Celulares

Por FIlipe Garrett, para o TechTudo


A ARM Holdings entrou hoje pata a lista de empresas que decidiram interromper contratos e relações comerciais com a Huawei. A decisão se estende à subsidiária HiSilicon, responsável pelo desenvolvimento e fabricação dos processadores Kirin usados nos smartphones da marca. Segundo a BBC, a ARM tem instruído seus funcionários a interromperem contratos e relações com os chineses.

A britânica ARM é a criadora das tecnologias básicas incorporadas em processadores para celulares, como o chamado conjunto de instruções e o design de referência dos núcleos de processamento que fazem parte de celulares de todas as marcas, independente da origem de suas CPUs. Sem acesso a essas tecnologias, a Huawei fica impossibilitada de colocar no mercado novos processadores Kirin.

Perda de acesso às tecnologias da ARM complica a situação da Huawei que pode ter de interromper o desenvolvimento de novos produtos — Foto: Nicolly Vimercate/TechTudo Perda de acesso às tecnologias da ARM complica a situação da Huawei que pode ter de interromper o desenvolvimento de novos produtos — Foto: Nicolly Vimercate/TechTudo

Perda de acesso às tecnologias da ARM complica a situação da Huawei que pode ter de interromper o desenvolvimento de novos produtos — Foto: Nicolly Vimercate/TechTudo

O movimento é um golpe duro à Huawei: caso a crise persista e a interrupção nas relações com a ARM seja prolongada, a atuação tanto no mercado de infraestrutura de telefonia, quanto no de smartphones ficaria comprometida.

Isto porque processadores avançados usados em celulares de ponta– seja o A12 da Apple, o Snapdragon 855 da Qualcomm ou o Kirin da Huawei/HiSilicon – usam tecnologias fundamentais da ARM. Os fabricantes dependem de contratos firmados junto à ARM para ter acesso às tecnologias e poder implementá-las em novos produtos.

O mais grave sob o ponto de vista da Huawei é que não há como substituir a ARM, ao contrário do que é possível com alguns outros serviços e tecnologias que também fazem parte do bloqueio: a fabricante chinesa tem manifestado interesse em desenvolver um novo sistema para enfrentar o bloqueio ao uso do Android e ao Windows.

Há notícias de que, antecipando a crise, a Huawei formou um grande estoque de componentes, como processadores da Intel usados em seus notebooks, para enfrentar ao menos três meses de bloqueio.

Processadores de celular das mais variadas origens usam como base as mesmas tecnologias da ARM — Foto: Divulgação/ARM Processadores de celular das mais variadas origens usam como base as mesmas tecnologias da ARM — Foto: Divulgação/ARM

Processadores de celular das mais variadas origens usam como base as mesmas tecnologias da ARM — Foto: Divulgação/ARM

Entretanto, a relação com a ARM se dá de uma forma diferente, já que a companhia britânica não fabrica processadores: ela basicamente vende direito de uso da sua tecnologia – você pode comparar essa relação à de um arquiteto que vende uma planta, não uma casa – para interessados, que então se encarregam de aplicar esse design (a planta, na nossa analogia) em um produto.

Como não é possível fabricar um processador compatível com tecnologias da ARM sem essa permissão, a Huawei pode enfrentar dificuldade em atualizar o portfólio de produtos no futuro caso o impasse não seja resolvido. A subsidiária brasileira iniciou as vendas do P30 Pro na semana passada.

Além dos processadores para celulares, tecnologia da ARM também é usada em componentes instalados nos equipamentos de infraestrutura de telefonia da Huawei, mercado em que a chinesa é líder global.

Via BBC e The Verge

Huawei P30 Pro chega ao Brasil

Huawei P30 Pro chega ao Brasil

Mais do TechTudo