Por Taysa Coelho, para o TechTudo


Os featurephones são celulares com estilo retrô que oferecem menos recursos que os smartphones e voltaram a se tornar populares nos últimos tempos. Modelos clássicos, como o Nokia 3310, mais conhecido como “tijolão” nos anos 2000, foram repaginados. Além disso, novidades não param de chegar às lojas, como o Positivo P70 e o minimalista MP02, da fabricante suíça Punkt. Em meio a um universo de dispositivos cada vez mais avançados, atualmente não há um consenso sobre o que engloba um telefone nessa categoria de estilo “retrô”.

Nokia 3310 marcou o retorno dos feature phones — Foto: Thássius Veloso/TechTudo Nokia 3310 marcou o retorno dos feature phones — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

Nokia 3310 marcou o retorno dos feature phones — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

O PC Magazine Encyclopedia define o padrão da seguinte maneira: “um celular que contém um conjunto fixo de funções além de chamadas de voz e mensagens de texto, mas não é tão extenso quanto um smartphone. Por exemplo, os featurephones podem oferecer navegação na web e e-mail, mas geralmente não podem baixar aplicativos de um mercado online”. A grosso modo, os aparelhos que fazem parte desse grupo contam com uma série de características em comum, que você pode conferir a seguir.

1. Teclado físico

Teclados físicos tornam o processo de troca de mensagens de texto mais lento — Foto: Divulgação/Nokia Teclados físicos tornam o processo de troca de mensagens de texto mais lento — Foto: Divulgação/Nokia

Teclados físicos tornam o processo de troca de mensagens de texto mais lento — Foto: Divulgação/Nokia

Após a popularização dos smartphones, os teclados físicos foram se tornando cada vez mais raros, com exceção de aparelhos da BlackBerry. A volta dos featurephones implica no retorno dos clássicos botões numéricos que, em cada tecla, apresentam em tamanho menor um conjunto de três ou quatro letras, ou símbolos. Como muitos deles não têm a opção de tela sensível ao toque, qualquer texto deve ser escrito através das teclas.

Para quem não lembra ou nunca teve um telefone do tipo, o processo de digitação é mais lento e trabalhoso. Para mandar uma mensagem simples como “oi”, o usuário precisa pressionar a tecla 6 por três vezes e depois apertar a 4 também por três vezes, num total de seis movimentos para duas letras.

2. Preços acessíveis

Como oferecem menos recursos que os smartphones, os “dumb phones” (telefones burros, em tradução livre) apresentam menos tecnologia de ponta e isso os torna bem mais baratos. O recém-lançado P70, da Positivo, é compatível com conexão 4G, permite instalar os apps do Facebook e Instagram e tem preço de lançamento de R$ 279. Já o Nokia 3310 pode ser encontrado por cerca de R$ 386 no mercado online.

No entanto, é importante lembrar que, de um modo geral, a ficha técnica desses dispositivos vai na contramão dos aparelhos atuais e oferecem câmeras, tamanho, resolução de display e capacidade de armazenamento bem inferiores ao que os usuários dos modelos mais modernos podem estar habituados.

Positivo lança P70, celular com teclado, WhatsApp e Internet 3G  — Foto: Aline Batista/TechTudo Positivo lança P70, celular com teclado, WhatsApp e Internet 3G  — Foto: Aline Batista/TechTudo

Positivo lança P70, celular com teclado, WhatsApp e Internet 3G — Foto: Aline Batista/TechTudo

3. Cabem literalmente no bolso

Uma das principais tendências entre os celulares mais novos são as telas cada vez maiores. Mesmo com os investimentos das fabricantes para lançar aparelhos leves, guardá-los nos bolsos se tornou uma tarefa árdua, de tão grandes. Com os featurephones, não há esse problema. Para se ter uma ideia, o display do “dumb” P70 tem somente 2,4 polegadas, contra 5,8 polegadas dos smartphones de última geração iPhone XS e Galaxy S9, por exemplo. Sem contar que alguns ainda são do estilo “flip”, podendo ser reduzidos pela metade quando não estão em uso. Além de pequenos, esses telefones costumam ser bem leves e pesam, em média, 70g.

