reação mais enérgica da rede social. Todo aplicativo que viola as Diretrizes e os Termos de Uso da Instagram — que recentemente se voltou contra o spam — estão fora do jogo. Ou seja, se você oferece automação para enviar mensagens sem propósito e/ou irritantes, é o fim da linha.

Oficialmente, o Instagram não comenta a movimentação. Os criadores dos aplicativos, porém, se limitam a dizer que receberam solicitações da plataforma e não mais oferecem os serviços. O Instagram atingiu mais de 700 milhões de usuários no final de abril e caminha para o seu primeiro bilhão, a passos largos. Os termos de uso proíbem o uso de bots, scripts e outros dispositivos automatizados. Na seção "Termos básicos", no ítem 11, o texto diz: "você não pode criar ou enviar emails, comentários e opções curtir indesejados ou qualquer forma de comunicação comercial ou de assédio (também conhecida como "spam") a nenhum usuário do Instagram", explica o aplicativo. O texto (help.instagram.com) está em vigor desde 19 de janeiro de 2013 mas tais avanços são recentes.

Facebook derruba fan page do PeerBoost que apresenta agora 'Conteúdo Insdisponível' — Foto: Carolina Ochsendorf/TechTudo

Com a derrubada desses aplicativos de automação de interações, o volume de comentários automatizados deve cair drasticamente no Instagram. Porém, se o usuário continuar recebendo esse tipo de contato indesejado pode denunciar comenátios, posts e contas de perfis que espalham spam no app "instantâneo".

A guerra contra o spam pode atingir, principalmente, os falsos influenciadores, marcas pequenas e desconhecidas que usam desses artifícios para crescer de forma não natural — e "bombar no Instagram"— e, claro, os donos dos aplictivos que não podem mais oferecer o serviço como produto ou software aos clientes.

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