Shutterstock muda estratégia após Google remover marca d'água de fotos

Estudo polêmico da gigante de buscas mostra que proteção apresenta fragilidades e remove marcações de forma automática com algoritmo.

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Por Melissa Cruz Cossetti, da redação

Recentemente, o Google divulgou uma pesquisa polêmica sobre o uso de marca d'água em fotos. O experimento mostrava como era simples, usando um algoritmo, tirá-las com alguma facilidade. Prática comum em bancos de imagem na Internet, as marcações são usadas para que as fotos não sejam roubadas. Ao pagar, o dono do conteúdo retira a marca e entrega uma versão maior, em melhor resolução e sem os carimbos. A notícia fez a alegria dos piratas de fotos. Mas, ao que tudo indica, por pouco tempo. Depois de divulgadas as informações, a Shutterstock, uma das fornecedoras atingidas pelo experimento, mudou sua estratégia de proteção.

Algoritmo do Google consegue remover marca d’água de foto (Foto: Reprodução/YouTube)

A Shutterstock afirma que o Google foi cauteloso e não expôs as fragilidades de sites que oferecem o serviço de banco de imagens sem antes informá-los. De acordo com Martin Brodbeck, CTO da Shutterstock, a empresa foi notificada antes do lançamento do artigo e começou a trabalhar nas suas próprias fragilidades para que fossem corrigidas a tempo do lançamento da pesquisa online.

A questão, segundo Brodbeck, era proteger sem degradar a qualidade. Alterar apenas a opacidade e a localização da marca d'água não a tornia mais segura, mas a mudança da geometria sim. Ainda de acordo com o executivo, um desafio ainda maior seria o lançamento de uma nova marca d’água dentro dos novos padrões para uma coleção tão grande. Para isso, a equipe de engenharia trabalhou com parceiros internos e externos, contra o relógio. O resultado foi um gerador aleatório de marcas que, a princípio, passou nos testes do próprio Google.

Em entrevista ao TechTudo, Shutterstock tirou algumas dúvidas sobre o processo.

Nova marca d'água da Shutterstock promete evitar 'roubo de fotos' (Foto: Divulgação/Shutterstock) Nova marca d'água da Shutterstock promete evitar 'roubo de fotos' (Foto: Divulgação/Shutterstock)

Nova marca d'água da Shutterstock promete evitar 'roubo de fotos' (Foto: Divulgação/Shutterstock)

TechTudo: Quantas imagens estão disponíveis no banco da Shutterstock?

Martin Brodbeck: mais de 150 milhões de imagens.

TT: A Shutterstock acompanhou com antecedência essa pesquisa?

Brodbeck: Fomos notificados pelo Google antes que o documento fosse publicado e rapidamente começamos a trabalhar para abordar as áreas destacadas.

TT: Quando a Shutterstock passou a implementar mudanças?

Brodbeck: Antes de a pesquisa ser publicada, já estávamos implementando as mudanças para proteger o trabalho dos contribuidores. Nossa nova tecnologia de marca d'água já está em vigor para todas as nossas 150 milhões de imagens.

*A pesquisa do Google foi divulgada em 17 de agosto, no blog Oficial.

TT: Tecnicamente, o que muda nas marcas de fotos após a pesquisa?

Brodbeck: Desenvolvemos um randomizer de marcas d'água, o que impede que existam duas marcas parecidas. As formas variam por imagem e incluem os nomes dos contribuidores. Ao criar uma marca d'água completamente diferente para cada imagem disponível no site, é mais difícil identificar verdadeiramente a forma. A nova tecnologia foi testada pelo Google, provou ser bem-sucedida e já foi lançada para a coleção da Shutterstock antes que esta novidade fosse divulgada.

TT: A mudança é satisfatória do ponto de vista técnico?

Brodbeck: Sim, a nova marca d'água foi compartilhada com o Google (antes de sua pesquisa ser publicada) e foi bem-sucedida em resistir à tecnologia de remoção [a mesma usada no experimento]. Esta nova tecnologia é inteligente e resistente a qualquer reconhecimento de padrões e ideal para proteger as imagens.
O diferencial é que a ferramenta de randomização muda a geometria de todas as marcas d'água de alguma forma. Isto é conseguido através de um algoritmo, à medida que as imagens são processadas e inseridas na coleção. O verdadeiro desafio técnico foi a inclusão na coleção de imagens existentes. Isso exigiu muita coordenação entre múltiplas equipes e partes interessadas.

TT: O quão difícil é, após a mudança, de o Google "roubar uma foto"?

A pesquisa do Google baseia-se na identificação de marcas d'água semelhantes e na sua remoção em grande escala. O sistema inteligente garante que cada imagem tenha uma marca d'água diferente, o que torna difícil de o Google identificar verdadeiramente a forma em questão [evitando padrões].

TT: A marca ainda é a melhor forma de proteger fotos?

Brodbeck: Sim, são necessárias marcas d'água para continuar a proteger os direitos de imagem do contribuidor. É eficaz, e a nova marca d'água da Shutterstock promove ainda mais os criadores dessas imagens, incluindo os nomes dos artistas. Isso adiciona uma camada extra de segurança.

Marca d'água (Foto: Reprodução/YouTube)

TT: A Shutterstock acha que o Google expôs fragilidades sem solução?

Brodbeck: Identificamos uma solução para a pesquisa do Google e isso foi implementado antes da pesquisa ser publicada. A equipe de engenheiros da Shutterstock continuará trabalhando para criar soluções ainda mais fortes que garantam a segurança da coleção. Isso se faz necessário à medida que o poder de processamento de computadores e a aprendizagem de máquinas melhoram.

TT: O que a Shutterstock recomenda aos fotógrafos?

Brodbeck: Os fotógrafos devem garantir que seu trabalho esteja protegido com marcas d'água em todos os momentos, onde quer que estejam disponíveis para download. Se o seu conteúdo estiver na Shutterstock, nós já fornecemos a segurança de que precisam.

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