Por Paulo Alves, para o TechTudo


O mecanismo de segurança facial do iPhone X vem causando problemas e mudando a rotina de peritos nos Estados Unidos. Segundo um documento obtido pelo site Motherboard, especialistas forenses da empresa Elcomsoft receberam a recomendação de “não olhar para a tela” de celulares que passam por inspeção em investigações policiais. A medida tenta impedir que o smartphone entre em modo de bloqueio e desative o Face ID.

O caso está ligado a uma prática recente adotada por autoridades no país. Recentemente, a Forbes revelou que o FBI forçou um suspeito a desbloquear o próprio iPhone usando reconhecimento facial.

Face ID desbloqueia iPhone X com detecção 3D do rosto do usuário — Foto: Thássius Veloso/TechTudo Face ID desbloqueia iPhone X com detecção 3D do rosto do usuário — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

Face ID desbloqueia iPhone X com detecção 3D do rosto do usuário — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

O iPhone X ativa o Face ID quando o usuário acende a tela do celular. O scanner facial, então, entra em modo de rastreio e só desbloqueia o smartphone se o rosto do usuário for o mesmo cadastrado previamente pelo proprietário. Em caso negativo, o sistema segue verificando até a quinta tentativa. A partir daí, o software exige o código do dispositivo para desbloqueá-lo.

A recomendação da empresa de perícia Elcomsoft, portanto, visa impedir que o iPhone X ative a trava de segurança e solicite código de desbloqueio. Só assim as autoridades têm a possibilidade de forçar suspeitos a desbloquearem seus próprios celulares por meio do Face ID.

A legislação dos EUA garante o sigilo de senhas de pessoas investigadas, mas não menciona o uso de biometria, como reconhecimento facial ou impressões digitais. A brecha legal, portanto, abre caminho para autoridades forçarem investigados a entregar informações armazenadas no celular. Segundo o Motherboard, a estratégia é usada tanto com pessoas que têm iPhone X quanto modelos antigos, que contam desbloqueio via Touch ID.

O CEO da Elcomsoft confirmou autenticidade da recomendação à sua equipe de peritos. “É bem simples. O código de acesso [do iPhone] é necessário após cinco tentativas malsucedidas de identificar um rosto. Então, se o investigador olhar para o telefone do suspeito, imediatamente perde uma das tentativas”, disse.

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