Por Lucas Schuenck, para a TechTudo

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Dota 2: relembre a Echo Slam de seis milhões de dólares Dota 2: relembre a Echo Slam de seis milhões de dólares

A organização americana Evil Geniuses venceu, em agosto de 2015, o The International de DotA 2, em Seattle, Estados Unidos. Nas séries finais, a equipe enfrentou os chineses da CDEC pelos US$ 6 milhões (R$ 22,4 milhões em conversão direta) em premiação para o time campeão. No embate, Peter ‘ppd’ Dager e Saahil “UNiVeRsE” Arora entraram para a história ao protagonizarem uma jogada épica que ficou conhecida como “O Echo Slam de 6 milhões de dólares”.

Não é tarefa fácil vencer o The International e a prova está nos números: em sete edições, nenhuma equipe conseguiu vencer mais de uma vez o torneio. Em 2015, a line up da EG contava com UNiVeRsE, ppd, Clinton “Fear” Loomis, Kurtis “Aui_2000” Ling”, Kanishka “BuLba” Sosale e a jovem promessa do Paquistão Syed “SumaiL” Hassan. Com certa facilidade, a equipe americana passou pela fase de grupos em primeiro lugar, mas uma surpresa despontava em seu retrovisor.

A equipe chinesa CDEC Gaming não era unanimidade. Composta por Sun “Agressif” Zheng, Huang “Shiki” Jiwei, Chen “Xz” Zezhi, Liu “Garder” Xinzhou e Fu “Q” Bin, o time, com status de zebra, enfrentou o longo caminho do Wildcard, quando equipes disputam um minicampeonato antes do evento principal, competindo por uma vaga na fase de grupos. Após bom desempenho, se classificou em segundo no grupo B, atrás apenas da Evil Geniuses, com um cartel invejável: quatro vitórias, um empate e duas derrotas.

Os chineses da CDEC competindo no The International 2015 — Foto: Reprodução/Valve Os chineses da CDEC competindo no The International 2015 — Foto: Reprodução/Valve

Os chineses da CDEC competindo no The International 2015 — Foto: Reprodução/Valve

O caminho para o título

Após se classificarem para o Evento Principal com sobras, a EG contava com sua torcida, ao jogar em casa, e era tida como uma das favoritas ao título. Na primeira partida da Chave dos Vencedores, não decepcionou. Venceu facilmente a compLexity Gaming por 2x0. No round dois da Upper Bracket, enfrentou outro favorito: o tradicional time chinês EHOME foi derrotado pelos norte-americanos por 2x1. Restava apenas uma partida para que a equipe garantisse seu lugar na grande final, sendo a grande favorita para sagrar-se campeã da Chave dos Vencedores.

Deu zebra. Os chineses da CDEC não respeitaram ppd e sua equipe, batendo facilmente os americanos por 2x0 e empurrando-os para a final da Chave dos Perdedores contra a LGD Gaming. Se quisessem se qualificar para as séries finais, os norte-americanos deveriam mostrar seu valor.

Mostraram. Não se abatendo pelo revés na chave superior, a Evil Geniuses ganhou por 2x0 da LGD Gaming em uma série sem dificuldades. O alerta, entretanto, estava ligado pois, como último desafio, enfrentariam o único time a vencê-los em uma melhor de três em todo o campeonato, a CDEC.

Line-up da Evil Geniuses que venceu o The International 2015 — Foto: Reprodução/The International Line-up da Evil Geniuses que venceu o The International 2015 — Foto: Reprodução/The International

Line-up da Evil Geniuses que venceu o The International 2015 — Foto: Reprodução/The International

Na série final, a Evil Geniuses largou na frente abusando da genialidade do Storm Spirit de Suma1l e do brilhantismo estratégico de ppd, que realizou um draft espetacular e conseguiu garantir picks bem fortes no metagame da época. A CDEC aprendeu com o primeiro mapa e venceu o segundo, após um surpreendente pick de Broodmother, que não teve muita resposta por parte dos americanos: 1x1.

Foi a vez de ppd correr atrás do prejuízo: Ember Spirit na mão de Suma1l e Gyrocopter para Fear. Esta foi a receita encontrada para retomar a ponta na série: 2x1. O que ninguém esperava, entretanto, é que o último mapa do The Internationals fosse decidido por uma jogada de um offlaner e um support.

É um desastre!

Após uma emboscada realizada de forma magistral por parte da CDEC, que perdia o último mapa, em Suma1l, que atuava com o Storm Spirit, a conclusão óbvia dos chineses, para punir os americanos, aos 28 minutos de partida, e virar o jogo, foi garantir o Roshan, um monstro poderoso que rende experiência e dinheiro para todo o time, além de um item que concede uma vida extra. Analisando friamente, nenhum time incompleto se daria ao luxo de enfrentar uma luta em equipe sem o seu jogador de meio, em uma final de The International, certo? Errado.

Enquanto tentavam alcançar o objetivo, ppd suspeitou e entendeu a intenção de seus inimigos. O capitão, que estava jogando com o Ancient Aparition, utilizou uma habilidade que causa lentidão e aumenta o dano mágico recebido pelos inimigos afetados em sua área. A partir deste momento, a CDEC percebe que está em apuros e até cogita recuar. UNiVeRsE, entretanto, utiliza sua adaga da translocação e ativa o ultimate de seu herói Earthshaker: batida ecoante. O resultado? Quatro chineses abatidos, Roshan para a equipe americana e seis milhões de dólares em suas contas bancárias. A jogada acabou de vez com a esperança dos chineses de virarem o jogo e, por isto, foi apelidada de “A batida ecoante de seis milhões de dólares”.

Confira o vídeo:

A premiação também consagrou o paquistanês Syed “SumaiL” Hassan como jogador profissional de esportes eletrônicos. No mesmo ano, SumaiL com 16 anos, conquistou o Dota 2 Asia Championships 2015, levando US$ 1,284,158 (R$ 4,8 milhões em conversão direta) e o The International, que pagou US$ 6,634,661 (R$24,8 milhões). Além disso, ele é o jogador mais novo de todos os tempos a participar de um campeonato da Valve, aos 15 anos.

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