Redes sociais

Por Paulo Alves, para o TechTudo


Facebook e Google estão envolvidos em uma polêmica com a Apple sobre coleta de dados dos usuários do iPhone (iOS) a partir dos aplicativos Research e Screenwise Meter, respectivamente. O portal TechCrunch revelou que as empresas teriam quebrado termos de uso da fabricante ao desenvolver programas que, em vez de terem uso exclusivamente interno, também eram distribuídos para os usuários finais. De acordo com a reportagem, a rede social pagava até US$ 20 mensais (cerca de R$ 73 em conversão direta) aos interessados em entregar informações pessoais – alguns deles adolescentes.

Desde a revelação do caso, a Apple revogou o certificado de desenvolvedor do Facebook, o que impediu o funcionamento da plataforma Research. Embora não tenha afetado os serviços regulares disponibilizados na App Store, a medida gerou danos colaterais: todos os softwares internos da companhia teriam parado de funcionar, inclusive apps de refeitórios, comunicação e transporte internos, e outros acessados apenas por funcionários, conforme publicado pelo The Verge.

Apple revogou certificado de desenvolvedor do Facebook após uso de informações dos usuários — Foto: Nicolly Vimercate/TechTudo

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O Facebook estaria negociando com a Apple a recuperação do certificado de desenvolvedor e restabelecimento de aplicativos genuínos usados pela empresa. Entre eles, estariam também versões de teste do Instagram, Messenger e do app principal do Facebook. Atualmente, a rede social fundada por Mark Zuckerberg tem mais de 35 mil funcionários em todo o mundo.

Entenda o caso

As plataformas Screenwise Meter, do Google, e Research, do Facebook, foram criadas com certificados de desenvolvedor que permitem instalação no iPhone sem intermédio da App Store. Sem o filtro da loja oficial, os programas poderiam explorar mais permissões para gravar dados que circulam no celular, inclusive tráfego de Internet.

Em resposta ao TechTudo, o Facebook Brasil negou que as pessoas pagas para usar o aplicativo Research eram quase todas adolescentes. Por outro lado, não comentou sobre a possível violação de termos de uso do certificado de desenvolvedor da Apple, nem confirmou se os programas internos também pararam de funcionar no escritório da empresa em São Paulo.

"Importantes pontos sobre este programa de pesquisa de mercado estão sendo ignorados. Apesar das recentes matérias, não havia nada de 'secreto' sobre o aplicativo chamado Facebook Research App. Ele não estava 'espiando' as pessoas que se cadastraram para participar. Elas passaram por um processo claro: foi solicitado a elas a permissão e elas foram remuneradas por participar da pesquisa. Por fim, menos de 5% das pessoas que decidiram participar desse programa de pesquisa de mercado são adolescentes e todos eles tiveram o consentimento formal de seus pais", justificou o Facebook.

Apps do Facebook e Google pagavam por dados de usuários no iPhone — Foto: Luciana Maline/TechTudo

A Apple justificou a medida contra o Facebook e deixou claro que a punição deverá ser tomada como um aviso para demais desenvolvedores, em entrevista cedida ao jornal britânico The Guardian. "Projetamos nosso Programa de Desenvolvimento Empresarial exclusivamente para a distribuição interna de aplicativos em uma organização. O Facebook tem usado seus membros para distribuir um aplicativo de coleta de dados para os consumidores, o que é uma clara violação de seu acordo com a Apple. Qualquer desenvolvedor que use seus certificados corporativos para distribuir aplicativos para os consumidores terá suas concessões revogadas, o que fizemos nesse caso para proteger nossos usuários e seus dados", explicou a fabricante.

Project Atlas

O funcionamento do aplicativo de coleta de dados do Facebook pode não ter sido tão transparente como diz a empresa. Informações divulgadas pelo TechCrunch afirmam que a rede social tem desenvolvido o projeto de monitoramento de usuários desde 2016, sob o codinome Project Atlas. Ao longo dos anos, o software teria sido distribuído a usuários de iOS e Android com idades entre 13 anos e 35 anos.

O investimento teria operado em paralelo ao Onavo, um programa de VPN do Facebook que foi banido da App Store em 2017 por coletar dados além do estipulado. O aplicativo Research, por outro lado, não foi encerrado na mesma época, apesar de ser capaz de gravar uma quantidade maior de informações do dispositivo.

Após permissão do usuário, o app Facebook Research poderia intermediar todo o tráfego de Internet do celular e até remover a criptografia das páginas – ação capaz de revelar dados pessoais transmitidos pela web. Ainda de acordo com a reportagem, o serviço teria solicitado até mesmo o envio de prints do histórico de compras do usuário na Amazon. O objetivo seria monitorar concorrentes, avaliar tendências e planejar o desenvolvimento de novos produtos.

Desculpas do Google

O Google encerrou seu aplicativo de monitoramento antes de qualquer providência da Apple. Ao TechTudo, a gigante da Internet se desculpou por ter usado o certificado de desenvolvedores para driblar as restrições da fabricante.

"O aplicativo do Screenwise Meter para iOS não deveria ter operado com o programa para desenvolvedores da Apple – isso foi um erro e pedimos desculpas. Desativamos a plataforma em dispositivos iOS. Este aplicativo é totalmente voluntário e sempre foi. Fomos sinceros com os usuários sobre a forma como usamos seus dados neste aplicativo, não temos acesso a dados criptografados em aplicativos e dispositivos e os usuários podem desativar o programa a qualquer momento", explicou a empresa.

Via TechCrunch (1,2), The Verge, The Next Web e The Guardian

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