Segurança

Por Nicolly Vimercate — Puerto Iguazu, Argentina*


Propagandas agressivas, sem opção de sair, que ocupam toda a tela e afetam a experiência de uso do celular estão cada vez mais comuns. Cinco em cada 10 ameaças digitais a celulares na América Latina são desse tipo. É o que aponta o levantamento da Kaspersky apresentado na última quarta-feira (28).

Os chamados adwares se instalam junto com outros apps, de forma silenciosa, mas são capazes de atrapalhar a vida das pessoas. Além de “saltarem” na tela do aparelho de forma inconveniente, esse tipo de malware pode monitorar os hábitos do dono do celular para roubar dados para vender por aí.

Fabio Assolini mostra levantamento da Kaspersky sobre ameaças na América Latina — Foto: Nicolly Vimercate/TechTudo Fabio Assolini mostra levantamento da Kaspersky sobre ameaças na América Latina — Foto: Nicolly Vimercate/TechTudo

Fabio Assolini mostra levantamento da Kaspersky sobre ameaças na América Latina — Foto: Nicolly Vimercate/TechTudo

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Na América Latina, a Kaspersky detectou 6,2 ataques de ataque de malware a smartphones por minuto no último ano, dos quais, metade eram do tipo adware. O motivo? "A indústria do freeware", como explica Fabio Assolini, analista sênior de segurança da Kaspersky. "Todo mundo quer aplicativo de graça, mas alguém tem que pagar a conta". Para o especialista, o crescimento do número de infecções por adwares nos celulares tem sua origem na forma que os desenvolvedores escolhem para monetizar seus aplicativos.

Cinco em cada 10 ameaças a celulares na América Latina são adwares — Foto: Divulgação/Kaspersky Cinco em cada 10 ameaças a celulares na América Latina são adwares — Foto: Divulgação/Kaspersky

Cinco em cada 10 ameaças a celulares na América Latina são adwares — Foto: Divulgação/Kaspersky

"O desenvolvedor pensa: 'tenho que oferecer o app gratuitamente se não ninguém instala'. O usuário fala: 'só quero se for gratuito'. Mas quem criou o app quer ter retorno do tempo que gastou. Infelizmente, a forma que muitos têm escolhido é agressiva para o usuário. Eles adotam SDKs, que são ferramentas de terceiros para desenvolver os apps, já infectados com os adwares. Com a visualização dos anúncios, o dono do SDK ganha uma parte, o dono do aplicativo ganha outra, e quem fica com a conta é o usuário, que paga sacrificando sua experiência de uso do celular ou entregando seus dados".

Sim, os adwares não são apenas inconvenientes, eles também coletam dados para vender a terceiros. São informações sobre hábitos de navegação, histórico de buscas, e-mails cadastrados na agenda, geolocalização, enfim, tudo que puder ser vendido no mercado ilegal.

Brasil ocupa o 6º lugar no ranking global de países com mais ameaças a celulares — Foto: Divulgação/Kaspersky Brasil ocupa o 6º lugar no ranking global de países com mais ameaças a celulares — Foto: Divulgação/Kaspersky

Brasil ocupa o 6º lugar no ranking global de países com mais ameaças a celulares — Foto: Divulgação/Kaspersky

Como se proteger

O Brasil é o primeiro da América latina e o 6º no ranking global de infecções por malware (PC e celular). Além dos adwares, no top 10 das ameaças, também aparecem URLs maliciosas que chegam por WhatsApp ou SMS e levam a sites falsos ou infectados, e apps do tipo trojan, que se instalam escondidos no aparelho e são usados para roubar credenciais bancárias.

Entre os motivos para os altos números de infecções estão a falta de educação digital somada à criatividade e o "jeitinho brasileiro" dos criminosos. Resultado: muitas vítimas.

"O criminoso pega algo que todo mundo quer ou um assunto que ele sabe que é de grande interesse para fazer o ataque, eles sabem escolher bem o tema", alerta Assolini. Além disso, o especialista acrescenta: "as ameaças para celular chegam encaminhadas pelo WhatsApp por alguém que você conhece ou por um SMS que você jura que foi o banco que mandou, por exemplo".

“Não há nada ‘grátis’ no mundo digital”

Mudar isso pode dar trabalho e a prevenção passa pela desconfiança de que se algo na Internet é gratuito, provavelmente, trará prejuízo para o usuário. “Não há nada ‘grátis’ no mundo digital”, completa o analista.

*A jornalista viajou para a Argentina a convite da Kaspersky

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