Por Athus Silveira, para o TechTudo


Conversar por mensagens online faz parte do dia a dia de milhões de usuários, não à toa o WhatsApp se tornou o aplicativo mais popular do mundo. Uma maneira de se relacionar nesse ambiente é pela prática de sexting, que consiste no compartilhamento de conteúdo erótico – recados, fotos ou vídeos – em mensageiros e redes sociais. A atividade arriscada é comum entre jovens com menos de 18 anos, que contribuem com 25% dos recebimentos desse tipo de material íntimo, de acordo com pesquisa do Journal of the American Medical Association Pediatrics.

A participação dos adolescentes nesta prática revela também a exposição desse grupo a riscos, como possíveis vazamentos e a chance desse conteúdo ser repassado a terceiros e se tornar público. No entanto, para os adultos que não abrem mão desse tipo de interação, há serviços como Telegram, Signal e Dust que podem ser menos arriscados nesses casos. Vale lembrar que é de responsabilidade do usuário manter esse tipo de comunicação na Internet.

Sexting: prática que une sexo e tecnologia coloca em risco intimidade de usuários — Foto: Luciana Maline/TechTudo Sexting: prática que une sexo e tecnologia coloca em risco intimidade de usuários — Foto: Luciana Maline/TechTudo

Sexting: prática que une sexo e tecnologia coloca em risco intimidade de usuários — Foto: Luciana Maline/TechTudo

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O que é sexting?

O termo "sexting" é a junção das palavras das palavras "sex" e “texting”, que pode ser traduzida livremente como "sexo por mensagens de texto". Atualmente, a palavra tem um significado mais abrangente e se refere também o envio de fotos, vídeos e mensagens de áudio. Isso se deve à modernização da prática com o avanço das tecnologias móveis e a chegada de aplicativos de bate-papo, como WhatsApp, Messenger, Instagram e Snapchat, que permitiram novas possibilidades. Assim, o sexting passa a ser entendido de uma maneira ampla, como a troca de conteúdo erótico pessoal por qualquer meio eletrônico.

Sobre sexting

Um em cada quatro jovens admite já ter recebido mensagens de conteúdo sexual. A constatação é feita por um estudo publicado pelo Journal of the American Medical Association Pediatrics. A pesquisa aponta também que um em cada sete afirma ter já ter praticado sexting. Quanto à frequência de compartilhamento, cerca de 27,4% recebem materiais como conotação erótica, enquanto 14,8% são responsáveis por esse tipo de abordagem.

Os pesquisadores conseguiram identificar que 12% dos jovens entrevistados já mandaram "sexts" (termo em inglês aplicado a esse tipo de mensagem) para terceiros e cerca de 8,4% já souberam de algum conteúdo explícito seu que foi repassado sem autorização. Desse modo, o estudo indica a tendência desse tipo de comportamento na adolescência, além de ressaltar a prática como fator associado ao desenvolvimento sexual desse grupo.

Para alcançar esse resultado, os pesquisadores analisaram dados de 39 estudos realizados entre janeiro de 1990 e junho de 2016, referentes a mais de 110 mil jovens, com menos de 18 anos, de diversos países do mundo.

O que é sexting? Saiba tudo sobre a prática de sexo por mensagens — Foto: Reprodução/Kaspersky Lab O que é sexting? Saiba tudo sobre a prática de sexo por mensagens — Foto: Reprodução/Kaspersky Lab

O que é sexting? Saiba tudo sobre a prática de sexo por mensagens — Foto: Reprodução/Kaspersky Lab

Possíveis riscos e como se proteger

Apesar da popularidade, é importante estar atento sobre os possíveis riscos de compartilhar momentos íntimos na Internet. Os vazamentos de conteúdos desse tipo na rede seja por vingança (conhecido como revenge porn) ou invasão de algum cibercriminoso aos dados da vítima têm sido recorrentes. Um caso recente é da cantora pop brasileira Luísa Sonza de 20 anos, esposa do humorista e youtuber Whindersson Nunes. Ela teve uma foto nua divulgada no Stories de sua conta no Instagram em 3 de fevereiro de 2019. Na ocasião, a celebridade afirmou que teve dificuldades para acessar o perfil da rede social antes do vazamento ocorrer.

