Impressoras 3D

Por Taysa Coelho, Para o TechTudo


As impressoras 3D já não são novidade, mas, a cada ano, surpreendem com produtos que, muitas vezes, parecem ter saído de filmes de ficção científica. Em 2017, não foi diferente: esses dispositivos foram capazes de criar casas inteiras em um dia, produzir órgãos humanos, construir carros e aviões e, ao mesmo tempo, seguir a moda ao permitir desenvolver roupas e calçados.

Para quem perdeu alguma dessas informações, não se preocupe, o TechTudo reúne os principais feitos com impressoras 3D neste ano.

Veja como funciona uma impressora 3D

Veja como funciona uma impressora 3D

1. Casas

As impressoras 3D já eram capazes de construir casas inteiras, mas, neste ano, surgiram novidades. Em agosto, a empresa norte-americana Apis Cor revelou a construção de uma casa habitável em 24 horas. Camada por camada, a máquina aplicava o concreto, desenhando as paredes da casa a partir do chão. Erguida em uma cidade russa, a moradia teve o custo de produção de US$ 10 mil (cerca de R$ 33 mil), valor do qual boa parte foi gasta com janelas e portas, que não foram impressas. Aos trabalhadores da obra, coube apenas finalizar o processo, ao colocar telhado, pintar e dar acabamento.

Paredes da casa são impressas com concreto em menos de 24 horas — Foto: Divulgação/Apis Cor

Já uma startup italiana chamada Wasp utilizou uma impressora 3D para criar casas de barro com estruturas circulares pelo valor de apenas 35 euros (cerca de R$ 140). Com 12 metros de comprimento por 7 de largura, a máquina usa apenas lama e palha como matéria-prima e leva cerca de dois dias para finalizar a obra. O projeto inicial foi pensado para situações de catástrofes, onde há a necessidade de realocar grandes populações.

2. Remédios

Dois jovens de 26 e 25 anos, Jeanine Sinanan-Singh e Daniel DeCiccio, criaram uma impressora 3D de 5,08cm x 5,08 cm x 5,08 cm capaz de fabricar comprimidos três vezes mais rápido do que se fossem feitos à mão. A ideia, na realidade, é tornar mais fácil e com menor custo a criação de remédios personalizados e com dosagens específicas.

O farmacêutico precisa apenas unir a medicação a um polímero da Vitae Industries AutoCompounder e colocar o resultado da mistura em um cartucho descartável individual. Em seguida, basta escolher a quantidade de comprimidos desejada, a dosagem correta e apertar o botão para imprimir. O produto final fica pronto em 10 minutos.

3. Órgãos

Parece filme de ficção científica, mas imprimir partes do corpo humano já é realidade. Em janeiro deste ano, um grupo de cientistas espanhol anunciou a criação de uma bioimpressora capaz de produzir pele humana, apta para transplantes e uso em testes de produtos farmacêuticos e cosméticos.

O sistema funciona da seguinte forma: por meio de biotintas, compostas por vários itens biológicos extraídos dos pacientes, é possível fazer dois tipos de pele: autóloga (com células do próprio paciente) e alogênica (a partir de células de um doador). Vale lembrar que já se reproduz pele artificialmente por meio do sistema in-vitro, mas a nova técnica tornaria o processo mais eficiente, com uma produção em grande escala, e mais barato.

Já os pesquisadores da ETH Zurich anunciaram a fabricação de um coração de silicone que funciona como o órgão real e poderá ser usado em pacientes que aguardam um transplante e necessitam de um órgão temporário. Composto de uma estrutura única e sólida de silicone, ele reduz a possibilidade de complicações e permite desenvolver o objeto do tamanho personalizado, de acordo com cada paciente. A novidade ainda é um protótipo, visto que, nos testes, só conseguiria manter uma pessoa viva por 30 minutos.

4. Objetos que se comunicam com Wi-Fi sem bateria

Objetos impressos em plástico se 'comunicam' de forma wireless — Foto: Mark Stone/University of Washington

Já imaginou um pote que avisa quando o sorvete estiver acabando? Pois é, isso está cada vez mais perto de se tornar real, graças ao invento dos pesquisadores da Universidade de Washington. Por meio de impressoras 3D, os estudiosos criaram um protótipo de plástico capaz de se comunicar com a rede Wi-Fi sem a necessidade de bateria, usando apenas ondas eletromagnéticas.

5 Meio de transporte

O universo dos transportes também está sendo invadido pelas novidades proporcionadas pelas impressoras 3D. Ainda não é possível imprimir um carro pronto para usar, mas, cada vez mais, a tecnologia é usada para desenvolver componentes de veículos terrestres e aéreos. Por exemplo, em julho, a Michelin anunciou o pneu Vision, totalmente impresso com materiais orgânicos e recicláveis e que não tem câmara de ar. Equipado com sensores que informam ao motorista as condições do tempo, o pneu também pode ser fabricado de acordo com as necessidades climáticas.

Já no final de 2017, a Emirates e a Airbus anunciaram que estão investindo em tecnologia de impressão 3D para fabricar peças de aviões. A primeira imprimiu um revestimento de monitor de vídeo por meio da tecnologia Selective Laser Sintering (SLS), que, com lasers, une os filamentos de plástico na forma definida por um modelo 3D. O resultado é um material entre 9% e 13% mais leve do que o tradicional. Já a fabricante de aeronaves francesa foi mais além e realizou um feito inédito: instalou um suporte de titânio, totalmente feito por uma impressora, no pilone do avião, local onde encontra-se a junção entre as asas e os motores.

6. Roupas e acessórios

Moda e tecnologia podem – e devem – andar juntas. Neste ano, a Adidas anunciou que fará um tênis com sola totalmente produzida por uma impressora 3D. A novidade permitiria acelerar a produção de edições limitadas e, até mesmo, criar solados específicos para cada tipo de pisada.

Impressora 3D permite criar roupas — Foto: Divulgação/Kniterate

Já a Kniterate usa tecido como matéria-prima para imprimir roupas. Sozinha, a máquina consegue fazer peças mais simples, como cachecóis e lenços. No entanto, também é possível produzir camisas, vestidos, saias e shorts, com a ajuda do usuário. A peça angariou US$ 636 mil (mais de R$ 2 milhões) no site de colaboração coletiva Kickstarter e será vendida por US$ 7,5 mil (cerca de R$ 25 mil).

7. Refeições

Um grupo de cientistas da Universidade Hebraica de Jerusalém anunciou uma impressora 3D capaz de fabricar diversos alimentos a partir de uma base de nanocelucleose, um material sustentável, saudável e possível de ser digerido pelo corpo humano. Associando ao item outros componentes, como proteínas, gorduras, vitaminas e antioxidantes, a máquina consegue criar alimentos sintéticos saborosos e nutritivos.

Além da possibilidade de desenvolver comidas voltadas para diferentes gostos e necessidades (vegana, sem glúten ou lactose, por exemplo), a novidade, que deve chegar ao mercado em cinco anos, permite ainda simular a textura dos alimentos tradicionais.

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