A História dos domínios de Internet

Conheça a origem, o desenvolvimento e o lucrativo mercado por trás dos endereços da Internet

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Por Isabela Cabral, para o TechTudo

Qualquer usuário da Internet está acostumado com a ideia de digitar um endereço na barra do navegador e, assim, ser levado até um site específico. É um princípio básico da navegação online. Mas você sabia que nem sempre foi tão fácil? A ideia de atribuir um nome, ou seja, um domínio, para identificar um website, é um mecanismo criado alguns anos após o início da Internet.

Hoje, os domínios são importantes para a identidade de marcas e organizações e movimentam um mercado milionário. Confira, a seguir, um breve histórico desse universo e as curiosidades que envolvem o tema.

Um dos endereços mais acessados do mundo (Foto: Melissa Cruz/TechTudo) Um dos endereços mais acessados do mundo (Foto: Melissa Cruz/TechTudo)

Um dos endereços mais acessados do mundo (Foto: Melissa Cruz/TechTudo)

Origens

A Arpanet, precursora da Internet, surgiu na década de 1960 e foi a partir dela que, aos poucos, uma rede mundial de computadores foi se desenvolvendo. Nos anos 1980, a Internet já utilizava o protocolo TCP/IP para o envio e recebimento de dados, que é a norma até hoje.

Porém, os números divididos por pontos que direcionavam até os sites não eram algo muito simples para o usuário comum. É aí que entra o Sistema de Nomes de Domínios (DNS, na sigla em inglês), o recurso criado para traduzir os endereços IP para nomes de domínios, muito mais coerentes e fáceis de lembrar.

Em 1984, foram estabelecidos os sete primeiros domínios de primeiro nível (TLDs), que são as terminações dos endereços web, como “.com”, “.net” ou “.org”. O primeiro domínio registrado foi o symbolics.com, em 1985, por uma fabricante de computadores em Massachusetts, nos Estados Unidos.

Nessa época, qualquer um poderia registrar um domínio gratuitamente. Só a partir de 1995 esse procedimento se tornou pago. A empresa de consultoria tecnológica Network Solutions foi a primeira com a habilidade cobrar pelos registros.

ICANN, órgão responsável por regular os domínios com nome na Internet  (Foto: Divulgação/ICANN) ICANN, órgão responsável por regular os domínios com nome na Internet  (Foto: Divulgação/ICANN)

ICANN, órgão responsável por regular os domínios com nome na Internet (Foto: Divulgação/ICANN)

Entre os 100 primeiros domínios da História, estão nomes conhecidos do mundo da tecnologia, como Xerox.com, HP.com, Siemens.com, Adobe.com e Apple.com — todos registrados de 1985 a 1987. A popularização e comercialização da Internet, porém, só viria na década seguinte.

O sistema de domínios era controlado pelo governo americano até 1998, quando o Departamento de Comércio dos EUA decidiu privatizar o DNS. O objetivo era aumentar a competitividade no mercado e impulsionar a participação internacional. No entanto, houve muitas críticas quanto ao regulamento, que foram expressadas em um documento público e resultaram na criação da Corporação da Internet para Nomes e Números Atribuídos (ICANN), uma entidade sem fins lucrativos responsável pela gestão global dos endereços de IP e dos domínios.

Regulamentações

Com o crescimento da Internet e suas infinitas oportunidades, surgiam também problemas. Um deles era o registro de domínios enganosos. Para combater a criação abusiva de URLs que se passam por marcas e pessoas usando nomes similares ou se aproveitando de erros de digitação, os Estados Unidos aprovaram, em 1999, a Lei de Proteção ao Consumidor Anticybersquatting.

Outra questão eram os domínios falsos que encaminhavam usuários para sites pornográficos. Endereços atrativos inclusive para o público infantil, como teletubbies.com, foram usados assim. Visando coibir isso, em 2003, foi aprovada a Lei de Verdade em Nomes de Domínios, uma norma que proíbe a prática. Já em 2005, os EUA apresentaram o "US Principles on the Internet DNS", um documento oficial com diretrizes para assegurar segurança e estabilidade ao sistema de domínios.

No Brasil, o registro de domínios esbarra em leis de propriedade intelectual e direito do consumidor, mas não temos legislação concreta sobre o tema. Projetos de lei com essa finalidade tramitam no Congresso Nacional e no Senado desde pelo menos 2003, mas nada foi adiante. O que existe no país é a atribuição da responsabilidade pelos registros ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), por meio do Registro.br. A entidade civil sem fins lucrativos implementa as decisões e os projetos do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), que é o responsável por coordenar e integrar as iniciativas e serviços da Internet nacionais.

Expansão dos TLDs

Em 2014, o ICANN disponibilizou mais de 130 novos domínios de primeiro nível, aumentando exponencialmente as possibilidades para novos websites. São terminações com nomes de locais, objetos, ações, marcas, comidas, esportes, entre outros, como “.vote”, “.music” ou “.apple”. O total de TLDs disponíveis em 2017 ultrapassava 1,5 mil. No início deste ano, o NIC.br anunciou a oferta de 56 opções de categorias relacionadas a cidades brasileiras, como “.rio.br”, “.sampa.br” ou “.floripa.br”.

Centenas de domínios de primeiro nível surgiram nos últimos anos (Foto: Reprodução/Web Drive) Centenas de domínios de primeiro nível surgiram nos últimos anos (Foto: Reprodução/Web Drive)

Centenas de domínios de primeiro nível surgiram nos últimos anos (Foto: Reprodução/Web Drive)

O TLD com mais endereços registrados é o “.com”, disparado à frente do ranking. Em seguida, estão, “.cn”, “.tk” e “.de”, referentes, respectivamente, à China, ao arquipélago de Tokelau e à Alemanha, e o “.net”. Com frequência, domínios de primeiro de nível de países são apropriados para outros usos. Por exemplo, o “.tv” foi criado para o Tuvalu, uma estado da Polinésia, mas é muito utilizado pela indústria televisiva, e o “.im”, que se refere à Ilha de Man, uma nação britânica, costuma ser empregado por serviços de mensagens instantâneas.

Grandes negociações

O surgimento dos domínios deu origem a um mercado milionário, em que empreendedores compram endereços aos montes para vendê-los por preços mais altos. É como uma especulação imobiliária virtual: determinados domínios, em especial nomes simples e óbvios, são extremamente lucrativos para quem sai na frente e consegue registrá-los. Afinal, um domínio adequado pode ser muito importante para a visibilidade e a identidade de um negócio. Durante um dia de 2012, Mike Mann, um desses especuladores, comprou quase 15 mil domínios.

O endereço mais caro de todos os tempos é o lasvegas.com, negociado por US$ 90 milhões em 2005. Outros exemplos de grandes vendas no ramo incluem o vacationrentals.com, comprado por US$ 35 milhões por um empresário do turismo, em 2007, e o sex.com, que movimentou US$ 13 milhões em 2010 depois de uma longa e complexa disputa judicial.

Conseguir um bom domínio hoje é de fato bastante difícil, principalmente entre os escassos “.com”. Segundo um estudo da startup croata WhoAPI, desde 2013, todas as combinações possíveis com quatro letras estão esgotadas. De aaaa.com a zzzz.com, as 456.976 possibilidades já foram registradas.

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