Por Filipe Garrett, para o TechTudo


O Big Falcon Rocket (BFR) é o grande foguete que a SpaceX de Elon Musk pretende usar para levar humanos à superfície de Marte e uma viagem ao redor da Lua. Ainda em fase de desenvolvimento, a ideia é que o BFR seja o maior foguete já construído, com dimensões de 106 metros de altura e 9 metros de diâmetro, além da capacidade de levar até 150 toneladas de carga da Terra à Marte.

Mas, antes da empreitada em solo marciano, o veículo mais ambicioso da SpaceX deve levar turistas em uma viagem ao redor da Lua. Assim, ele pode repetir a jornada histórica da Apollo 8 que, em 1968, levou os primeiros seres humanos para fora da área de influência gravitacional da Terra. O primeiro a realizar o "tour espacial" será o bilionário japonês Yusaku Maezawa, dono da loja online ZOZO, entre outras empresas.

Viagem deverá levar turistas para uma viagem em torno da Lua — Foto: Divulgação/SpaceX Viagem deverá levar turistas para uma viagem em torno da Lua — Foto: Divulgação/SpaceX

Viagem deverá levar turistas para uma viagem em torno da Lua — Foto: Divulgação/SpaceX

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O nome de Yusaku foi revelado por Elon Musk, que não indicou o preço pago pelo empresário. Segundo a Forbes, o bilionário tem uma fortuna de cerca de US$ 2,9 bi, algo em torno de R$ 12 bilhões em conversão direta. Antes do anúncio, as apostas já apontavam que o primeiro turista teria origem japonesa depois de um tuíte do dono da SpaceX usando a bandeira do país em resposta a uma pergunta de um seguidor.

Elon Musk e Yusaku Maezawa — Foto: Reprodução/Twitter Elon Musk e Yusaku Maezawa — Foto: Reprodução/Twitter

Elon Musk e Yusaku Maezawa — Foto: Reprodução/Twitter

BFR na Lua

O objetivo da SpaceX para a viagem é levar turistas para uma volta ao redor da Lua. O plano ainda carece de maiores detalhes, mas é possível antecipar que a empresa não trabalha com a ideia de pousar em solo lunar.

As razões para evitar uma alunissagem são várias, principalmente por conta da segurança e valor. Com um pouso, a missão teria mais complexidade e os riscos de que algo não dê certo aumentariam consideravelmente. O segundo efeito é o custo: se o BFR pousasse na Lua, seria necessário combustível suficiente para acelerar a uma velocidade que permitisse o retorno à Terra.

Não é a primeira vez que a SpaceX anuncia uma viagem do tipo. Ainda em 2017, a empresa de Elon Musk apresentou um projeto semelhante: turistas iriam à Lua a bordo da capsula Dragon – atualmente usada para levar carga e provisões à Estação Espacial Internacional – e seriam levados ao espaço a bordo do foguete Falcon Heavy. Seu primeiro voo ocorreu em 6 de fevereiro, quando colocou um carro Tesla Roadster em órbita ao redor do Sol em um percurso que se aproxima de Marte.

Ainda que a primeira viagem não envolva pouso lunar, SpaceX já mostrou imagens conceituais envolvendo alunissagens e bases lunares — Foto: Divulgação/SpaceX Ainda que a primeira viagem não envolva pouso lunar, SpaceX já mostrou imagens conceituais envolvendo alunissagens e bases lunares — Foto: Divulgação/SpaceX

Ainda que a primeira viagem não envolva pouso lunar, SpaceX já mostrou imagens conceituais envolvendo alunissagens e bases lunares — Foto: Divulgação/SpaceX

De lá para cá, a SpaceX parece decidida em abandonar o uso do Falcon Heavy para viagens ao espaço profundo, concentrando seus esforços no uso do BFR.

Quando a viagem ocorrerá?

Elon Musk tende a ser muito otimista com prazos. Em setembro de 2017, discutindo os planos da SpaceX para a colonização de Marte, o bilionário sul-africano afirmou que a ideia era pousar a primeira missão do BFR em solo marciano já em 2022, previsão que é considerada extremamente otimista pela crítica especializada.

