Por Melissa Cruz Cossetti, do Rock in Rio

Rock in Rio tem exército de mais de 70 pessoas só para as redes sociais Rock in Rio tem exército de mais de 70 pessoas só para as redes sociais

Com quase 4 milhões de curtidas no Facebook, 540 mil fãs no Instagram e 4,2 milhões de seguidores no Twitter, o Rock in Rio não é grande apenas na Internet. A Cidade do Rock, no Rio de Janeiro, triplicou de tamanho em 2017, se comparada à edição anterior. Neste ano, o evento ocupa um espaço de 300 mil metros quadrados, com 7 palcos e mais de 200 artistas convidados. Para dar conta de tudo isso, 700 mil pessoas devem passar pelo festival — foram vendidos 100 mil bilhetes por noite. Registrando todos os momentos, um pequeno exército de 75 pessoas será responsável por contar essa história nas redes sociais com fotos, vídeos, snaps, tweets e stories.

"Quando começamos a nos articular para essa cobertura, sabíamos que tínhamos que nos preparar de maneira mais intensa, por conta das mudanças do próprio festival", conta Luiz Telles, diretor de conteúdo da Artplan, agência responsável pelos canais oficiais. "O nosso exército tem cerca de 75 pessoas. Tem uma galera flutuante que trabalha com nossos parceiros, mas gira em torno disso", explica.

Luiz Telles e Tatiana Michelan, responsáveis pelas redes sociais do Rock in Rio — Foto: Melissa Cruz Cossetti / TechTudo Luiz Telles e Tatiana Michelan, responsáveis pelas redes sociais do Rock in Rio — Foto: Melissa Cruz Cossetti / TechTudo

Luiz Telles e Tatiana Michelan, responsáveis pelas redes sociais do Rock in Rio — Foto: Melissa Cruz Cossetti / TechTudo

Tatiana Michelan, que lidera os projetos de conteúdo na agência, conta que as primeiras reuniões aconteceram em novembro do ano passado. Fora a bomba do cancelamento do show da cantora Lady Gaga, a equipe consegue manter o planejamento com a cobertura de atividades já previstas e que se repetem em todas as edições como a abertura dos portões, os principais shows da noite, bastidores e momentos dos fãs. Em 2017, porém, surgiram novos desafios.

"Quando recebemos o mapa, vimos que a Cidade do Rock tem três vezes o tamanho do evento de 2015. Temos muitos horários simultâneos de atrações que acontecem com uma distância grande. Criamos uma grade e separamos as equipes externas em três times, compostos por até quatro pessoas: um líder de conteúdo, fotógrafo e pessoas para produzir os vídeos", explica Michelan.

Bunker de social media

Essa turma se desdobra ainda em grupos de trabalho externos (que vão para a rua) e internos que ficam em uma espécie de bunker próximo ao Palco Mundo. Receptores e editores recebem todo o conteúdo, tratam — existe um guideline que impede que fotos e vídeos fora do padrão técnico ou editorial sejam distribuídas —, fazem curadoria e compartilham com canais digitais pertinentes.

O espaço onde convivem equipes de comunicação, edição de foto e vídeo, diretor de arte, designer, jornalistas, social medias e também estatísticos, desenvolvedores e outros profissionais da equipe de tecnologia (que dá suporte e analisa dados em tempo real) tem mil metros quadrados dentro do Rock in Rio.

Na porta do bunker a placa 'dream factory' dá o tom de exuberância à produção — Foto: Melissa Cruz Cossetti / TechTudo Na porta do bunker a placa 'dream factory' dá o tom de exuberância à produção — Foto: Melissa Cruz Cossetti / TechTudo

Na porta do bunker a placa 'dream factory' dá o tom de exuberância à produção — Foto: Melissa Cruz Cossetti / TechTudo

Sobre fotos e vídeos dos frequentadores, que cedem seus direitos ao RIR, o evento garante que não há com o que se preocupar. "Temos um cuidado muito grande na curadoria das fotos que publicamos. Quem é o responsável por publicar e editar isso está rigorosamente seguindo o nosso guideline", diz Telles. "Temos uma sensibilidade ainda maior com os artistas, sobre o que pode e o que não pode. Fechamos isso com cinco meses de antecedência com todos", completa Michelan.