Além de o remetente do conteúdo ser uma pessoa de confiança, a recomendação para se prevenir contra esse tipo de situação é manter uma conexão de Internet segura – ou seja, evitar redes públicas, por exemplo. É importante também dar preferência ao uso de aplicativos com sistema de criptografia de ponta a ponta, como WhatsApp e Telegram. Uma sugestão é preferir redes privadas com senhas e, de preferência, que usem protocolos de certificação, como WPA2, que buscam garantir um ambiente virtual menos suscetível para o acesso de pessoas mal-intencionadas.

O outro quesito de proteção se aplica aos softwares que adotam a metodologia que impede a interceptação dos dados compartilhados, inclusive pelo times de desenvolvedores. As técnicas de criptografia desconfiguram toda a linguagem cibernética referente àquele conteúdo e, dessa forma, caso os dados caiam em mão erradas, a pessoa teria apenas uma lista desordenada e aparentemente sem sentido de caracteres, que não leva a lugar nenhum. Dicas como não compartilhar senhas ou códigos de aparelhos celulares com terceiros também ajudam a manter uma experiência mais proveitosa na Internet.

É importante ressaltar que a divulgação de fotos ou vídeos eróticos sem o consentimento do dono acarreta nos crimes de difamação ou injúria, com base nos artigos 139 e 140 do Código Penal.

Apps com segurança reforçada

A partir da sugestão de uso dos aplicativos com um sistema de segurança reforçado, o Telegram – considerado rival do WhatsApp – ganhou três milhões de usuários em março deste ano por causa da instabilidade de outras redes sociais. No mensageiro, os interessados podem criar chats secretos, que prometem a privacidade nas conversas e permitem enviar mensagens autodestrutivas.

Ao usar a função "chat secreto", se o bate-papo for apagado em um dos celulares, ele também some no outro. Além disso, as mensagens expiram depois de um tempo. O app grátis está disponível para celulares Android, iPhone (iOS) e Windows Phone, além das versões para desktop e web. Dessa forma, a plataforma pode ser uma alternativa para quem prefere esse tipo de interação.

Outra plataforma que pode ser usada na intenção de compartilhar conteúdos eróticos é do mensageiro Signal. O serviço grátis oferece um sistema de proteção reconhecido no mercado de softwares, como indica o portal especializado em tecnologia TechCrunch. Disponível para dispositivos do Google e da Apple, toda a troca de textos e arquivos no aplicativo é encriptada e o usuário pode definir um tempo limite para que o conteúdo que enviado permaneça acessível.

 Como usar o Signal, mensageiro superseguro para Android e iPhone — Foto: Daniel Dutra/TechTudo  Como usar o Signal, mensageiro superseguro para Android e iPhone — Foto: Daniel Dutra/TechTudo

Como usar o Signal, mensageiro superseguro para Android e iPhone — Foto: Daniel Dutra/TechTudo

Há outras aplicações que também disponibilizam um ambiente menos arriscado para o sexting. Este é o caso do Snapchat, Dust e Stealthy. O primeiro funciona como uma rede social que mantém qualquer material compartilhado visível por alguns segundos. Além disso, ele avisa imediatamente caso o remetente faça uma captura de tela (screenshot). No mensageiro Dust, as conversas não são registradas na plataforma nem na memória do dispositivo. O recado é excluído em poucos segundos após a visualização por quem recebeu e a mensagem também pode ser eliminada mesmo após envio. O app também indica se for feito um registro da tela.

Assim como o Telegram, o Stealthy se baseia no programa de Blockstack, um descentralizador de Internet. Com esse mecanismo ativado, o sistema mantém todo o conteúdo compartilhado com acesso restrito aos integrantes da conversa. Os três softwares estão disponíveis para o sistema operacional do Google e da Apple – além de versão web no caso do último.

Emojis sexuais

Outra forma de expressão incorporada à prática de sexting são emojis sexuais nas mensagens. As figurinhas representam de forma visual as intenções de quem envia o recado em mensageiros e redes sociais. Dessa forma, eles são capazes de contextualizar o assunto e trazer nuances à comunicação virtual. Alguns exemplos comuns são: carinha sorrindo com um olhar enigmático (😏), piscando (😉) ou enviando um beijo (😘), até outros mais sugestivos como língua (👅), beringela (🍆) e gotículas (💦). Os recursos podem ser muito úteis para aqueles que gostam de flertar por mensagens virtuais.

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