Recentemente, Elon Musk divulgou por meio do Twitter que a SpaceX desenvolve os primeiros protótipos do BFR e que voos não tripulados para testes podem ocorrer já em 2019. Para uma base de comparação, o Falcon Heavy, grande foguete atual da SpaceX e que teve a primeira missão em fevereiro, levou sete anos de desenvolvimento – e ele é considerado um veículo muito menos ambicioso e complexo do que o BFR.

O vídeo abaixo mostra como o sistema deve funcionar para uma viagem completa para Marte, mas o processo para uma visita à Lua deve ser parecido:

Até o momento, não há uma data definida para que o primeiro BFR saia da linha de montagem da SpaceX em Hawthorne, no estado do Texas. Apesar disso, especula-se que a SpaceX poderia aproveitar algumas datas marcantes dos próximos anos. Em dezembro de 2022, por exemplo, será celebrado o 50º aniversário da Apollo 17, última missão tripulada da Nasa a pousar em solo lunar.

Quanto custa tirar o plano papel?

Há estimativas dos custos relacionados ao desenvolvimento do BFR – que constitui o foguete em si – e do BFS (Big Falcon Spaceship), que pode ser entendida como a metade espaçonave do veículo, com espaços habitáveis e áreas para carga. Especula-se que os valores estejam em uma faixa mínima de US$ 5 bilhões (cerca de R$ 25 bilhões em conversão direta e sem impostos).

Big Falcon Rocket e Big Falcon Spaceship (BFS)

Imagem compara as dimensões do BFR com outros foguetes e projetos: veículos da Blue Origin ainda são projetos, assim como os SLS da Nasa (o ITS é a versão original do BFR, apresentada em 2016 pela SpaceX) — Foto: Divulgação/SpaceX Imagem compara as dimensões do BFR com outros foguetes e projetos: veículos da Blue Origin ainda são projetos, assim como os SLS da Nasa (o ITS é a versão original do BFR, apresentada em 2016 pela SpaceX) — Foto: Divulgação/SpaceX

Imagem compara as dimensões do BFR com outros foguetes e projetos: veículos da Blue Origin ainda são projetos, assim como os SLS da Nasa (o ITS é a versão original do BFR, apresentada em 2016 pela SpaceX) — Foto: Divulgação/SpaceX

O BFR é um projeto de uma escala nunca antes vista em termos de veículos espaciais. O foguete poderá levar 150 toneladas (ou 100 passageiros, mais carga) da Terra à Marte em um design completamente reutilizável. Propulsores e capsula (BFS) poderão pousar nos dois planetas e depois será possível reutilizadas para múltiplas viagens – novidade que deve diminuir o custo das expedições e permitir que o turismo espacial seja viável até para pessoas de classe média.

Em conferência realizada em 2017, Elon Musk detalhou que o design do BFR e BFS permite pousar em qualquer corpo celeste do sistema solar, desde que haja possibilidade de pouso no terreno. Dessa forma, há a possibilidade de que, no futuro, hipotéticas viagens a algumas das luas de Júpiter e Saturno virem realidade.

Mais do que viagens interplanetárias, o BFR terá a capacidade de funcionar como meio de transporte intercontinental de altíssima velocidade. Segundo Musk, o veículo poderia ser usado para transportes suborbitais ligando extremos da Terra em poucos minutos: uma viagem de Nova Iorque à Pequim poderia ser feita em apenas 45 minutos usando a nave.

SpaceX pretende usar o BFR para realizar a ambição de colonizar Marte nas próximas décadas — Foto: Divulgação/SpaceX SpaceX pretende usar o BFR para realizar a ambição de colonizar Marte nas próximas décadas — Foto: Divulgação/SpaceX

SpaceX pretende usar o BFR para realizar a ambição de colonizar Marte nas próximas décadas — Foto: Divulgação/SpaceX

Ainda de acordo com Musk, a ideia é que o BFR lentamente substitua os foguetes Falcon e Falcon Heavy da SpaceX nas missões mais convencionais da empresa. Assim, a novidade seria responsável por atividades que envolvem o envio de carga à Estação Espacial Internacional e ao lucrativo mercado do lançamento de satélites, hoje praticamente dominado pela empresa.

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