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Por Filipe Garrett, para o TechTudo


As TVs com resolução 8K já são uma realidade. Diversas fabricantes, como Sony, LG, TCL, já revelaram suas apostas e a Samsung foi a primeira a lançar a novidade no Brasil: a Q900R desembarcou por aqui com preços que vão de R$ 24.999 mil até R$ 89.999. No entanto, o a chegada dessas televisões em um país que ainda não transmite sinal de TV em 4K pode causar dúvidas no usuário. Além disso, há limitações dos serviços de banda larga, já que a velocidade de transferência precisa ser alta para exibir conteúdos na resolução.

Na hora de investir em uma televisão do tipo, vale se perguntar se existe conteúdo próprio para assistir ou jogar em 8K, e se a qualidade de imagem de fato compensa o alto valor. Para ajudar a descobrir se vale a pena, o TechTudo reuniu pontos positivos e negativos de adquirir uma TV com resolução 8K já em 2019, quando a tecnologia está começando a chegar.

Conheça a linha de TVs 8K da Samsung, apresentada na IFA 2018

Conheça a linha de TVs 8K da Samsung, apresentada na IFA 2018

Vantagens

Benefício para as telas grandes

Um dos principais pontos favoráveis às novas TVs, além da resolução, é o tamanho da tela. A linha da Samsung, por exemplo, conta com opções a partir de 65 polegadas. No momento, esses aparelhos são os que mais se beneficiam de resoluções quatro vezes maiores que o 4K. Uma tela de 80 polegadas e resolução 8K, por exemplo, vai ter uma imagem mais definida em relação ao 4K, dada a densidade de pixels do display.

Dessa forma, é possível instalar telas enormes desse tipo em cômodos de diferentes tamanhos, sem se preocupar com o efeito pixelado na visualização. Esse tipo de problema é comum em situações em que a TV é muito grande para o espaço disponível para assistir.

TVs de tela grande se beneficiam do salto de resolução e podem ficar mais confortáveis de usar, mesmo em cômodos menores — Foto: Luciana Maline/ TechTudo TVs de tela grande se beneficiam do salto de resolução e podem ficar mais confortáveis de usar, mesmo em cômodos menores — Foto: Luciana Maline/ TechTudo

TVs de tela grande se beneficiam do salto de resolução e podem ficar mais confortáveis de usar, mesmo em cômodos menores — Foto: Luciana Maline/ TechTudo

Marcas prometem upscaling poderoso

Upscaling é o nome da técnica que usa um software para fazer com que uma imagem de resolução menor seja exibida com uma resolução maior. Algumas TVs 4K, por exemplo, fazem isso para reproduzir imagens transmitidas por canais de TV. A técnica vem apresentando saltos de qualidade interessantes nos últimos anos, como o emprego de inteligência artificial na tarefa de analisar cada frame do conteúdo para converter a uma resolução mais alta.

Ainda é cedo para garantir que os recursos de upscaling realmente cumprem o que prometem. Mas, em caso afirmativo, eles podem tornar o uso de um televisor 8K muito mais viável do que o 4K foi no início de sua implementação.

Promessa de técnicas avançadas de upscaling são uma das apostas para as TVs 8K — Foto: Tainah Tavares/TechTudo Promessa de técnicas avançadas de upscaling são uma das apostas para as TVs 8K — Foto: Tainah Tavares/TechTudo

Promessa de técnicas avançadas de upscaling são uma das apostas para as TVs 8K — Foto: Tainah Tavares/TechTudo

Streaming de jogos

Esse aspecto ainda esbarra em uma série de incógnitas, como preços e velocidade de Internet, mas algumas fabricantes já prometem jogos em 8K no futuro. É o caso do Google com o recém-anunciado Stadia. Como se trata de uma plataforma de streaming de games, rodada em servidores, tecnicamente, os jogos em 8K poderiam se tornar viáveis muito mais cedo do que seria possível com consoles e PCs convencionais.

Desvantagens

Sem sinal de TV

Os canais de TV no Brasil realizam suas transmissões em resoluções HD (720p) ou Full HD (1080p). Levando em conta o sinal analógico de TV, a situação é ainda pior, com resoluções como o SD (480p). Assim como diversos outros países, o mercado brasileiro ainda não abraçou o padrão 4K, o que significa que TVs com resolução acima do Full HD, como é o caso do 8K, não vão apresentar diferenças na hora de assistir a canais a cabo e de sinal aberto.

A promessa, segundo Anatel e outras empresas responsáveis, é de que o sinal 4K comece a chegar ao brasileiro em 2020. Caso a infraestrutura necessária fique pronta e o UHD passe a integrar a oferta de conteúdo dos serviços de TV do país, serão oito anos desde a chegada dos primeiros televisores com a resolução no mercado. Esse é um indício de que o investimento em uma TV 8K pode demorar a oferecer o devido retorno.

