Segurança

Por Ana Letícia Loubak, para o TechTudo


Criminosos utilizaram um software de inteligência artificial (IA) para clonar a voz e se passar pelo CEO de uma empresa alemã dona de uma subsidiária de energia do Reino Unido. Segundo reportagem publicada pelo Wall Street Journal na última sexta-feira (30), a fraude gerou um prejuízo de € 220 mil (cerca de R$ 1,1 milhão, em conversão direta) à companhia.

O golpe ocorreu em março, quando os fraudadores recorreram ao programa de geração de voz para imitar o CEO alemão e enganar um de seus subordinados, o diretor-executivo da subsidiária do Reino Unido. Os criminosos ligaram para o CEO britânico e pediram que transferisse fundos para um fornecedor húngaro em uma hora, com a garantia de que o dinheiro seria reembolsado.

Criminosos usaram inteligência artificial para imitar a voz de CEO e enganar subordinado com ligação fraudulenta — Foto: Pond5 Criminosos usaram inteligência artificial para imitar a voz de CEO e enganar subordinado com ligação fraudulenta — Foto: Pond5

Criminosos usaram inteligência artificial para imitar a voz de CEO e enganar subordinado com ligação fraudulenta — Foto: Pond5

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Ao escutar a voz e o sotaque alemão do chefe, o executivo atendeu o pedido sem questionar. Acontece que o montante não só não foi reembolsado, como os fraudadores solicitaram outra transferência. Desta vez, no entanto, o CEO britânico desconfiou que algo estivesse errado e se recusou a fazer a transação.

Os fundos transferidos para a Hungria foram repassados para contas no México e em outros locais. As autoridades competentes permanecem investigando o caso, mas ainda não identificaram os suspeitos envolvidos no crime. Como a empresa de energia era segurada pelo Euler Hermes Group, o montante perdido na transferência fraudulenta foi coberto. O nome da companhia e das partes envolvidas não foram divulgados.

Um futuro preocupante?

Os avanços da inteligência artificial, capaz de criar máquinas e softwares com a habilidade de pensar e agir como humanos, preocupam cientistas e entidades governamentais. Em dezembro de 2018, o Congresso norte-americano criou projetos de lei para criminalizar os vídeos deepfake, que usam a tecnologia para trocar rostos de pessoas e colocá-las em situações pelas quais nunca passaram na vida real. Cada vez mais precisa, a técnica pode trazer impactos significativos no contexto político.

Também no ano passado, a Pindrop, empresa de segurança da informação que oferece soluções antifraude para call centers, reportou um crescimento de 350% em fraudes de voz entre 2013 e 2017. Só nos anos 2016 e 2017, uma em cada 638 chamadas foi criada artificialmente. Assistentes virtuais como Siri e Cortana, ferramentas de reconhecimento facial, carros inteligentes e robôs que desempenham funções de trabalhadores também são exemplos de aplicações da inteligência artificial.

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