Computador da IBM funciona sem processador e é até 200 vezes mais veloz

Projeto usa chips de memória como unidades de processamento; entenda o que são as memórias computacionais.

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Por Paulo Alves, para o TechTudo

A IBM tem um projeto de computador que pretende abandonar o que atualmente é considerado o “cérebro” de um PC: o processador. A fabricante apresentou o que chama de “memória computacional”, um mecanismo que usa chips de armazenamento de informação para realizar o processamento dos dados.

Segundo os pesquisadores, uma máquina com essa tecnologia é capaz de fazer cálculos e guardar dados no mesmo lugar. Com isso, é possível economizar energia e alcançar uma velocidade até 200 vezes maior em comparação com computadores clássicos de ponta. Entenda, nas linhas a seguir, o que é in-memmory computing e como funciona o projeto da IBM.

IBM usa chips de memória para substituir processador (Foto: Divulgação/IBM) IBM usa chips de memória para substituir processador (Foto: Divulgação/IBM)

IBM usa chips de memória para substituir processador (Foto: Divulgação/IBM)

In-memmory computing

O computador sem processador da IBM se baseia no conceito de in-memmory computing, um tipo de computação que acontece dentro do chip de memória. O método difere de computadores e smartphones convencionais, que contam com dois elementos físicos independentes para armazenar e processar informações: o processador e a memória. Máquinas que usam in-memmory computing podem dispensar a CPU no funcionamento.

A novidade evita que os dados sejam transportados a todo momento entre o processador e a memória – o que torna a computação mais eficiente. Em computadores pessoais, a diferença de eficiência pode não ser tanta. No entanto, segundo o pesquisador da IBM Abu Sebastian, a alternativa tende a ter impacto relevante em sistemas de inteligência artificial.

Memória computacional

O mecanismo funciona com chips de memória específicos que a IBM chama de memória computacional. Os componentes são feitos de uma liga composta de germânio, telúrio e antimônio, materiais que respondem de maneira eficiente aos estímulos elétricos. Segundo os pesquisadores, o comportamento físico do material é essencial para dotar a memória de capacidade computacional.

Chips de memória não são feitos para executar os cálculos típicos de unidades de processamento, algo que obrigou a IBM a buscar por alternativas para unificar as funções. Para isso, os cientistas exploraram os atributos físicos e as dinâmicas de estado dos dispositivos de memória. Ao receber uma corrente elétrica, o material sofre alterações que fazem a memória realizar cálculos baseados nas modificações da estrutura.

Cientistas usam atributos físicos da memória para realizar computação (Foto: Reprodução/YouTube)

Por armazenar e processar informações no mesmo dispositivo físico, o conceito de memória computacional da IBM lembra o modo de funcionamento do cérebro humano.

Testes

Um dos testes envolveu usar chips de memória e um algoritmo simples para recriar um desenho do rosto de Alan Turing, considerado o pai do computador. A tarefa foi realizada com sucesso por um milhão de unidades de memórias computacionais sem ajuda de processamento externo. Em um experimento mais sofisticado, os pesquisadores usaram a invenção para analisar dados meteorológicos dos Estados Unidos coletados durante seis meses. A IBM já marcou para dezembro mais uma demonstração da tecnologia.

As aplicações da memória computacional são variadas, incluindo Internet das coisas, mídias sociais e praticamente qualquer tipo de operações lógicas e resolução de problemas de otimização de sistemas.

Via IBM

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