Quais são os canais?

Os canais são: Facebook, Twitter, Instagram (e Stories), YouTube e Snapchat. Fazendo um breve comparativo com a edição anterior, o Rock in Rio salta de um total de 1.792 posts em redes sociais realizados em 2015 para 2.400 conteúdos previstos para o ano de 2017. Além disso, este ano, é o primeiro em que o festival faz transmissões ao vivo (lives) no Instagram (stories) e no Facebook.

Total de posts em Redes Sociais do Rock in Rio
Festival de música do Rio de Janeiro aposta forte em conteúdo digital para 'quem ficou em casa'
Fonte: Artplan

Equipamentos leves e portáteis

A equipe de externa — que caminha por toda a extensão da Cidade do Rock, sob Sol forte ou total escuridão durante os shows — é discreta. Todos vestem uma camisa preta e cinza, escrito staff (apoio), igual a de muitos outros funcionários que executam funções variadas. Na mochila, nada que um usuário interessado em tecnologia não conheça: GoPro Hero 5, DJI Osmo (com gimbal) e um arsenal de smartphones com todas as marcas, do Galaxy S 7 e 8 da Samsung, ao iPhone 7, da Apple. Fotógrafos, porém, usam equipamentos mais robustos e até drones.

Tudo está sendo produzido em alta definição, assim como vídeos em 4K (Ultra HD). Michelan explica que o envio das fotos e vídeos para o bunker acontece por Wi-Fi e 3G/4G, mas que há ainda três hotspots espalhados pela Cidade do Rock com conexão de Internet por cabo para garantir que tudo chegue aos editores.

O Rock in Rio nas Redes Sociais

Plataforma Relevância Tipo de conteúdo De quem?
Facebook É o prime time (horário nobre). Todo conteúdo de maior alcance vai para lá. Fotos, vídeos, textos, GIFs e transmissão ao vivo. Artistas, palco, bastidores, atrações do parque, público e marcas.
Twitter É o now (agora). Uma cobertura em tempo real e mais detalhada de vários ângulos do festival. Fotos, vídeos, textos e GIFs. Artistas, palco, bastidores, atrações do parque, público e marcas.
Instagram É o emotion (emoção). Capta o olhar das pessoas e os momentos especiais de forma mais apurada. Fotos e vídeos. Artistas, palco, bastidores, atrações do parque, público e marcas.
Instagram Stories É o "instadores". Foi criada uma agenda com os influenciadores digitais e também blogueiros. Fotos, vídeos e lives (ao vivo). Artistas, palco, bastidores, atrações do parque e público.
YouTube Resumos do dia e melhores momentos de trechos marcantes de shows e atividades. Vídeos. Artistas, palco, bastidores, atrações do parque e público.

"Criamos um arco de história para o que queremos contar sobre o festival, há um roteiro. A proposta é criar um conteúdo marcante como o RIR e tocar dois públicos distintos: o que está aqui dentro — sobre como vamos influenciar a passagem pelo evento —, e o de fora — sobre como vamos passar um pouco da experiência do que acontece aqui, que é única, para quem está em casa", disse Telles.

No total, são 16h a 17h por dia de trabalho, organizados em turnos. Pela manhã, a primeira equipe faz um resumo da noite anterior e repassa a grade do dia. Uma maratona que dura dois fins de semanas — ou sete dias, com um breve intervalo.

Osmo, da DJI, é usado para capturar vídeos sem tremer no Rock in Rio — Foto: Melissa Cruz Cossetti / TechTudo Osmo, da DJI, é usado para capturar vídeos sem tremer no Rock in Rio — Foto: Melissa Cruz Cossetti / TechTudo

Osmo, da DJI, é usado para capturar vídeos sem tremer no Rock in Rio — Foto: Melissa Cruz Cossetti / TechTudo


Laboratório de dados

Além da produção de conteúdo, há um braço de inteligência no Rock in Rio. Dentro do bunker, onde cabem cerca de 50 pessoas trabalhando nas equipes internas, há um laboratório de dados em tempo real. Tudo foi montado pensando no futuro e em próximas edições, mas também há benefícios a curto prazo.

