Mais de 250 jogos para celular escutam as atividades ao redor do usuário

Tecnologia é usada para mostrar publicidade direcionada, segundo levantamento do New York Times.

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Por Gabriel Ribeiro, para o TechTudo

Diversos jogos na central de downloads do Android, a Google Play Store, estão usando o microfone do celular para mostrar propaganda direcionada sem que o usuário saiba. Um levantamento feito pelo jornal The New York Times na última semana tem gerado debate na internet ao apontar que pelo menos 250 apps incluem uma tecnologia para captar informações de áudio. O software é capaz de literalmente ouvir o que está ocorrendo no ambiente em que o smartphone se encontra.

Em princípio, o recurso fornecido pela fabricante Alphonso identifica o que o usuário está assistindo na televisão. Em resposta à publicação, a empresa disse que a tecnologia não reconhece as falas individuais das pessoas. Ela também ressaltou que o usuário precisa autorizar o acesso ao microfone do celular.

Aplicativos com software da Alphonso foram encontrados na Google Play Store e na App Store (Foto: Thássius Veloso) Aplicativos com software da Alphonso foram encontrados na Google Play Store e na App Store (Foto: Thássius Veloso)

Aplicativos com software da Alphonso foram encontrados na Google Play Store e na App Store (Foto: Thássius Veloso)

A questão sobre o smartphone escutar tudo o que a gente diz volta aos holofotes com a matéria do Times. Existe o temor de que conversas privadas sejam usadas para publicidade sem o consentimento do usuário. A suspeita recai principalmente sobre o Facebook. Em 2017, a rede social desmentiu o uso deste artifício para mostrar propaganda direcionada.

O software desenvolvido pela Alphonso tem este propósito, mas de uma forma diferente. Apesar de ficar ativo em segundo plano caso o app permaneça aberto, ele não capta a fala entre pessoas. De acordo com a empresa, o algoritmo só consegue identificar propagandas de TV.

Funciona assim: a pessoa baixa um aplicativo que traz o software da Alphonso – ele fica embutido no jogo, por exemplo; não é preciso realizar um segundo download. Depois, concorda em liberar o acesso do microfone e a localização. Ao deixar o app em segundo plano, o algoritmo consegue identificar qual o programa de TV ou anúncio televisivo foi assistido. Com as informações coletadas é possível fazer propaganda direcionada no celular. Seria possível saber que alguém assiste futebol toda quarta-feira e mostrar no celular a propaganda da patrocinadora do evento, por exemplo.

Cruzando as informações de geolocalização é possível saber até mesmo se o usuário assiste o futebol fora de casa. O algoritmo também consegue reconhecer trechos de filmes e shows. Para isso, a Alphonso tem um acordo com o Shazam além de ter criado um sistema próprio.

Apesar do Times ter levantado cerca de 250 aplicativos que trazem o programa, alguns disponíveis também na App Store, do iPhone, a Alphonso diz que cerca de mil aplicativos, entre games, redes sociais e mensageiros, usam a tecnologia.

Aplicativo informa o uso do software da Alphonso na descrição, depois do 'Leia Mais' (Foto: Gabriel Ribeiro) Aplicativo informa o uso do software da Alphonso na descrição, depois do 'Leia Mais' (Foto: Gabriel Ribeiro)

Aplicativo informa o uso do software da Alphonso na descrição, depois do 'Leia Mais' (Foto: Gabriel Ribeiro)

Apesar de muitos apps deixarem claro que usam a tecnologia da Alphonso logo na descrição, outros encobrem a informação em longos termos de uso. Como a maioria dos usuários concordam sem ler, a tecnologia que ‘invade’ a privacidade passa despercebida.

Não é a primeira vez que um software deste tipo é descoberto nas lojas de aplicativos - o uso deles não é ilegal, desde que deixe claro para o usuário. Em 2016, o SilverPush, um programa similar, também estava presente em alguns apps. Na ocasião, a Comissão Federal do Comércio dos Estados Unidos notificou os desenvolvedores para deixarem claro que estavam usando a tecnologia.

Existem maneiras de controlar os acessos concedidos a aplicativos. Confira a seguir:

Com informações: The New York Time e The Verge

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