Mostra de Moda e Tecnologia revela futuro sustentável no Museu do Amanhã

A mostra Interface Interlace reúne 12 peças com impressão 3D, eletrônica, sensores, corte a laser e biotecidos.

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Por Aline Batista e Carolina Ochsendorf, da redação

A exposição Interface Interlace abriu as portas em 14 de julho, no Laboratório de Atividades do Amanhã, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. A proposta é reunir 12 peças entre roupas e acessórios, que fossem responsivas, sustentáveis e responsáveis e provocar uma reflexão sobre a forma como nos vestimos, além de reavaliar a cadeia da indústria da Moda. Dentre as tecnologias utilizadas estão a impressão 3D, sensores, corte a laser e também biotecidos.

Exposição é resultado de cinco meses de experimentações no Labotarório de Ativadades do Amanhã  (Foto: Gilherme Leporace ) Exposição é resultado de cinco meses de experimentações no Labotarório de Ativadades do Amanhã  (Foto: Gilherme Leporace )

Exposição é resultado de cinco meses de experimentações no Labotarório de Ativadades do Amanhã (Foto: Gilherme Leporace )

O processo de criação

Para criar os protótipos wearables (ou tecnologia vestível) ─ como o colar de segurança pessoal que pode ser acionado por comando de voz e o casaco que vira mochila com sinalização eletrônica de LED ─ foi reunido um grupo interdisciplinar composto por designers, em conjunto com especialistas em novas tecnologias.

Denominado como Programa de Tecnologia Na Moda, a experimentação que culminou na exposição, foi uma parceria entre o Museu do Amanhã, a plataforma multicultural O Cluster e a startup de biotecnologia ambiental residente da Incubadora de Empresas da Coppe UFRJ, Biotecam.

“O objetivo do “Tecnologia na Moda” é pensar as roupas que usamos todos os dias de uma forma diferente. É explorar a junção de roupas com eletrônica, impressão 3D, sensores e biotecidos, aplicando essas técnicas ao que vestimos”, comenta Marcela Sabino, Diretora do Laboratório de Atividades do Amanhã (LAA).

Dos 180 participantes iniciais, que fizeram parte da oficina até maio deste ano, restaram 14 residentes finalistas. Eles foram responsáveis pela confecção de roupas e acessórios funcionais, aplicando novas ferramentas, como o uso de biotecidos ─ peças produzidos por microorganismos ─ durante os cinco meses.

Bolsa feita de biotecido é capaz de carregar celulares (Foto: Guilherme Leporace/Museu do Amanhã) Bolsa feita de biotecido é capaz de carregar celulares (Foto: Guilherme Leporace/Museu do Amanhã)

Bolsa feita de biotecido é capaz de carregar celulares (Foto: Guilherme Leporace/Museu do Amanhã)

“Foram necessárias inúmeras horas de pesquisas e houve falhas, avanços, frustrações, descobertas e triunfos — um processo de tentativa e erro árduo, mas imprescindível para inovar. Os resultados não são produtos prontos, mas protótipos que apontam para um mundo em que a moda pode ser diferente”, diz.

O que tem por lá?

Quem for visitar a exposição verá que a soma de criatividade, ciência, tecnologia e inovação funcona. Ideias como a bolsa de biotecido de kombucha com trama de fungos que usa painel orgânicos solares para recarregar o celular podem projetar soluções para um cenário futuro. A mobil jaquet, que faz parte da mostra, conta com placas solares capazes de recarregar pequenos gatgets pessoais.

Segurança e praticidade também estão presentes na jaqueta\mochila feita em corte a laser com sinalização eletrônica em LED, que pode ser usada por ciclistas à noite. A exposição traz, ainda, um acessório em forma de colar capaz de informar a amigos e familiares sobre situação de risco do usuário, por meio de um comando de voz. Dessa maneira, o consumidor não precisa abrir mão da beleza para se sentir seguro, pois o design da peça não deixa a desejar.

