Por Filipe Garrett, para o TechTudo

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O lançamento dos iMac Pro no Brasil na última terça-feira (6) deu o que falar, já que o modelo top de linha da Apple pode custar até R$ 95 mil. Mesmo no pacote de entrada, o consumidor precisa desembolsar R$ 37.999 pelo computador tudo-em-um da marca. Por um valor menor, será que é possível montar um desktop com especificações equivalentes?

Ao contrário dos iMac sem “Pro” no nome, a novidade é destinada ao uso em ambientes profissionais que dependem de alto poder computacional. A seguir, descubra se existe uma máquina mais barata e tão poderosa quanto o iMac Pro da Apple.

iMac Pro pode custar até R$ 95 mil — Foto: Thássius Veloso/TechTudo iMac Pro pode custar até R$ 95 mil — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

iMac Pro pode custar até R$ 95 mil — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

Antes de listar as opções, é importante ressaltar que é complicado igualar completamente os componentes. Algumas características são exclusivas da marca, como o coprocessador T2. Além disso, existe a dificuldade de encontrar peças no Brasil, como as placas Radeon Pro equivalentes às usadas pela Apple nas máquinas. Por conta disso, algumas adaptações foram feitas ao longo do texto.

Processador

A R$ 13 mil, Xeon 6140 é mais avançado que o Xeon 6140 usado pela Apple no iMac Pro — Foto: Divulgação/Intel A R$ 13 mil, Xeon 6140 é mais avançado que o Xeon 6140 usado pela Apple no iMac Pro — Foto: Divulgação/Intel

A R$ 13 mil, Xeon 6140 é mais avançado que o Xeon 6140 usado pela Apple no iMac Pro — Foto: Divulgação/Intel

Em termos de processador, os iMac Pro usam CPUs Intel Xeon, destinadas a workstations e servidores. Na hierarquia da Intel, os processadores ficam em um degrau acima dos melhores Core i7 e i9 que você encontra no mercado. As comparações ficam um pouco complicadas porque a família Xeon se divide em dezenas de versões diferentes.

Apesar disso, uma opção é o Xeon Gold 6140. Com 18 núcleos e velocidades entre 2.0 e 3.7 GHz, o processador tem 24 MB de cache L3 e é análogo ao Xeon W-2190B, também de 18 núcleos, usado no iMac Pro mais caro. O Xeon Gold 6140 custa a partir de R$ 13 mil.

Além disso, existem outros modelos com custo-benefício interessante. É possível economizar e ter acesso a uma performance vigorosa trocando o Xeon por um AMD Threadripper ou Intel Core i9.

Placa-mãe

Note que a placa da Intel permite a instalação de dois processadores - desde que você se disponha a pagar mais R$ 13 mil por um Xeon extra — Foto: Divulgação/Intel Note que a placa da Intel permite a instalação de dois processadores - desde que você se disponha a pagar mais R$ 13 mil por um Xeon extra — Foto: Divulgação/Intel

Note que a placa da Intel permite a instalação de dois processadores - desde que você se disponha a pagar mais R$ 13 mil por um Xeon extra — Foto: Divulgação/Intel

Com o processador Xeon 6140, é necessário ter uma placa-mãe com soquete LGA 3647. Essas placas são, mais uma vez, destinadas a servidores e costumam custar caro, especialmente para compra avulsa. Uma opção que você pode encontrar no Brasil é a S2600STB, da própria Intel.

Um olhar mais atento sobre a S2600STB mostra um detalhe curioso: ela tem dois soquetes LGA 3647 – o que permite usar dois processadores ao mesmo tempo.

Outro ponto importante é a presença de 16 slots de memória RAM, característica necessária para igualar a quantidade de RAM oferecida pela Apple no iMac Pro mais caro. Entretanto, desenvolvida para uso em servidores, a placa da Intel fica devendo em interfaces. Embora tenha sete portas USB e Ethernet, o modelo não tem Wi-Fi, Bluetooth, USB-C e Thunderbolt. Seu preço gira em torno de R$ 4.500.

Memória RAM

Igualar os 128 GB de DDR4 do iMac Pro sai caro — Foto: Divulgação/G.Skill Igualar os 128 GB de DDR4 do iMac Pro sai caro — Foto: Divulgação/G.Skill

Igualar os 128 GB de DDR4 do iMac Pro sai caro — Foto: Divulgação/G.Skill

Os iMac Pro podem vir com 32, 64 ou 128 GB de RAM DDR4 e o Xeon 6140 que escolhemos pode trabalhar com até 768 GB. O ideal seria adquirir pentes de DDR4 com 2.666 MHz de velocidade, mas memórias com esse clock são difíceis de encontrar no Brasil.

A alternativa é comprar oito pares (total de 16 pentes, portanto) de RAM DDR4 de 8 GB, chegando ao total de 128 GB – quantidade que ocupará todos os 16 slots de memória da placa-mãe. O preço ficaria em torno de R$ 13.800.

É possível comprar os mesmos 128 GB de RAM DDR4 a valores mais baixos, desde que você escolha produtos mais acessíveis. Em todo caso, por mais exigente que o usuário seja, 64 GB de RAM devem ser suficientes – além de custarem a metade do preço – mesmo que escolha investir no Xeon.

Armazenamento

SSD PCIe da Intel tem 1.2 TB — Foto: Divulgação/Intel SSD PCIe da Intel tem 1.2 TB — Foto: Divulgação/Intel

SSD PCIe da Intel tem 1.2 TB — Foto: Divulgação/Intel

O armazenamento pode ser atendido por SSDs NVMe com interface PCIe. O Intel 750 é um bom exemplo: com 1.2 TB, ele deve ser superior à unidade de 1 TB usada pela Apple. Seu preço é de R$ 7.600.

