Por Igor Nishikiori, para o TechTudo

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Orkut e MiniDisc são exemplos de tecnologias que fizeram sucesso, mas, com o tempo, caíram no esquecimento. Até serviços e produtos que revolucionaram o mercado e foram sucesso de adesão do público chegaram ao fim. Outros, como o ICQ e o BlackBerry, apesar de estarem ativos até hoje, não fazem mais o sucesso do passado. Para relembrar eletrônicos e serviços que, apesar do auge, chegaram ao fim, confira a lista a seguir.

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Orkut foi a primeira rede social de muitos brasileiros — Foto: Reprodução/Orkut Orkut foi a primeira rede social de muitos brasileiros — Foto: Reprodução/Orkut

Orkut foi a primeira rede social de muitos brasileiros — Foto: Reprodução/Orkut

1. Orkut

Um grande sucesso em terras brasileiras foi o Orkut. Criado em 2004 por um funcionário do Google chamado Orkut Büyükkökten, a rede social chegou a ter 70% de seus usuários no Brasil. Em sua primeira versão, o cadastro podia ser feito apenas por meio de convites de pessoas já cadastradas. Com o tempo, essa restrição foi derrubada e sua popularidade cresceu.

A possibilidade de criar comunidades era um dos destaques da rede, e havia ainda a opção de enviar mensagens abertas aos amigos via Scrapbook ou deixar Depoimentos. Em uma das atualizações, o Orkut criou um sistema parecido com o Tinder, a Crush List.

A rede social foi encerrada em 2014, dez anos depois de seu nascimento. Um dos principais motivos foi a crescente popularização de outras plataformas, como Facebook e Twitter. Segundo seu criador, o caminho tomado pelo Orkut foi natural.

2. Netbook

Eles eram pequenos, leves e baratos, e embora viessem com uma configuração bem básica, costumavam ser o suficiente para a maioria dos usuários. O termo "netbook" passou a existir ainda no final de 2007, com o lançamento do Asus Eee PC. O nome fazia referência a sua principal função: acessar a Internet. O tipo de produto ganhou força e passou a dominar a venda de computadores, tomando conta de boa parte do mercado de notebooks em 2008 e 2009.

Netbook: portáteis que tiveram vida curta — Foto: Divulgação/RCA Netbook: portáteis que tiveram vida curta — Foto: Divulgação/RCA

Netbook: portáteis que tiveram vida curta — Foto: Divulgação/RCA

Grandes empresas de tecnologia, como HP e Dell, apostaram no segmento, mas não foi o caso da Apple, que tinha outros planos naquele fim de década. Em 2010, Steve Jobs anunciou o iPad, uma versão maior do iPhone, mais compacta que um netbook, e que permitia acessar a internet, jogar games, entre outras coisas, de maneira prática e intuitiva.

As vendas dos pequenos computadores praticamente desabaram depois do anúncio, e as próprias fabricantes decidiram que era melhor investir em seus próprios tablets. Hoje ainda é possível encontrar netbooks no mercado, mas sua presença ainda está longe do status de uma década atrás.

3. BlackBerry

Antes do iPhone e do Android, os celulares inteligentes atendiam pelo nome de Blackberry. Lançados pela empresa canadense RIM no começo dos anos 2000, os modelos tinham como principal característica o teclado físico QWERTY, além de trazer tela horizontal e capacidade acessar a internet e enviar e-mails, em plena era dos SMS. Por conta dos preços, os telefones do tipo ganharam bastante popularidade no meio corporativo.

BlackBerry Curve 8350i era um dos aparelhos com PTT que fez muito sucesso nos anos 2000 (Foto: Divulgação/BlackBerry) — Foto: Divulgação/BlackBerry BlackBerry Curve 8350i era um dos aparelhos com PTT que fez muito sucesso nos anos 2000 (Foto: Divulgação/BlackBerry) — Foto: Divulgação/BlackBerry

BlackBerry Curve 8350i era um dos aparelhos com PTT que fez muito sucesso nos anos 2000 (Foto: Divulgação/BlackBerry) — Foto: Divulgação/BlackBerry

A companhia até chegou a lançar celulares voltados para um público mais jovem, como é o caso do BlackBerry Pearl, de 2006. Mas, em janeiro de 2007, a Apple anunciou o iPhone e revolucionou o mercado de smartphones. Com um sistema melhor e mais confiável, o iOS, e uma interface intuitiva graças à tela sensível ao toque, o iPhone superava o BlackBerry em todos os aspectos.

Apesar de ter perdido grande parte de seu mercado e ter sofrido alguns baques em seus serviços em 2011, a Blackberry continua viva e lançando novidades. Recentemente, na IFA 2018, a empresa anunciou o BlackBerry Key2 LE, um smartphone corporativo com todas as características de um Android e que conta com seu famoso teclado físico.

