Por Isabela Cabral, para o TechTudo


Depois de ser processada nos Estados Unidos, a Apple também responderá legalmente na França devido à diminuição intencional do desempenho de iPhones antigos. O grupo Halte à l’Obsolescence Programmée ("pare a obsolescência programada", em tradução livre) entrou na Justiça contra a empresa na última quarta-feira (27). Na França, porém, a situação é ainda mais grave, já que “reduzir deliberadamente o tempo de vida de um produto para aumentar a taxa de substituição” – a obsolescência programada – é ilegal no país.

A polêmica começou na semana passada, quando a Apple admitiu que várias gerações do iPhone tiveram sua performance limitada a partir de uma atualização de software. O iPhone 6, o iPhone 6S, o iPhone SE e o iPhone 7, aparelhos lançados entre 2014 e 2016, foram afetados. A empresa alega que a medida visa proteger smartphones com muito tempo de uso, que poderiam ter o funcionamento prejudicado pelo desgaste natural da bateria.

iPhone 7, lançado em 2016, foi um dos modelos afetados

iPhone 7, lançado em 2016, foi um dos modelos afetados

A penalidade máxima para companhias condenadas sob a lei francesa por obsolescência programada é de dois anos de prisão, uma multa de 300 euros (R$ 1.187, pelo câmbio do dia) e 5% do volume anual de negócios da empresa. Segundo declaração do grupo francês, os objetivos do processo são evitar que os consumidores precisem comprar celulares com mais frequência e ajudar a reduzir os danos ambientais decorrentes da troca constante de dispositivos. O Halte à l’Obsolescence Programmée tem também processos contra a Epson e outras fabricantes de impressoras.

Pedido de desculpas

A revelação deixou muitos usuários insatisfeitos e alguns americanos resolveram levar a questão à Justiça em ação coletiva. Com a repercussão, a Apple fez, na noite desta quinta-feira (28), um pedido desculpas, destacando que o update melhora o gerenciamento de energia dos celulares para evitar desligamentos inesperados. Assim, a redução do desempenho pode ser uma consequência. “Nunca fizemos – e nunca faríamos – nada para intencionalmente reduzir a vida útil de qualquer produto Apple, ou degradar a experiência de usuário para elevar as trocas”, afirma o texto.

De acordo com a fabricante, a substituição da bateria faz os aparelhos voltarem ao normal. Dessa forma, a Apple anunciou que vai oferecer a troca do componente por preços menores: US$ 29 (R$ 96, sem impostos) nos Estados Unidos, US$ 50 (R$ 165) mais barato que o custo padrão. No resto do mundo, o procedimento será disponibilizado ao longo de 2018.

A Apple Brasil não tem ainda informações de como será o processo. Atualmente, substituir a bateria de um iPhone no país sai por R$ 449 nas lojas oficiais. Outras assistências técnicas, porém, praticam preços mais baixos, a partir de cerca de R$ 150.

O iPhone 6, que inaugurou novo design e tela maior em 2014, também está entre os aparelhos afetados — Foto: Lucas Mendes/TechTudo O iPhone 6, que inaugurou novo design e tela maior em 2014, também está entre os aparelhos afetados — Foto: Lucas Mendes/TechTudo

O iPhone 6, que inaugurou novo design e tela maior em 2014, também está entre os aparelhos afetados — Foto: Lucas Mendes/TechTudo

A limitação

Os primeiros a notarem a limitação foram usuários do Reddit, que descobriram uma diminuição de velocidade de CPU dos iPhones e queda significativa na performance dos celulares. Em seguida, a variação foi confirmada por um desenvolver do Geekbench, serviço especializado em avaliar o desempenho de smartphones. Após monitorar os telefones por meses, John Poole registrou picos de no máximo 600 MHz depois das atualizações para iOS 10.2.1 ou 11.2.0. Antes, o iPhone 6 operava a 1.400 MHz, o iPhone 6S a 1.848 MHz e o iPhone 7 a 2.350 MHz.

Com informações: The Verge, MacRumors e Reddit

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