Por Maria Dias, para o TechTudo


A Inteligência Artificial está cada vez mais parecida com humanos. Exemplos como Sophia, a primeira robô cidadã, e o sistema de ligações do Google Duplex demonstram como a indústria da tecnologia está investindo nesse segmento e o quanto estão próximas de duplicar as funções humanas mais básicas de modo virtual. Apesar dos desafios no segmento ainda serem muitos, como o desenvolvimento da linguagem e a naturalidade das ações, o impacto dessas criações já se faz sentir na sociedade, principalmente, em debates sobre a ética das aplicações. Conheça a seguir cinco situações em que a inteligência artificial foi a responsável por "criar" humanos muito realistas.

Primeira apresentadora de TV criada por inteligência artificial foi inspirada em jornalista chinesa — Foto: Reprodução/DailyMail Primeira apresentadora de TV criada por inteligência artificial foi inspirada em jornalista chinesa — Foto: Reprodução/DailyMail

Primeira apresentadora de TV criada por inteligência artificial foi inspirada em jornalista chinesa — Foto: Reprodução/DailyMail

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1. Primeira apresentadora de TV criada por I.A.

A agência estatal chinesa Xinhua divulgou em fevereiro deste ano o desenvolvimento da primeira apresentadora de TV criada por inteligência artificial no mundo. Ela será âncora de um telejornal. Xin Xiaomeng, como foi nomeada, foi modelada a partir de uma jornalista do país, Qu Meng,. A tecnologia é capaz de realizar a leitura de textos com a velocidade e dicção de um ser humano. A estreia de Xin está marcada para março, durante reuniões políticas que marcam o início do ano legislativo chinês.

A agência estatal pretende ter uma equipe extensa de apresentadores virtuais, criados a partir de inteligência artificial. Xiaomeng não é o primeiro “ser humano” desenvolvido com o objetivo de ser um apresentador de TV. No passado, a agência havia trabalhado no mesmo projeto, consolidado na figura do apresentador Xin Xiaohao. O primeiro feito da empresa nesse segmento foi introduzido ao mundo durante a Conferência Mundial da Internet em 2018, há três meses, na China, e já está em sua segunda versão. As atualizações contam com o aprimoramento da linguagem corporal, que permitem a Xiaohao realizar ações como se levantar da bancada, além de gesticular e mexer a boca com mais naturalidade.

No vídeo de apresentação, o âncora justifica sua existência dizendo que “o desenvolvimento da indústria da mídia pede por uma inovação contínua e uma profunda integração com as tecnologias internacionais mais avançadas”. Desde o lançamento o primeiro âncora de IA, já foram veiculados aproximadamente 3,4 mil reportagens.

2. "Fotos" de pessoas que não existem

O site ThisPersonDoesNotExist.com (http://thispersondoesnotexist.com/) é um bom exemplo de como a inteligência artificial consegue “criar” seres humanos. Ele funciona como um gerador de rostos humanas que, na verdade, não existem. Desenvolvido pelo engenheiro Philip Wang, o trabalho se baseia em pesquisas realizadas pela empresa de inteligência artificial Nvidia.

A tecnologia se apoia em redes virtuais neurais, as GANs (Generative Adversarial Network), além de contar com um algoritmo versado em um grande banco de dados de imagens de pessoas reais. A cada vez que um usuário atualiza o site, um novo rosto que não existe é apresentado. Esse recurso também poderá ser usado para gerar outros tipos de imagens, como de casas, animais, veículos etc.

O site ThisPersonDoesNotExist.com funciona como um gerador de faces humanas que não existem — Foto: (Divulgação/ThisPersonDoesNotExist) O site ThisPersonDoesNotExist.com funciona como um gerador de faces humanas que não existem — Foto: (Divulgação/ThisPersonDoesNotExist)

O site ThisPersonDoesNotExist.com funciona como um gerador de faces humanas que não existem — Foto: (Divulgação/ThisPersonDoesNotExist)

3. Rosto de um, corpo de outro

O efeito chamado “deep fake” é uma técnica que usa machine learning e outros recursos de IA para criar vídeos com inserção de rostos de celebridades ou outras pessoas que, na verdade, não protagonizaram a cena.

Batizado com o nome de um usuário do Reddit responsável por utilizar vídeos de sexo já existentes e neles inserir o rosto de mulheres famosas, a técnica mostra a facilidade com que a tecnologia pode ser usada pelo usuário comum. Não são mais necessários equipamentos ou conhecimentos complexos para criar clipes audiovisuais com personagens reais; o manuseio de alguns instrumentos de fácil acesso no mercado tecnológico já pode ser o responsável pela disseminação de vídeos fakes.

