Por Thássius Veloso — Florianópolis

Huawei Mate X aparece pela primeira vez no Brasil em demonstração de 5G Huawei Mate X aparece pela primeira vez no Brasil em demonstração de 5G
Thássius Veloso/TechTudo

Alvo de dúvidas no exterior, o celular dobrável da Huawei foi exibido pela primeira vez ao grande público no Brasil: a cena ocorreu em Florianópolis, onde a gigante chinesa participa de um projeto-piloto para demonstrar as funcionalidades do 5G com o smartphone Huawei Mate X. A fabricante decidiu rever o processo de fabricação do aparelho motivada pelo ocorrido com a Samsung, que se viu envolta em grande polêmica e questionamentos sobre a qualidade do rival Galaxy Fold. Ambos estão atrasados e devem chegar ao mercado no segundo semestre, para tristeza de quem aguardava a nova onda da indústria.

O smartphone dobrável fez bonito: acessou a rede 5G com velocidade máxima de 1.033 Mb/s (Megabits por segundo, o famoso Mega) para baixar arquivos e de 92,4 Mb/s para envio de informações. O experimento da TIM marca um novo momento do ciclo de 5G no país por acontecer em ambiente com condições reais, no campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Visitantes podem conhecer o smartphone e participar de outras atividades.

Display do Huawei Mate X tem 6,6 polegadas em modo smartphone — Foto: Thássius Veloso/TechTudo Display do Huawei Mate X tem 6,6 polegadas em modo smartphone — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

Display do Huawei Mate X tem 6,6 polegadas em modo smartphone — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

No caso do acesso pessoal, as velocidades auferidas pelo aplicativo Speedtest da Ookla já começam em 817 Mb/s. Equivale a um download cem vezes mais rápido que a média entre clientes do 4G da TIM, de 7,97 Mb/s, segundo levantamento divulgado pela consultoria Tutela em maio. O dispositivo repetiu feito na China, quando também bateu transmissão de dados acima de 1.000 Mb/s no início de junho.

A rapidez no acesso depende de diversos fatores, como a disposição de prédios ao redor e até mesmo condições climáticas. Também é preciso considerar que o experimento ocorre com poucos dispositivos conectados à antena, diferentemente da realidade de muitas cidades brasileiras, em que milhares de consumidores acessam a mesma rede.

Redes 5G e 4G lado a lado — Foto: Thássius Veloso/TechTudo Redes 5G e 4G lado a lado — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

Redes 5G e 4G lado a lado — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

5G no Brasil: em 2020

O diretor de engenharia de rede da TIM, Marco di Costanzo, explica que o 5G entrará em fase de consulta pública no segundo semestre de 2019. Operadoras, empresas de infraestrutura, demais participantes do setor e sociedade em geral poderão propor o melhor modelo para habilitar a tecnologia no país.

Em seguida, no primeiro semestre de 2020, espera-se que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) realize o leilão de espectro. Esta etapa é fundamental para que cada empresa de telefonia saiba exatamente em qual faixa poderá fornecer o serviço. Numa analogia com o mundo dos carros, é como se o governo preparasse a licitação de uma nova rodovia e já definisse quais classes de carros poderão transitar em cada uma das pistas.

Marco di Costanza apresenta pilotos da TIM na Itália — Foto: Thássius Veloso/TechTudo Marco di Costanza apresenta pilotos da TIM na Itália — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

Marco di Costanza apresenta pilotos da TIM na Itália — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

O futuro 5G brasileiro deve funcionar na faixa de 3,5 GHz, a mesma utilizada por sinais de TV via satélite e parabólica em algumas regiões. Há receio de que os telespectadores sejam prejudicados pela novidade. Costanzo esclarece que é possível manter os dois serviços (telefonia e TV) funcionando simultaneamente: o convívio é possível, mas requer um “filtro de baixo custo”. O executivo deu a entender que o grupo de operadoras de telefonia poderia custear a distribuição dos kits para espectadores possivelmente afetados.

Huawei enfrenta crise com EUA

Outro entrave do 5G tem a ver com a parceria tecnológica no projeto-piloto de Florianópolis. A Huawei disponibilizou diversos equipamentos de rede e também uma unidade do smartphone dobrável Huawei Mate X para que jornalistas e convidados acompanhassem os testes de velocidade. No entanto, a empresa é alvo de diversas sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos. Na prática, não poderá participar da implementação do 5G naquele país e ainda perderá acesso a tecnologias fornecidas por empresas americanas, tais como o sistema Android desenvolvido do Google.

“É um tema que acompanhamos com muito cuidado. A Huawei é um parceiro tecnológico de longa data. Por enquanto não temos nenhuma restrição”, diz Costanzo. Por sinal, os jornalistas não puderam nem sequer tocar no dispositivo, mas apenas observar e fotografá-lo. Todos os ícones e o sistema estão em português.

Detalhe das dobras na traseira do Huawei Mate X — Foto: Thássius Veloso/TechTudo Detalhe das dobras na traseira do Huawei Mate X — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

Detalhe das dobras na traseira do Huawei Mate X — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

A TIM irá realizar experiências similares em Santa Rita do Sapucaí (MG) e em Campina Grande (PE). Já a Oi faz testes de 5G em Búzios (RJ). A Huawei é tida como um dos principais atores deste setor, mas tem concorrência da Ericsson e da Nokia (empresa de infraestrutura; não confundir com a marca Nokia de dispositivos, responsável pelo recente lançamento do Nokia 2.2).

A operadora chegou a usar anteriormente o Mate X numa convenção de vendas fechada a funcionários.

O jornalista viajou a convite da TIM.

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