4. Não costumam rodar Android ou iOS

Samsung Guru não roda os Android ou iOS — Foto: Divulgação/Samsung Samsung Guru não roda os Android ou iOS — Foto: Divulgação/Samsung

Samsung Guru não roda os Android ou iOS — Foto: Divulgação/Samsung

A maioria dos featurephones não são compatíveis com os principais sistemas operacionais do mercado, como o Android e o iOS, uma vez que seu hardware menos potente não suporta softwares do gênero. É o caso, por exemplo, do Nokia 3310 Dual SIM, que roda o Nokia Series 30+. No entanto, com a chegada do Android Go, versão mais leve do sistema do Google, começam a surgir no mercado opções com a plataforma instalada. Com isso, os featurephones podem ter acesso às versões Lite de apps através do Google Play, como é o caso do já citado P70 e o japonês Infobar XV.

5. Bateria com alta duração

Com design minimalista, MP02 tem dimensões e aparência de calculadora de bolso  — Foto: Divulgação/Punkt Com design minimalista, MP02 tem dimensões e aparência de calculadora de bolso  — Foto: Divulgação/Punkt

Com design minimalista, MP02 tem dimensões e aparência de calculadora de bolso — Foto: Divulgação/Punkt

Exatamente por terem um software que não exige tanto, as baterias dos featurephones costumam durar muito mais do que as dos smartphones. De acordo com a Nokia, o modelo 3310 suporta até 22 horas de conversação e o novo 105 é capaz de ficar até 25 dias em stand-by. Já o recém-lançado Punkt MP02 aguenta mais de 12 dias em modo de espera, enquanto o Samsung 1200 pode permanecer ligado por um mês.

6. Pouca capacidade de armazenamento

Quem está pensando em comprar um featurephone precisa ter em mente que esses celulares têm uma capacidade de armazenamento bastante inferior do que já estamos habituados. Sendo assim, só é possível salvar no dispositivo itens básicos e realmente necessários. A nível de comparação, o lançamento P70 oferece 512 MB de RAM e 512 de armazenamento, contrastando muito com os 4 GB de RAM e os 512 GB de armazenamento do smartphone mais recente da Apple.

Feature phones não permitem guardar muitos dados  — Foto: Divulgação/ Alcatel Feature phones não permitem guardar muitos dados  — Foto: Divulgação/ Alcatel

Feature phones não permitem guardar muitos dados — Foto: Divulgação/ Alcatel

7. Câmeras nada poderosas

Devido à proposta de serem mais básicos, nem todos os featurephones têm câmera integrada e, quanto têm, oferecem opções bem básicas. Instaladas somente na parte traseira - ou seja, nada de selfies -, costumam ter resolução de 0.3 MP. Para comparação, o iPhone XS conta com câmera dupla de 12 megapixels.

8. Alguns modelos atuais contam com conexão à internet

Nokia 8110 é compatível com 4G — Foto: Thássius Veloso/TechTudo Nokia 8110 é compatível com 4G — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

Nokia 8110 é compatível com 4G — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

Algumas marcas estão trabalhando para que seus feature phones conte com recursos que, nos dias de hoje, se tornaram fundamentais. O acesso à internet é um deles, e é possível encontrar opções compatíveis até mesmo com redes 3G ou 4G, como é o caso do P70, do Nokia 8110 e do JioPhone. Há ainda dispositivos com conectividade Wi-Fi, que permitem navegar na rede sem fio através do celular basiquinho.

9. Normalmente não têm touchscreen

Tela sensível ao toque é exceção entre os feature phones — Foto: Divulgação/Nokia Tela sensível ao toque é exceção entre os feature phones — Foto: Divulgação/Nokia

Tela sensível ao toque é exceção entre os feature phones — Foto: Divulgação/Nokia

Além de pequenos, os displays dos modelos de telefones mais básicos não costumam ser sensíveis ao toque. Sendo assim, o proprietário precisa voltar ao hábito de realizar todos os comandos com o teclado físico. Existem exceções que oferecem touchscreen, mas isso pode significar um aumento de custo e a perda do estilo retrô do celular.

10. Costumam ser mais resistentes

Aparelho retrô Metro 313 da Samsung — Foto: Divulgação/ Samsung Aparelho retrô Metro 313 da Samsung — Foto: Divulgação/ Samsung

Aparelho retrô Metro 313 da Samsung — Foto: Divulgação/ Samsung

Os smartphones atuais, revestidos de vidro e materiais frágeis, nos fazem ter muito cuidado para não deixá-los cair no chão. O medo de ter uma tela rachada, ou o aparelho partido e precisar desembolsar um valor alto para o conserto, não precisa afligir os proprietários de um feature phone. Em geral, esses dispositivos costumam ser mais resistentes a quedas porque contam com telas menos frágeis e hardwares menos sensíveis a fatores externos, como areia e poeira.

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