Colar é capaz de avisar amigos e familiares sobre situação de risco (Foto: Carolina Ochsendorf/TechTudo) Colar é capaz de avisar amigos e familiares sobre situação de risco (Foto: Carolina Ochsendorf/TechTudo)

Colar é capaz de avisar amigos e familiares sobre situação de risco (Foto: Carolina Ochsendorf/TechTudo)

Ainda sobre wearables, há uma blusa e vestido com uma proposta super inovadora: a primeira é feita com malha interativa e fios de computadores que garantem uma programação responsiva do corpo, ativando uma performance com luz de LED. Já a segunda roupa é um vestido de noiva com robótica retrátil, que pode ter o comprimento da saia encurtado após o fim da cerimônia.

Peças reúnem beleza e sustentabilidade  (Foto: Guilherme Leporace/Museu do Amanhã) Peças reúnem beleza e sustentabilidade  (Foto: Guilherme Leporace/Museu do Amanhã)

Peças reúnem beleza e sustentabilidade (Foto: Guilherme Leporace/Museu do Amanhã)

Vale lembrar que todas as peças têm em comum a busca de soluções para problemas atuais e para e equilíbrio entre forma e funcionalidade.

As tecnologias usadas nas peças

Biotecido

Foi preciso repensar a produção tradicional da moda. Os criadores experimentaram novas técnicas e ferramentas, mantendo o equilíbrio entre forma e função. Os protótipos foram produzidos com biotecidos, desenvolvidos pela startup Biotecam. A tecnologia mistura biotecnologia e nanotecnologia para desenvolver tecidos feitos a partir de bactérias. Ou seja, materiais ecofriendly — termo usado para se referir a peças amigáveis ao ambiente, de baixa exploração.

Impressão 3D

As impressoras 3D, que se popularizaram nesta década, já são consideradas uma promessa para o mundo da moda e vêm sendo usadas por marcas famosas para a criação de peças experimentais. No projeto desenvolvido pelo LAA, foram usados plásticos PLA e ABS. O primeiro é biodegradável, produzido por meio da fermentação de vegetais ricos em amido, enquanto o segundo combina flexibilidade e resistência e é usado em peças de Lego, por exemplo. O processo de impressão adiciona os materiais em camadas para compor uma preça de roupa.

Acessórios foram feitos com impressora 3D (Foto: Carolina Ochsendorf/TechTudo) Acessórios foram feitos com impressora 3D (Foto: Carolina Ochsendorf/TechTudo)

Acessórios foram feitos com impressora 3D (Foto: Carolina Ochsendorf/TechTudo)

Corte a laser e sensores

Já a técnica de corte a laser utiliza um raio concentrado para aquecer e derreter o material. O resultado é um corte feito com maior qualidade e velocidade. As peças também trazem sensores e mecanismos robóticos como o vestido de noiva futurista, que possui um botão para alterar seu comprimento; a blusa de malha interativa, que ativa uma performance de luzes de LED conforme o movimento de quem está usando; e o acessório de segurança pessoal impresso em 3D, que pode ser acionado por comandos de voz para informar amigos e familiares sobre situações de perigo de quem o veste, fornecendo, inclusive, a localização.

Wearables em foco

Os protótipos em exibição no Museu do Amanhã mostram que o mundo dos wearables está cada vez mais próximo. A roupa vai além de uma forma de expressão, se tornando inteligente. A exposição também propõe uma reflexão sobre o papel da moda, pensando em soluções para os problemas atuais e projetando cenários futuros. As tecnologias são usadas com o propósito de apresentar um modelo sustentável de produção de moda, com roupas e objetos feitos de forma racional e respeitando o meio ambiente, sem deixar de atender às demandas do consumidor. Para isso, inovação é fundamental.

Quer visitar?

A mostra se trata de um projeto para repensar a moda como conhecemos. Há um longo caminho a percorrer nesse sentido e, por enquanto, não há previsão de quando peças deste tipo serão postas à venda. A exposição Interface Interlace pode ser vista de terça-feira a domingo, das 10h às 17h, até 15 de novembro, no Museu do Amanhã, Rio de Janeiro. A mostra faz parte do acervo temporário do museu, cuja entrada custa R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia para estudantes).

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