"Sempre tivemos dificuldade de entender quem é o fã de Rock in Rio. Muitas vezes, quem compra o ingresso é o pai ou a mãe. Agora, temos uma associação de perfil mais direta e imediata pelo registro da pulseira", explica Telles. Sendo assim, agora, o RIR sabe quem vai, quando vai, o que vai assistir e, além disso, pode conferir por quais palcos, restaurantes e brinquedos o fã circulou no período.

Beacons e aplicativo

O esforço também serve para aumentar e qualificar a experiência do visitante na Cidade do Rock, uma smart city (cidade inteligente) que ostenta ainda outras tecnologias de infraestrutura. O aplicativo do RIR para iOS (iPhone) e Android, desenvolvido pela Aloompa — que soma nota 4,6 no Google Play e cerca de 100 mil downloads nos celulares Google — está conectado a 120 beacons (pequenos dispositivos de localização via bluetooth) que enviam mensagens customizadas.

As mensagens podem, por exemplo, avisar sobre lanchonetes mais vazias na hora que der aquela fome, onde há aglomerações, emergências, quando vai começar um show ou mesmo trazer um set list de última hora para quem está em frente a um dos palcos aguardando seu artista iniciar a uma performance em minutos.

Além disso, o aplicativo também gera um mapa de calor que ajuda a entender o fluxo das pessoas conectadas ao software durante o evento. "Conseguimos agir contextualmente e mandar uma mensagem útil para as pessoas. Imagine todas essas informações ricas usadas nas próximas edições. Podemos saber qual é o perfil das pessoas que circularam no Palco Sunset, por exemplo", diz Telles.

Mapa de calor mostra onde tem mais gente no momento no Rock in Rio — Foto: Melissa Cruz Cossetti / TechTudo Mapa de calor mostra onde tem mais gente no momento no Rock in Rio — Foto: Melissa Cruz Cossetti / TechTudo

Mapa de calor mostra onde tem mais gente no momento no Rock in Rio — Foto: Melissa Cruz Cossetti / TechTudo

Tudo isso, porém, depende da penetração do aplicativo. Quanto maior o volume de downloads, maior também o volume de dados e mais próximo da realidade eles serão. O desafio, desta vez para os visitantes, é conseguir manter-se conectado via bluetooth sem consumir toda a bateria do celular e ainda guardar energia para garantir selfies com os amigos, fotos e vídeos de shows e WhatsApp.

A caça ao exuberante

Os responsáveis por contar a história do Rock in Rio não medem esforços para encontrar o que se destaca entre as massas: cabelos coloridos, tranças, moicanos, figurinos descolados, camisetas com frases de efeito, sorrisos, choros, beijos, aquela mordida no sanduiche ou momentos de descanso que são "a cara do RIR".

"Precisamos encontrar o que é bacana. O Roberto Medina [publicitário e criador do evento] usou a palavra exuberante para falar sobre o Rio de Janeiro e usou exuberante também para falar sobre o Rock in Rio. É isso que buscamos e isso também faz parte do nosso recorte nas redes sociais", encerra Telles.

O Rock in Rio foi o primeiro festival que iluminou a plateia e o público é um dos nossos principais ativos

Michelan vai além e entende que o registro do público nas redes sociais faz toda a diferença para atingir um dos grandes objetivos da cobertura, que é gerar desejo nos seus seguidores para as próximas edições. "Falamos muito do line up, dos artistas, mas muita gente esta curtindo apenas estar aqui. A galera sentada na grama se divertindo é relevante para nós. O Rock in Rio foi o primeiro festival que iluminou a plateia e o público é um dos nossos principais ativos", sintetiza.

Dicas para acompanhar o Rock in Rio nas redes sociais

Twitter Use a hashtag #RockinRio para participar da conversar e usar o emoji de guitarra exclusivo.
Facebook A rede social estará como parceira fazendo Lives direto com a página do Rock in Rio.
Facebook App Todos os dias, novas máscaras e molduras para fotos são liberadas na câmera do app.
Tinder O app de relacionamento tem um stand no RIR com um estúdio de foto e brincadeiras.
Instagram As fotos mais emocionantes do evento estarão no Instagram do RIR; procure por você.
Google Maps App de mapas mostra as melhores rotas e alterações no trânsito em dias de shows.

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