Streaming é quase inviável com a Internet atual

Q900R chegou ao Brasil com 8K — Foto: Anna Kellen Bull/TechTudo Q900R chegou ao Brasil com 8K — Foto: Anna Kellen Bull/TechTudo

Q900R chegou ao Brasil com 8K — Foto: Anna Kellen Bull/TechTudo

Usuários de televisores 4K podem justificar o investimento pela possibilidade de usar serviços de streaming como o Netflix para assistir a conteúdos nessas resoluções, desde que tenham uma conexão que ofereça um mínimo de 25 Mb/s de banda. Pesquisas de velocidade recentes divulgadas pelo serviço mostram que o mercado brasileiro ainda está bem longe desse patamar médio.

Considerando que a resolução de 8K representa quatro vezes o volume de pixels do 4K, fica fácil perceber que a exigência de rede para assistir a filmes e séries via streaming nessas condições deve ser muito alta. Embora não exista um serviço que distribua oficialmente conteúdos em 8K, as estimativas para a taxa mínima durante essas transmissões são de cerca de 100 Mb/s.

Para ter uma ideia do impacto desse volume de dados na conexão, faça o teste no YouTube. O site tem alguns conteúdos em 8K que podem ser assistidos no computador, basta selecionar na hora de assistir.

Jogos podem demorar bastante

8K exige hardware poderoso e pode estar ainda longe de se tornar popular — Foto: Tainah Tavares/TechTudo 8K exige hardware poderoso e pode estar ainda longe de se tornar popular — Foto: Tainah Tavares/TechTudo

8K exige hardware poderoso e pode estar ainda longe de se tornar popular — Foto: Tainah Tavares/TechTudo

Os games são uma forma de atrair consumidores para novas tecnologias, como foram os casos das telas Full HD e 4K com HDR. Entretanto, embora exista a promessa do jogos em 8K, eles podem demorar alguns anos para se tornarem acessíveis.

Isso deve acontecer porque um PC rodando um jogo em 4K a 60 fps está, na verdade, desenhando 60 atualizações de tela por segundo, com 8.294.400 de pixels em cada uma dessas novas imagens. Cada um desses pixels é desenhado ainda considerando detalhes de física e iluminação, que impõe ainda mais demanda sobre o hardware, além dos aspectos de simulação que variam de um jogo para outro.

Portanto, o mesmo jogo em 8K desenharia cerca de 33.177.600 pixels, 60 vezes por segundo. Todo esse volume está bem longe do que as placas de vídeo mais caras do mercado conseguem fazer para rodar jogos atuais.

8K de primeira geração e o futuro

Selo UltraHD Premium nasceu para organizar a confusão de padrões e a polêmica do "4K real": 8K pode precisar de coisa parecida — Foto: Divulgação/UHD Alliance Selo UltraHD Premium nasceu para organizar a confusão de padrões e a polêmica do "4K real": 8K pode precisar de coisa parecida — Foto: Divulgação/UHD Alliance

Selo UltraHD Premium nasceu para organizar a confusão de padrões e a polêmica do "4K real": 8K pode precisar de coisa parecida — Foto: Divulgação/UHD Alliance

As primeiras TVs 4K vinham com quatro vezes mais pixels do que as telas Full HD, mas, apesar desse ganho, pouca coisa mudou em termos de qualidade de imagem e fidelidade de cor. Outro detalhe é que os primeiros anos do 4K foram recheados de controvérsias relacionadas com as TVs que tinham o “4K real” ou “4K falso”. O HDR em si só se tornaria um padrão comercial alguns anos depois dos primeiros modelos, e a tecnologia ainda passou por revisões. O HDR10+ de hoje, por exemplo, é bem superior à primeira versão do recurso.

Tanta confusão motivou a indústria a se reunir e criar o selo UltraHD Premium, que determina que o televisor é 4K e atende a uma série de requisitos mínimos de qualidade. É incerto como a indústria vai implementar o 8K, mas é possível que algo do tipo aconteça, com diferentes tecnologias e cheias de inconsistências entre si.

Preço

Samsung QLED Q7F tem versão de 65" com a mesma tecnologia de tela usada nos modelos 8K e custa menos da metade do preço — Foto: Yuri Hildebrand/TechTudo Samsung QLED Q7F tem versão de 65" com a mesma tecnologia de tela usada nos modelos 8K e custa menos da metade do preço — Foto: Yuri Hildebrand/TechTudo

Samsung QLED Q7F tem versão de 65" com a mesma tecnologia de tela usada nos modelos 8K e custa menos da metade do preço — Foto: Yuri Hildebrand/TechTudo

Outra desvantagem é o preço. A Samsung, que inaugurou o mercado das TVs 8K no país, chegou com a Q900R, disponível nas opções de 65, 75 e 82 polegadas. Os preços variam entre R$ 24.999 e R$ 89.999, variando de acordo com o tamanho de tela. Usando a Samsung como parâmetro, é possível comparar Q900R com versões de tela QLED 4K atuais da marca. Uma Q7F de 65 polegadas, que chegou ao Brasil em 2017, é encontrada no país por valores a partir de R$ 12.220, menos da metade do preço do modelo equivalente com tela 8K.

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