Por Gabriel Ribeiro, para o TechTudo


O conceito de blockchain (ou cadeia de dados) surgiu em 2008 e representa, basicamente, uma forma de validar uma transação ou registro. Desenvolvido para dar mais segurança às transações digitais, o blockchain é a inovação que está por trás da moeda digital. Apesar de estar ligada às criptomoedas, incluindo o Bitcoin, a Litecoin ou Ethereum, o seu uso começa a se diversificar. Já existem projetos utilizando a tecnologia para outros fins como, por exemplo, a validação de documentos.

Outras criptomoedas como o Monero e o Ethereum também usam blockchain — Foto:  Foto: Divulgação/FISL Outras criptomoedas como o Monero e o Ethereum também usam blockchain — Foto:  Foto: Divulgação/FISL

Outras criptomoedas como o Monero e o Ethereum também usam blockchain — Foto: Foto: Divulgação/FISL

Como funciona?

Ao mesmo tempo que a tecnologia por trás do blockchain é complexa, o seu conceito é bastante simples. As informações são armazenadas em blocos de dados. Cada bloco contém uma espécie de assinatura digital chamada hash — que funciona basicamente como uma impressão biométrica. O hash é a garantia criptográfica de que as informações desse bloco de dados não foram violadas.

Quando um novo bloco é criado, além de ter uma hash própria, carrega a hash do bloco anterior. Daí, então, o nome blockchain — ou corrente de blocos, em português. Essa é uma forma que, além de tornar as transações seguras, dificulta muito um ataque hacker. Para conseguir invadir o sistema de blockchain é preciso quebrar a criptografia de um bloco e do anterior, de forma sucessiva.

Os dados de todas as transações são gravadas na ledger. A ledger é comparada a um grande livro-razão. Lá, estão abertas para todos as informações do que ou quanto foi enviado para alguém — nada de nome ou documentos, apenas o endereço composto por letras e números embaralhados.

Como um bloco é criado?

Uma blockchain não está centralizada em um único lugar — por isso, é uma rede segura. Cada rede conta com um grupo de máquinas independentes, chamada de "nó", podendo ser de qualquer lugar, bastando apenas estar conectada à Internet.

Esses computadores — ou até mesmo smartphones — interligados a blockchain são responsáveis por fazer a "auditoria" das transações. São recompensados em troca do poder computacional para fazer os cálculos matemáticos para garantir que o hash é válido. A partir desse ponto que surgem os blocos e também a mineração.

Cada bloco é criado em um tempo constante, como o pulsar de um coração — cerca de 10 min no caso da Bitcoin. A rede blockchain pode se ajustar para exigir mais ou menos dos nós. Por isso, tem sido cada vez mais difícil (pela exigência) conseguir minerar uma moeda concorrida como o Bitcoin.

Em que a blockchain pode ser usada?

O uso mais comum da blockchain está com as criptomoedas, como o Bitcoin ou o Monero. No entanto, a tecnologia também pode ser usada para diversas outras finalidades, como na validação de documentos — contratos, venda de imóveis ou troca de ações. No Github já são mais de 80 mil projetos utilizando os conceitos de blockchain. Segundo a consultoria Deloitte, 26 mil deles foram adicionados no repositório de códigos apenas em 2016.

A empresa brasileira Original My, por exemplo, oferece alguns outros serviços, como a prova de autenticidade de páginas na Internet. Com o uso da blockchain é possível provar que um conteúdo esteve publicado em um site e, assim, se copiado, ser utilizado para provas em processos judiciais.

Até o sistema financeiro tradicional já estuda formas de usar blockchain. Com o uso da tecnologia, os bancos poderiam adicionar mais camadas de segurança (hash) e assim evitar fraudes e ataques.

Além do sistema de bancos , já existem projetos para usar o blockchain para validar votos em eleições digitais. A tecnologia seria usada para dar mais segurança, evitando fraude de voto duplicado.

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