4. MiniDisc

Apesar de sua longa trajetória de sucessos, a Sony acumulou também alguns tropeços pelo caminho, e o MiniDisc foi um deles. Lançado em 1992 para ser o sucessor natural dos CDs de música, o dispositivo tinha três grandes vantagens: era menor (um terço do tamanho de um CD), sua mídia era regravável e ele vinha protegido por um compartimento que evitava riscos e impedia pulos durante sua reprodução.

MiniDisc, da Sony, era uma versão menor do Discman — Foto: Divulgação/Sony MiniDisc, da Sony, era uma versão menor do Discman — Foto: Divulgação/Sony

MiniDisc, da Sony, era uma versão menor do Discman — Foto: Divulgação/Sony

O MiniDisc era, portanto, uma versão mais próxima dos Walkmans do que os antigos Discmans, que estavam longe de serem portáteis e práticos. E o fato de o áudio ser digital deixava o som muito mais fiel e limpo do que nas tradicionais cópias em fitas cassetes. O produto acabou fazendo relativo sucesso no Japão e o formato chegou a ser adotado por algumas gravadoras de lá, mas no Ocidente a história foi diferente. O preço alto tornou o aparelho um produto apenas para entusiastas de música.

Além disso, a comercialização de copiadoras de CDs regraváveis, a partir de 1996, e a distribuição de arquivos de áudio pela internet o tornaram obsoleto em questão de tempo. Na contramão da época, o MiniDisc utilizava um formato próprio, o ATRAC, e vinha com sistema anti-pirataria. A popularização de tocadores de MP3, como o iPod da Apple, teve uma influência forte no destino do aparelho. Ainda assim, conseguiu durar alguns anos e foi descontinuado só em 2013.

5. Netscape Navigator

O Netscape Navigator foi o primeiro navegador de Internet comercial da história, sendo lançado em dezembro de 1994. Antes dele, a Internet consistia em um conjunto de textos e hiperlinks. Depois dele, vieram as imagens, ícones e toda a interface gráfica que já conhecemos, criando um conceito novo conceito de webdesign.

O Netscape era gratuito para usuários domésticos, mas havia uma licença para o meio corportativo. Graças ao pioneirismo e a esse modelo de negócios, o Netscape conquistou cerca de 90% do mercado de navegadores em 1995. Na época, um dos criadores do software "profetizou" que os navegadores substituiriam os sistemas operacionais no futuro.

Netscape Navigator inaugurou uma nova era na internet — Foto: Reprodução/Poynter Netscape Navigator inaugurou uma nova era na internet — Foto: Reprodução/Poynter

Netscape Navigator inaugurou uma nova era na internet — Foto: Reprodução/Poynter

Bill Gates não gostou da provocação e reagiu. Há relatos de uma reunião em que funcionários da Microsoft teriam feito uma proposta de compra do código-fonte do Netscape Navigator para usar em seu novo Windows 95. Diante da recusa, a empresa de Gates começou o que ficou conhecido como a primeira Guerra dos Navegadores. Já em 1998, o Internet Explorer ultrapassou o Netscape no mercado. Em 2008 o browser foi descontinuado, mas deu origem ao Firefox, com o nome de Fênix em alusão ao pássaro da mitologia grega.

6. Napster

Se hoje temos serviços como Spotify e Deezer, nos anos 90 encontrar músicas na Internet era uma tarefa complicada. Até que, em 1999, os jovens Shawn Fanning e Sean Parker criaram o Napster, um programa de computador que compartilhava arquivos MP3 entre usuários de graça usando uma uma tecnologia conhecida como Peer-to-Peer (P2P).

Napster foi um fenômeno cercado de polêmicas por promover compartilhamento de músicas ilegal — Foto: Reprodução/Napster Napster foi um fenômeno cercado de polêmicas por promover compartilhamento de músicas ilegal — Foto: Reprodução/Napster

Napster foi um fenômeno cercado de polêmicas por promover compartilhamento de músicas ilegal — Foto: Reprodução/Napster

Por conta de sua interface simples e intuitiva, o Napster se tornou bastante popular no mundo todo. E isso, logicamente, atraiu a atenção de gravadoras e artistas, como Metallica e Dr. Dre, que temiam que a distribuição gratuita de músicas pela Internet mexesse com seus lucros. Em 2001, uma corte nos EUA decidiu a favor da acusação e proibiu a plataforma de disponibilizar arquivos protegidos por direitos autorais.

Apesar da vitória nos tribunais, a ação se tornou infrutífera já que muitos clones do player rapidamente ocuparam o espaço, como o Kazaa, o Gnutella e, principalmente, o BitTorrent, que também foi alvo de uma longa batalha jurídica (dessa vez, com a indústria cinematográfica). Apesar disso, o site não morreu e ainda funciona – hoje o Napster é um app de streaming de música.

