Wearables

Por Nicolly Vimercate, de São Paulo


Mecânicos com óculos de realidade aumentada e engenheiros fazendo correções a partir da tela do computador. É isso que a Ford pretende fazer com a Assistência Técnica Remota. A ideia é que, com os óculos e uma boa conexão à Internet, os dois profissionais possam ver a mesma coisa, em tempo real, e trabalhem juntos para agilizar o conserto dos carros. Ainda em fase de testes, a tecnologia foi apresentada durante a Campus Party 12, nesta terça-feira (12), em São Paulo.

Óculos de realidade aumentada da Ford quer agilizar o conserto dos carros — Foto: Divulgação/Ford

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A realidade aumentada é quando o mundo real e o mundo virtual se encontram. Os filtros que se mexem do Instagram ou Snapchat e os QR Codes são alguns exemplos mais comuns dessa tecnologia. No caso da Ford, a solução permite que engenheiros e mecânicos vejam a mesma tela compartilhada.

O mecânico da concessionária consegue ver através dos óculos tanto o carro, que está fisicamente à sua frente, quanto as informações enviadas pelo engenheiro através de um software, tudo ao mesmo tempo. O engenheiro, por sua vez, vê na tela do computador, em tempo real, a imagem captada pelos óculos e pode desenhar sobre ela e enviar informações para ajudar o técnico que está na concessionária.

O que muda para os donos dos veículos? O principal objetivo da assistência remota, segundo a Ford, é economizar tempo dos clientes. “A vantagem é diminuir o período que os veículos ficam parados na assistência. Podemos ter os olhos dos nossos engenheiros dentro da concessionária para corrigir as falhas nos veículos, evitando o deslocamento desses profissionais até cada loja, o que pode demorar horas ou dias”, explicou Joaquim Arruda Pereira, diretor de Serviço ao Cliente da Ford América do Sul.

Proposta da Ford é que mecânico e engenheiro trabalhem juntos; óculos ainda estão em fase piloto — Foto: Divulgação/Ford

Outro benefício para o cliente que está sendo considerado pela fabricante é a garantia de que o carro vai ser tratado além da concessionária, em caso de problemas mais graves, já que a arquitetura elétrica e eletrônica dos veículos fica cada vez mais complexa. “Queremos resolver falhas que realmente necessitem da intervenção da fábrica, não uma simples troca de óleo, mas coisas que podem ocorrer nos módulos e nos sensores”, exemplifica o Engenheiro Especialista em Diagnóstico Remoto Cristian Salgueiro.

Os óculos usados no protótipo são da da Epson e funcionam com um software desenvolvido pela Total Power. O programa permite o envio de diagramas, desenhos de setas e círculos coloridos, entre outros recursos. Além de visual, a conexão também é auditiva por meio de fones de ouvidos.

A empresa não informou o quanto pretende economizar financeiramente com o novo jeito de consertar carros e não sabe estimar o tempo que os donos dos veículos vão economizar. “A ideia é aprender juntos as melhorias que precisam ser feitas no projeto e como reduzir o tempo de reparo dos carros”, explicou Salgueiro.

O conceito começa a ser testado no Brasil em formato piloto no primeiro semestre de 2019 em dez concessionárias. O projeto da empresa prevê implementação em todo o país em 2020.

Os óculos de realidade aumentada ficam em exposição durante toda a Campus Party 12, que acontece de 13 a 17 de fevereiro, no Expo Center Norte, em São Paulo.

* A jornalista viajou a convite da Ford.

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