Outra sugestão focada em custo-benefício é comprar um SSD de interface NVMe, mas de capacidade menor, combinado a um disco rígido convencional para um grande volume de dados.

Placa de vídeo

GTX 1080 Ti não tem a mesma pegada profissional das Radeon Pro e Quadro, mas é bem mais barata — Foto: Viviane Werneck/TechTudo GTX 1080 Ti não tem a mesma pegada profissional das Radeon Pro e Quadro, mas é bem mais barata — Foto: Viviane Werneck/TechTudo

GTX 1080 Ti não tem a mesma pegada profissional das Radeon Pro e Quadro, mas é bem mais barata — Foto: Viviane Werneck/TechTudo

Neste quesito, há uma maior dificuldade. A Apple usa placas Radeon Pro da AMD – diferentes das Radeon RX, que são destinadas a gamers e fáceis de encontrar no mercado. A comparação mais justa seria com placas Quadro da Nvidia, também desenvolvidades para workstations e profissionais de criação. No entanto, assim como as Radeon, elas não são fáceis de encontrar no Brasil.

A alternativa seria a Geforce GTX 1080 Ti, placa de vídeo gamer que está entre as mais poderosas do mundo na atualidade. Inferior à Radeon Pro em algumas situações (sobretudo envolvendo edição de vídeo RAW em 4K), a GPU da Nvidia deve dar conta da maior parte da carga de trabalho sem dificuldade. O modelo custa a partir de R$ 4 mil.

Se você não está decidido sobre a Geforce GTX 1080 Ti, que é um modelo mais simples, é possível encontrar uma opção mais profissional e parecida com o que o iMac Pro promete. A Quadro P6000, da Nvidia, cumpre essas condições e é vendida no Brasil por R$ 22 mil.

Monitor

Tela 5K do iMac Pro é difícil de igualar — Foto: Divulgação/Apple Tela 5K do iMac Pro é difícil de igualar — Foto: Divulgação/Apple

Tela 5K do iMac Pro é difícil de igualar — Foto: Divulgação/Apple

O iMac Pro conta com uma tela 5K em qualquer uma das versões. Como displays 5K não são exatamente comuns no mercado, vamos montar o PC com resolução 4K. Uma opção é o Samsung LU28E590DS, monitor que conta com as mesmas 27 polegadas usadas na máquina da Apple.

A vantagem do modelo da Samsung é não custar um valor muito exorbitante: R$ 1.600. Um detalhe importante é que monitor suporta o FreeSync da AMD e não o G-Sync da Nvidia. Portanto, se a ideia é usar o computador profissionalmente, podem existir opções mais completas – e caras – no mercado.

O que mais falta?

Ainda é necessário comprar alguns componentes extras, como placas de rede sem fio, já que a placa-mãe de servidor não oferece essas tecnologias. Além disso, é preciso levar em conta a aquisição de uma fonte de energia de alta capacidade e um gabinete de qualidade.

Considerando que você já tenha mouse e teclado, a inclusão desses componentes deve adicionar um valor em torno de R$ 1.700 (custo puxado pela necessidade de uma fonte de energia robusta).

Conclusão

Dell comercializa workstations Precision que podem ter configurações superiores aos iMac Pro a preços competitivos — Foto: Divulgação/Dell Dell comercializa workstations Precision que podem ter configurações superiores aos iMac Pro a preços competitivos — Foto: Divulgação/Dell

Dell comercializa workstations Precision que podem ter configurações superiores aos iMac Pro a preços competitivos — Foto: Divulgação/Dell

Somando os preços acima, chegamos a um valor de R$ 46.200 para um computador que deve superar o melhor iMac Pro no processador e, no mínimo, empatar nos outros quesitos.

Para vencer a máquina da Apple, porém, é necessário investir em uma Nvidia Quadro P6000 – componente que chuta o preço para R$ 64.200. Além disso, é importante ressaltar que a licença do sistema operacional custa em torno de R$ 400. Ou seja, o preço final sobe ainda mais, para R$ 46.400 ou R$ 64.600.

É inegável que o PC com jeitão de servidor fica consideravelmente mais barato do que os R$ 95 mil do iMac Pro top de linha. No entanto, antes de cogitar o investimento, é preciso ter uma ideia precisa do uso que você pretende dar ao computador.

O iMac Pro não é um iMac "normal". A nova máquina trata-se de uma workstation com hardware poderoso para usos específicos, como edição de vídeo RAW em 4K, renderização a 8K, trabalhos pesados de computação gráfica e desenvolvimento de software. O mercado para esse tipo de produto, portanto, passa longe do usuário doméstico.

iMac Pro listado na Apple brasileira; compra ainda não está disponível  — Foto: Gabriel Ribeiro/TechTudo iMac Pro listado na Apple brasileira; compra ainda não está disponível  — Foto: Gabriel Ribeiro/TechTudo

iMac Pro listado na Apple brasileira; compra ainda não está disponível — Foto: Gabriel Ribeiro/TechTudo

Outro ponto positivo do iMac Pro, que você não deve alcançar na montagem, é a alta integração entre o hardware e o sistema operacional, ambos desenvolvidos pela Apple. Isso tende a resultar em uma experiência de uso mais agradável, o que é difícil de reproduzir em uma máquina estilo “monte você mesmo”.

Em todo o caso, se você quer fugir do trabalho de caçar cada um dos componentes, é possível considerar workstations prontas de outras marcas. A Dell comercializa máquinas do tipo centradas nos processadores Xeon a preços que começam na casa dos R$ 18 mil.

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