Por Filipe Garrett, para o TechTudo

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Um novo material vem chamando a atenção em lançamentos recentes de celulares: a cerâmica, que se tornou uma alternativa ao vidro e metal na construção dos produtos. O modelo mais recente a apostar nesse tipo de design é o LG Signature Edition, uma edição especial do LG V30.

O smartphone se une ao Xiaomi Mi Mix 2, ao Essential Phone e ao Apple Watch, entre outros equipamentos do mercado que usam cerâmica. Associada à resistência a riscos, durabilidade e conforto, a cerâmica apresenta prós e contras que você vai conhecer a seguir.

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As vantagens da cerâmica

O material usado por LG e Xiaomi é produzido com óxido de zircônio (também conhecido como zircônia), um composto com alta resistência a riscos. Essa característica torna a escolha pela cerâmica mais interessante do que o vidro, alumínio e plásticos diversos que aparecem nos celulares atuais. Alguns tipos de zircônia são tão resistentes que só podem ser riscados por diamantes ou safiras.

A cerâmica aplicada por essas fabricantes em seus smartphones, e em alguma medida pela Apple no Watch, também tem como ponto positivo a robustez. O material não torce e tem alta durabilidade, sem apresentar desgastes mesmo após anos de uso.

Essential Phone é exemplo de smartphones que aplicam a cerâmica  — Foto: Divulgação/Essential Essential Phone é exemplo de smartphones que aplicam a cerâmica  — Foto: Divulgação/Essential

Essential Phone é exemplo de smartphones que aplicam a cerâmica — Foto: Divulgação/Essential

Do ponto de vista físico, há ainda outro destaque do material: sua resistência à fragmentação. Mesmo que uma rachadura se abra na superfície da zircônia, ela dificilmente se alongará e se propagará ao longo dessa área. Essa característica é rara em cerâmicas. Se você já trincou alguma louça, deve ter notado que a trinca aumenta com o tempo.

Além disso, esse tipo de material tem um comportamento curioso do ponto de vista térmico, já que a cerâmica é um isolante térmico. Por conta disso, o smartphone não deve esquentar durante o uso. Outra vantagem do material está no fato de que ela não interfere em sinais de rede, ao contrário do alumínio, por exemplo. Isso significa que o material pode abrir caminho para formatos mais ousados, em que as antenas sejam posicionadas em porções do telefone que antes eram completamente inviáveis.

A zircônia ainda é mais leve que o metal, o que pode contribuir para que smartphones compensem essa leveza com mais bateria, por exemplo. Além disso, esse tipo de cerâmica pode ser manufaturado de forma que fique transparente, abrindo espaço para seu uso não apenas nos painéis traseiros dos celulares, mas também em suas telas.

Apple Watch possui versão mais cara que usa a zircônia — Foto: Divulgação/Apple Apple Watch possui versão mais cara que usa a zircônia — Foto: Divulgação/Apple

Apple Watch possui versão mais cara que usa a zircônia — Foto: Divulgação/Apple

Há desvantagens da cerâmica?

Embora a zircônia seja um tipo de cerâmica muito mais resistente do que as utilizadas em louças, por exemplo, ela ainda é propensa à fragmentação. Isso significa que, se o celular levar um tombo, o painel de óxido de zircônio pode acabar apresentando trincas e outros sinais de fragmentação.

No tópico anterior, falamos que a cerâmica é um bom isolante térmico. A vantagem disso está no conforto, já que o usuário não vai sentir o celular quente na mão. A desvantagem, entretanto, está no fato de que todo esse calor terá que sair por algum lugar, visto que os componentes eletrônicos de qualquer smartphone são extremamente sensíveis a altas temperaturas, que podem causar danos a placas, telas e processadores, além da bateria, que pode até explodir.

Nesse caso, é interessante observar como as fabricantes vão direcionar o calor gerado por seus aparelhos, já que a dissipação da temperatura é essencial para o bom funcionamento do telefone. Um celular de cerâmica mal projetado pode sofrer os efeitos do calor ou direcionar toda a temperatura para as bordas metálicas e para a tela. Assim, o desconforto da pegada iria apenas mudar de lugar.

Outro problema da cerâmica está na fabricação, já que o processo de manufatura da zircônia envolve uma série de passos e materiais raros. Isso representa custos adicionais significativos às fabricantes, que acabam repassando ao consumidor.

Mi Mix, da Xiaomi, é outro exemplo de celular que emprega a cerâmica em sua construção — Foto: Divulgação/Xiaomi Mi Mix, da Xiaomi, é outro exemplo de celular que emprega a cerâmica em sua construção — Foto: Divulgação/Xiaomi

Mi Mix, da Xiaomi, é outro exemplo de celular que emprega a cerâmica em sua construção — Foto: Divulgação/Xiaomi

A questão da fragilidade

No início do texto, mencionamos como qualidades a capacidade a zircônia em resistir à riscos e a sua dureza. Entretanto, depois destacamos que, como qualquer cerâmica, ela é frágil. Embora essas informações possam parecer contraditórias, a cerâmica usada em celulares vivencia os dois cenários.

Para que você possa compreender a diferença entre esses conceitos, imagine o seguinte: você pode entortar uma caneca de alumínio, se aplicar força em uma das laterais, mas não vai conseguir fazer isso em um utensílio de cerâmica, mesmo que aplique toda a sua força. Agora, se você derrubar a caneca de alumínio no chão, ela vai resistir ao tombo e, talvez, entorte e apresente sinais de riscos na superfície. Já a caneca de cerâmica, se for derrubada, vai se estilhaçar em mil pedacinhos. Isso acontece porque o metal é maleável, mas não é frágil.

De certa forma, o óxido de zircônio tem essas mesmas características: dureza e fragilidade. A diferença está na apenas na intensidade em relação à cerâmica de produtos domésticos. A zircônia é muito mais resistente do que a cerâmica usada em utensílios, mas mesmo assim tem uma fragilidade maior do que o alumínio e está mais propensa a quebras em caso de tombos.

Com informações: Wired, Ceramtec, Gear Best Blog e HCstarck

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