Telefonia

Por Filipe Garrett, para o TechTudo


Redes de 700 MHz são uma peça importante da ampliação da cobertura e melhoria da internet móvel 4G no Brasil. Disponível para as operadoras de telefonia com o desligamento do sinal de TV analógica, essa faixa de frequência permite maior alcance com investimentos menores e pode facilitar a implementação do 4,5G, além de ser parte importante de outros serviços, como as chamadas telefônicas em alta definição, o chamado VoLTE. A seguir, entenda como funciona o 4G de 700 MHz.

Faixa de frequência de 700 MHz deve favorecer ampliação do 4G no Brasil — Foto: Bruno De Blasi/TechTudo

Telefonia móvel e faixas de frequência

A comunicação dos nossos celulares com a infraestrutura das operadoras de telefonia se dá por sinais de rádio, da mesma forma que os sinais de TV se propagam das antenas até chegarem à sua casa. A diferença, basicamente, é que emissoras de TV e rádio ocupam determinadas faixas de frequência, enquanto serviços de telefonia usam outras.

As diferentes faixas de frequência existem para atender a necessidades técnicas específicas, bem como para organizar o uso do espectro de forma que todo mundo seja atendido sem que um tipo de uso interfira no outro.

4,5G e VoLTE são serviços e tecnologias proporcionados pela faixa de 700 MHz — Foto: Lucas Mendes/TechTudo

Diferentes tipos de frequência

Quando se fala em sinais eletromagnéticos, como são os casos do sinal de rádio, é preciso considerar a seguinte situação: quanto maior a frequência – em geral medida em Hertz (Hz) –, maior a dificuldade desse sinal ultrapassar obstáculos e barreiras físicas.

Por exemplo, a luz visível tem alta frequência e você sabe que a luz vinda do sol não passa pelas paredes da sua casa. Por outro lado, o sinal de rádio e as microondas do forno são exemplos de sinais de frequência mais baixa, com maior capacidade de penetração em barreiras físicas.

4G brasileiro pode ser operado em 700 MHz — Foto: Paulo Alves/TechTudo

O que isso tem a ver com TV analógica?

No Brasil, redes de celular 4G usam faixas de 1.800 MHz (chamada banda 3) e 2.600 MHz (banda 7). Por conta de características físicas relacionadas a como ondas eletromagnéticas se propagam, são frequências consideradas altas, o que as torna ideais para serviços que dependem de maior velocidade de rede. O efeito colateral é a cobertura mais limitada.

Como sinais de alta frequência têm maior dificuldade de penetrar barreiras físicas, fica fácil de entender as restrições das redes atuais, visto que os sinais de 4G sofrem perda de intensidade quando tentam ultrapassar obstáculos físicos. É por isso que a internet móvel (4G) do seu smartphone fica mais lenta e instável quando você está no interior de um edifício.

Uma forma de contornar o problema seria aumentar a base de antenas 4G, com o objetivo de melhorar a cobertura. Entretanto, seria um investimento proibitivo, especialmente em grandes centros urbanos.

É para equacionar esse impasse e encontrar um caminho mais eficiente de aumento da rede 4G, do ponto de vista econômico, que operadoras brasileiras buscam a faixa dos 700 MHz. Ela tem penetração muito maior que as demais bandas usadas no país.

Uso do 4G de 700 MHz depende do desligamento da TV analógica — Foto: Thássius Veloso / TechTudo

Entram os 700 MHz

De frequência muito mais baixa que o 4G padrão, o sinal de 700 MHz é usado pela TV analógica nas regiões do país que ainda não desligaram o serviço. Em outras, já está liberada para que operadoras instalem antenas 4G capazes alcançar um nível de penetração e área de cobertura muito maiores do que as bandas de frequência maior. O custo de instalação é mais baixo do que com antenas 4G de 2.600 MHz.

Se você mora numa cidade onde as operadoras já exploram os 700 MHz, é grande a chance de que esteja usando o novo sinal sem perceber. Nos grandes centros, a ativação dessa faixa acaba sendo combinada aos outros sinais 4G, dando espaço para a oferta do que as operadoras chamam de 4,5G (ou 4G+) e da chamada de voz VoLTE, com alta qualidade.

Nesses lugares, mesmo que o 4G+ e o VoLTE ainda não tenham sido implementados, o usuário deve perceber uma melhora na cobertura, já que o sinal acaba tendo maior facilidade de se propagar.

iPhone XR (foto), iPhone XS e iPhone XS Max dos Estados Unidos não funcionam com o 700 MHz do 4G nacional — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

Os iPhones

Os novos iPhones XR, iPhone XS e iPhone XS Max vendidos nos Estados Unidos são exemplos de aparelhos que não oferecem suporte às redes brasileiras de 4G por 700 MHz. Desenvolvidos para o mercado norte-americano, são modelos que não reconhecem essa faixa. Funcionam, portanto, só com o antigo 4G.

O celular continuará conectando ao 3G e ao 4G de outras frequências, mas talvez alcance velocidades menores e enfrente instabilidades de conexão no interior de espaços fechados. Outro problema é a falta de sinal 4G ao tentar usar o serviço em uma área atendida apenas pela banda de 700 MHz, o que pode começar a acontecer conforme as operadoras fazem investimentos.

Já os novos iPhones de versão nacional, vendidos pela Apple oficialmente no mercado brasileiro, oferecem suporte total ao 4G em uso no país.

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Compatibilidade

Aparelhos nacionais – ou vendidos em caráter oficial no mercado brasileiro – já trazem suporte ao 4G de 700 MHz há alguns anos, de maneira que você não precisa se preocupar muito com a questão da compatibilidade. Em todo caso, para tirar dúvidas, recorra sempre à documentação oficial do fabricante sobre o seu modelo.

A questão da compatibilidade entra em cena na hora de importar, como é o caso dos últimos iPhones. Por isso, é preciso estar atento à compatibilidade antes da compra.

Via Anatel (1 e 2), Teleco e TIM

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