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Por Paulo Alves, para o TechTudo


A Apple contrata funcionários para ouvir gravações de usuários com o objetivo de treinar a assistente virtual Siri. Segundo uma publicação do The Guardian desta sexta-feira (26), um corpo de terceirizados tem acesso a trechos de áudio capturados pelo iPhone, Apple Watch e HomePod – muitas vezes, contendo informações privadas, como conversas entre médico e paciente, negociações, compra de drogas e pessoas fazendo sexo. Procurada pelo jornal, a Apple confirmou que humanos têm acesso a uma quantidade pequena de áudios da Siri para ajudar a detectar falhas técnicas.

A empresa, no entanto, nega que seja possível identificar usuários por meio das gravações. “Uma pequena parte dos comandos feitos à Siri é analisada para melhorar a assistente e a função de ditado. As solicitações da pessoa não estão associadas ao Apple ID do usuário. As respostas da Siri são analisadas em instalações seguras e todos os revisores estão sob a obrigação de aderir aos requisitos rigorosos de confidencialidade da Apple”, explicou a companhia ao The Guardian.

Funcionários da Apple ouvem gravações de usuários para treinar Siri — Foto: Marvin Costa/TechTudo Funcionários da Apple ouvem gravações de usuários para treinar Siri — Foto: Marvin Costa/TechTudo

Funcionários da Apple ouvem gravações de usuários para treinar Siri — Foto: Marvin Costa/TechTudo

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A informação veio à tona após um desses empregados, cuja identidade não foi divulgada, revelar o trabalho para o The Guardian. De acordo com a fonte, o conteúdo gravado é fornecido aos funcionários junto com localização, detalhes de contato e dados de aplicativos usados pelo dono do aparelho.

Ele conta que a Apple não pede detalhes sobre o que foi ouvido. A única ação que se pode tomar é enviar um relatório apontando possível falha técnica – ou seja, a empresa só pediria para informar se uma determinada gravação indica se a Siri foi ou não ativada sem querer.

A Apple confirmou que as tarefas desses funcionários envolvem apontar situações em que a Siri é ativada por engano. As gravações acessadas por humanos teriam, segundo a empresa, “apenas alguns segundos de duração” e representariam menos de 1% de tudo o que a assistente captura.

Apple Watch é o campeão em ativar a Siri por engano — Foto: Thássius Veloso/TechTudo Apple Watch é o campeão em ativar a Siri por engano — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

Apple Watch é o campeão em ativar a Siri por engano — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

No entanto, o funcionário alega que o trabalho envolve ouvir trechos de gravação por vários segundos para entender se o usuário chamou a assistente propositalmente ou não. O campeão de ativações por engano é o Apple Watch. Segundo a fonte ouvida pelo jornal, o relógio grava trechos de cerca de 30 segundos em que seria possível “ter uma boa ideia sobre o que está acontecendo”.

Nos seus termos de uso, a Apple diz que os dados capturados pela Siri podem ser usados para ajudar a assistente, a aprimorar o ditado e a reconhecer melhor o jeito que o usuário fala. No entanto, a empresa não deixa claro que outras pessoas podem ouvir trechos de gravações nesse processo.

Vale lembrar que a Amazon também entrou em uma polêmica envolvendo sua assistente virtual Alexa recentemente. No começo do mês, a empresa confirmou que guarda transcrições de comandos ditados para a Alexa mesmo se o usuário decidir apagar as gravações de voz manualmente. De acordo com a companhia, esses dados são usados para que o Amazon Echo possa entender quando está sendo chamado pelo dono sem precisar fazer contato com os servidores. Não ficou claro, porém, se as informações ficam armazenadas apenas no próprio aparelho.

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