7. ICQ

Idealizado por quatro israelenses em 1996, o ICQ foi um dos primeiros mensageiros a se popularizar no mundo, atingindo 20 milhões de usuários em 1998. Isso se deve a recursos como as várias possibilidades de customização, a opção de criar salas de bate-papo e a função de encontrar qualquer pessoa por meio da barra de busca, bastando digitar nome ou sobrenome, país ou cidade.

Um dos detalhes nostálgicos eram os efeitos sonoros clássicos do programa. Muitos usuários ainda se lembram do som da máquina de escrever ao digitar uma mensagem ou do famigerado "Oh, oh" que tocava sempre que havia uma notificação.

Atualmente o ICQ possui versão mobile e para PC — Foto: Divulgação/ICQ Atualmente o ICQ possui versão mobile e para PC — Foto: Divulgação/ICQ

Atualmente o ICQ possui versão mobile e para PC — Foto: Divulgação/ICQ

A derrocada do sistema de chat começou a partir de 1999, quando a Microsoft lançou o MSN Messenger. Ele era mais leve, mais simples, permitia chamadas por webcam e tinha um visual muito mais elegante. Aos poucos, a maioria dos usuários foram migrando para o mensageiro da Microsoft, cujos serviços foram encerrados em 2013.

Engana-se quem acha que o ICQ deixou de existir: em 2015, o mensageiro voltou na forma de aplicativo para Windows, Linux, Android e iPhone (iOS). É possível, inclusive, recuperar e utilizar o mesmo número UIN daquela época.

8. Fotolog

Antes do Instagram, uma das primeiras redes sociais dedicadas exclusivamente a imagens era o Fotolog. Lançado em 2002, o site tinha algumas peculiaridades que hoje parecem fazer pouco sentido: era possível subir apenas uma foto por dia, havia um limite de inscrições diárias gratuitas e eram permitidos, no máximo, 10 comentários por imagem – depois, número subiu para 20. Mesmo assim, o serviço era extremamente popular: chegou a ter 7 milhões de usuários e atingiu cerca de 20 milhões de visitantes únicos por mês. Foi também nessa época que surgiram alguns influenciadores famosos, como a ex-VJ da MTV Mari Moon.

MariMoon era uma celebridade no Fotolog — Foto: Reprodução/TechTudo MariMoon era uma celebridade no Fotolog — Foto: Reprodução/TechTudo

MariMoon era uma celebridade no Fotolog — Foto: Reprodução/TechTudo

A fama do site acabou incentivando a criação de clones, como o brasileiro Flogão. Só em 2004 foi lançado um dos principais concorrentes do Fotolog, o Flickr. Sem as mesmas limitações e problemas de servidor do concorrente, a nova rede social acabou atraindo um grande número de pessoas interessadas em fotografia. Os usuários que gostavam do lado mais interativo migraram para novos serviços, como Tumblr, Facebook e Twitter.

O Fotolog continua funcionando, e ainda conta com o tal do limite de uma foto por dia. O site chegou a ficar fora do ar temporariamente em 2016, mas o serviço retornou em 2018 com versão para celular e design claramente inspirado no Instagram.

9. Kinect

O lançamento do Wii em 2006 salvou a Nintendo da falência e criou um novo conceito para consoles. Seguindo a ideia, a Sony lançou o Playstation Move, que também utilizava os movimentos com o controle em mãos para controlar as ações em jogos. A Microsoft, por sua vez, surpreendeu com o Kinect, criado pelo engenheiro brasileiro Alex Kipman e lançado em 2010, para Xbox 360.

Kinect foi a resposta da Microsoft ao sucesso do Wii — Foto: Divulgação/Microsoft Kinect foi a resposta da Microsoft ao sucesso do Wii — Foto: Divulgação/Microsoft

Kinect foi a resposta da Microsoft ao sucesso do Wii — Foto: Divulgação/Microsoft

Seu maior trunfo era que, diferente dos concorrentes, o acessório permitia controlar o videogame sem a necessidade de controles. Suas duas câmeras conseguiam detectar rostos e movimentos em três dimensões. Portanto, durante um game de corrida, por exemplo, o jogador podia controlar o veículo apenas imitando o gesto de segurar o volante com as mãos.

O acessório fez bastante sucesso, e foram vendidas 35 milhões de unidades. Por isso, a Microsoft continuou apostando no Kinect, inclusiv, tornando-o parte do kit básico do Xbox One. Com o Playstation 4 dominando as vendas, a empresa foi obrigada a abaixar o preço e a tecnologia acabou sendo cortada em 2014. Com poucos games compatíveis e com a moda do controle por movimentos ficando no passado, o Kinect parou de ser produzido em 2017.

É possível recuperar fotos do antigo Orkut? Comente no Fórum do TechTudo.

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