Produtora americana utiliza a técnica deep fake e recursos de inteligência artificial para inserir rosto de cliente em vídeos pornô  — Foto: (Reprodução/Variety) Produtora americana utiliza a técnica deep fake e recursos de inteligência artificial para inserir rosto de cliente em vídeos pornô  — Foto: (Reprodução/Variety)

Produtora americana utiliza a técnica deep fake e recursos de inteligência artificial para inserir rosto de cliente em vídeos pornô — Foto: (Reprodução/Variety)

Um exemplo do uso do deep fake no mercado é o serviço que a produtora Naughty America, uma empresa do ramo pornográfico, oferece aos seus clientes: um vídeo de sexo em que o rosto dos atores é trocado pelo rosto do consumidor. O cliente recebe um roteiro com instruções para filmar determinadas expressões faciais e enviá-las para a produtora, que recebe o material e trabalha na manipulação do vídeo. Dessa forma, é possível estrelar o próprio filme sem ter participado das filmagens.

4. Sophia, a robô cidadã

Não é apenas no mundo virtual que os humanos estão sendo “reproduzidos”. Com a ajuda da inteligência artificial e de muita tecnologia, robôs humanóides avançados estão sendo construídos. Sophia é um exemplo recente e popular. Criada em 2015 por David Hanson, ela é capaz de reproduzir um vasto número de expressões faciais, além de participar de debates com seres humanos.

Sophia é um robô criado em 2015 através de inteligência artificial e já foi considerada uma cidadã pela Arábia Saudita — Foto: Divulgação Sophia é um robô criado em 2015 através de inteligência artificial e já foi considerada uma cidadã pela Arábia Saudita — Foto: Divulgação

Sophia é um robô criado em 2015 através de inteligência artificial e já foi considerada uma cidadã pela Arábia Saudita — Foto: Divulgação

Em 2017, Sophia foi considerada uma cidadã pela Arábia Saudita. Em discurso durante um evento de inovação na capital do país, ela se pronunciou, dizendo “estar muito honrada e orgulhosa pela distinção única”. Sua popularidade já a levou a ser convidada para participar de vídeo-clipes, séries de TV e um ensaio fotográfico na revista Elle.

As discussões sobre o avanço desse tipo de tecnologia esbarram na preocupação de seres humanos serem substituídos por modelos como o de Sophia. Mas isso está longe de acontecer, já que a inteligência artificial por trás da máquina não é considerada extremamente avançada. Não há exatamente um entendimento completo por parte do robô sobre suas ações e falas. Uma conversa com Sophia, por exemplo, demanda um tempo de processamento que não é comum aos humanos, para que ela dê significado ao que foi dito e consiga responder.

A ideia dos pesquisadores envolvidos em sua criação é aprimorá-la para que se torne, de fato, uma pensadora autônoma, assim como os humanos. O criador de Sophia também pretende desenvolvê-la em outras habilidades, como o sentimento de empatia e a capacidade de ajudar no desenvolvimento de relações humanas.

5. Robô que conversa ao telefone

O Google utilizou uma tecnologia chamada Duplex para desenvolver um sistema de ligações através da inteligência da artificial. O objetivo é fazer com que a Google Assistente seja capaz de resolver de forma autônoma algumas das tarefas de seu usuário, principalmente aquelas que exigem uma ligação para serem concluídas. A inovação, portanto, é responsável por fazer com que a assistente virtual consiga falar de forma autônoma ao telefone com seres humanos.

Diagrama mostra como funciona Google Duplex — Foto: Divulgação/Google Diagrama mostra como funciona Google Duplex — Foto: Divulgação/Google

Diagrama mostra como funciona Google Duplex — Foto: Divulgação/Google

O produto está sendo inicialmente direcionado a realizar ações que envolvam compromissos, como reservar um horário em restaurante, salão de beleza ou academia. A tecnologia ainda não está desenvolvida a ponto de manter uma conversa de qualquer teor, mas para casos específicos sua atuação é bem convincente. Uma amostra do que o Google Duplex pode oferecer foi apresentada em maio de 2018, durante o evento Google I/O.

Características como o ritmo da voz e a naturalidade no uso de alguns jargões coloquiais causam a fácil impressão de que a conversa ocorre entre dois seres humanos. Esse fato levanta algumas preocupações sobre ética dentro da comunidade tecnológica, como o aviso de que a ligação está sendo feita por uma máquina. Apesar disso, o Google Duplex está em fase de testes, ainda sem previsão para lançamento da ferramenta ao público.

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