Por Bruno De Blasi, da redação


A suposta espionagem dos celulares a partir de seus microfones tem tudo para continuar sendo somente uma lenda urbana. Pesquisadores dos Estados Unidos realizaram um estudo e confirmaram que mais de 9 mil aplicativos de Android podem coletar as informações dos usuários, mas de uma maneira inesperada: por meio de capturas de tela. São arquivos que mostram exatamente o que aparece no display do telefone.

A pesquisa feita na Universidade Northeastern põe em dúvida a teoria de que o Facebook usa o telefone para ouvir as conversas ao redor e depois mostrar anúncios. No estudo, nenhum aplicativo gravou áudios enquanto os smartphones estavam inativos.

Pesquisa aponta que apps para Android podem estar espionando celulares por meio de capturas de tela — Foto: Lucas Mendes/TechTudo Pesquisa aponta que apps para Android podem estar espionando celulares por meio de capturas de tela — Foto: Lucas Mendes/TechTudo

Pesquisa aponta que apps para Android podem estar espionando celulares por meio de capturas de tela — Foto: Lucas Mendes/TechTudo

Foram analisados 17.260 aplicativos, sendo que cerca de 53% têm potencial para vazar dados de usuários. Para essa descoberta, os pesquisadores utilizaram ferramentas que automatizam o uso dos programas e depois analisaram o tráfego gerado em dez celulares com Android 4.4.4 e Android 6. Nos 21 casos de apps que enviavam essas informações pela internet, 12 realizavam essa ação sem o conhecimento do usuário.

O caso de maior destaque é o goPuff, um serviço americano para encomendar lanches, bebidas e sorvetes. O aplicativo estava coletando screenshots (também conhecidos como prints no Brasil) continuamente e enviando-as para a central do AppSee sem o conhecimento do usuário.

Criadores de aplicativos usam ferramentas como o AppSee para compreender o comportamento dos usuários, a fim de melhorar a interface e solucionar problemas. No entanto, o CEO do Appsee, Zahi Boussiba, reconheceu em entrevista ao jornal USA Today que o serviço pode ter sido utilizado indevidamente. Ele também afirmou que os rastreadores de comportamento foram desativados e que as informações guardadas pela empresa foram apagadas.

Usuários da App Store deram nota média 4,4 para goPuff — Foto: Reprodução / App Store Usuários da App Store deram nota média 4,4 para goPuff — Foto: Reprodução / App Store

Usuários da App Store deram nota média 4,4 para goPuff — Foto: Reprodução / App Store

Embora versões mais recentes do Android e iOS solicitem a permissão do usuário para liberar a apps o acesso a câmera, microfone, arquivos e sensores, a captura de tela não possui o mesmo nível de segurança. Isto pode facilitar o coleta de informações sensíveis, como dados de cartão de crédito e endereços, entre outros, mesmo sem o conhecimento dos donos.

Aos pesquisadores, o Google afirmou que monitora constantemente os aplicativos disponibilizados na Play Store e que estão tomando medidas para melhorar a transparência entre desenvolvedores e consumidores. O goPuff não respondeu pedidos de entrevista feitos pela imprensa estrangeira, mas modificou a política de privacidade para informar sobre a coleta de dados.

Coleta de informações por microfone

Embora o estudo evidencie a espionagem por outros meios, isto não significa necessariamente que nenhum aplicativo utilize o microfone para coletar informações indevidas dos usuários. As evidências da pesquisa foram coletadas por meio de ferramentas que automatizam o uso desses apps, ou seja, sem interação humana.

Zuckerberg chamou hipótese de “teoria da conspiração” em depoimento no Congresso dos Estados Unidos — Foto: Reprodução Zuckerberg chamou hipótese de “teoria da conspiração” em depoimento no Congresso dos Estados Unidos — Foto: Reprodução

Zuckerberg chamou hipótese de “teoria da conspiração” em depoimento no Congresso dos Estados Unidos — Foto: Reprodução

O questionamento surgiu com queixas contra o Facebook em fóruns e redes sociais. Um participante do fórum Reddit alegou ter colocado o smartphone próximo a uma televisão com um programa em um idioma diferente. Ele disse que a rede social passou a exibir anúncios em espanhol. Na época, um executivo da empresa negou as acusações.

O CEO Mark Zuckerberg também negou a hipótese durante um depoimento ao Congresso dos Estados Unidos, após o caso Cambridge Analytica e supostos vazamentos de dados pelo app do Facebook Messenger. Segundo Zuckerberg, a acusação não passa de “teoria da conspiração”.

Com informações: USA Today, Gizmodo e Northeastern University (1 e 2)

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