MP3 player

Por Igor Nishikiori, para o TechTudo


A tarefa de ouvir música no início do milênio não era tão simples. Sem a tecnologia presente nos dias atuais, como Spotify, Deezer e YouTube Music, por exemplo, o consumo de música nos anos 2000 girava em torno do MP3 e também de alguns sites e programas que foram criados para atender a esta necessidade.

Para relembrar a época, o TechTudo preparou uma lista com oito coisas que todo mundo usava para ouvir música nos anos 2000.

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Discman

Discman foi popular nos anos 80 até os anos 2000  — Foto: Divulgação/Sony Discman foi popular nos anos 80 até os anos 2000  — Foto: Divulgação/Sony

Discman foi popular nos anos 80 até os anos 2000 — Foto: Divulgação/Sony

Sucessor dos discos de vinil das décadas de 70 e 80, o CD se tornou o item queridinho no início dos anos 2000. Para acompanhar a tendência, o tocador portátil, o Discman, também passou a ter novas funções, como ler CD-R com arquivos MP3, que permitiam colocar centenas de faixas em um único disco. Além disso, a prática de fazer coletâneas (as chamadas mixtapes) voltou com tudo graças ao CD-R.

Porém, a popularização dos tocadores de MP3 acabou aposentando de vez o Discman. As vantagens do novo gadget eram consideráveis: eram menores, consumiam menos pilha e armazenavam mais músicas. Atualmente, com o advento dos smartphones, ambos fazem parte do passado.

Minidisc

Sony tentou dar um novo gás ao Minidisc com o MD Walkman — Foto: Reprodução/Wikimedia Commons Sony tentou dar um novo gás ao Minidisc com o MD Walkman — Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Sony tentou dar um novo gás ao Minidisc com o MD Walkman — Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Criado pela Sony, o Minidisc era considerado uma versão superior do CD, pois era mais compacto e era envolvido em uma cápsula que não riscava e era à prova de “pulos” na música. O aparelho ficou muito famoso na Ásia, mas nas Américas e também no Brasil, o formato não fez sucesso: a falta de apoio das gravadoras aliado ao preço mais alto impediu que os Minidiscs tivessem sucesso fora do Japão. No Brasil, quem quisesse curtir os disquinhos precisava recorrer à importação.

Além disso, o Minidisc acabou atropelado pela própria evolução da tecnologia. Lançado em 1992, o formato foi superado no final da década pela popularização dos MP3 e dos gravadores de CD-R.

Em 2004, a Sony até tentou manter o Minidisc na ativa com o formato Hi-MD, com capacidade de armazenamento de até 1 GB e transferência de arquivos em MP3. Só que, mesmo assim, o Minidisc não decolou. A empresa encerrou a produção dos Minidiscs em 2013.

Tocadores de MP3

iPod da Apple foi campeão de vendas nos anos 2000 — Foto: Divulgação/Apple iPod da Apple foi campeão de vendas nos anos 2000 — Foto: Divulgação/Apple

iPod da Apple foi campeão de vendas nos anos 2000 — Foto: Divulgação/Apple

A popularização do formato MP3 fez com que muitas empresas criassem produtos específicos para ouvir músicas longe do computador. O primeiro deles foi o MPMan da empresa sul-coreana SaeHan, em 1998. Mas o aparelho que definiu seu meio foi o iPod da Apple.

Lançado em outubro de 2001, o iPod original vinha com 5GB de armazenamento e com o intuitivo controle clickwheel, que mudou a forma como o usuário podia controlar o aparelho. Por conta da qualidade da construção e do design, o aparelho da Apple logo se tornou campeão de vendas e virou o principal produto da marca da maçã até a chegada do iPhone, em 2007. Atualmente, apenas o iPod Touch ainda está em produção.

Na esteira do sucesso do iPod, outras empresas também lançaram seus tocadores de MP3. A Sony reviveu a marca Walkman, apostando na diversificação de design e na qualidade de áudio superior. O tocador ainda é produzido pela marca japonesa.

Já a Microsoft atacou lançando o Zune, em 2006. Com 30GB e rádio FM, o Zune 30 tinha potencial para incomodar a Apple, mas o aparelho fracassou. Mesmo assim, a empresa de Bill Gates continuou apostando no produto até que, em 2009, lançou o Zune HD. O dispositivo foi elogiado pela crítica por ser muito superior ao iPod Touch, só que ele veio tarde demais: os smartphones já eram uma realidade e o mundo caminhava nessa direção. Então, em 2011, a Microsoft decretou a morte do Zune.

MP4 player

MP4 Player era barato e quase nunca era bom — Foto: Divulgação/Intenso MP4 Player era barato e quase nunca era bom — Foto: Divulgação/Intenso

MP4 Player era barato e quase nunca era bom — Foto: Divulgação/Intenso

Quem não tinha muita grana para investir em um iPod tinha como saída comprar os chamados MP4 Player — que também eram chamados de MP5 ou até MP10, dependendo dos recursos extras que eles tinham. De origem chinesa, esses aparelhos vinham com funções como rádio FM, reprodutor de vídeos, câmera fotográfica e até sintonizador de TV. Porém, tudo isso era executado de maneira muito precária, o que lhes garantiu um outro apelido: iPobre.

Por outro lado, como tinham preços muito baixos, acabava sendo mais vantajoso apostar em vários MP4 do que comprar um iPod, por exemplo. A maioria dos aparelhos possuía uma memória que variava entre 2GB e 8GB. Isso garantia que o dispositivo pudesse ser usado também como pendrive.

Com a chegada dos smartphones, os MP4 players acabaram sumindo do mercado.

Mini system

Mini System Aiwa: produto era um 3 em 1 com som potente — Foto: Divulgação/Aiwa Mini System Aiwa: produto era um 3 em 1 com som potente — Foto: Divulgação/Aiwa

Mini System Aiwa: produto era um 3 em 1 com som potente — Foto: Divulgação/Aiwa

Um item popular em muitos lares brasileiros até hoje, o mini system é um aparelho de som 3 em 1 (tocador de CD, fita cassetes e rádio) com alto falantes potentes. Alguns modelos mais avançados vinham com bandeja de CDs em carrossel, que permitia colocar mais de um disco no aparelho, suporte a MP3 e caixas surround. Outro recurso extra era a entrada P2 que possibilitava, entre outras coisas, usar o aparelho para reproduzir o som do computador.

O mini system também tinha uma versão compacta chamada de micro system, que nada mais era do que uma versão repaginada dos antigos Boombox dos anos 70 e 80.

Programas para baixar músicas

Mesmo com vida curta, Napster deixou um enorme legado — Foto: Divulgação/Napster Mesmo com vida curta, Napster deixou um enorme legado — Foto: Divulgação/Napster

Mesmo com vida curta, Napster deixou um enorme legado — Foto: Divulgação/Napster

Sem a facilidade do YouTube ou Spotify, se o usuário quisesse ouvir uma música nos anos 2000, era preciso usar programas e download para baixar uma faixa inteira e ouvir no computador. O download poderia levar horas, dependendo da conexão. Para facilitar a vida do usuário, em 1999, um jovem chamado Shawn Fanning criou o Napster e revolucionou a maneira como a música passou a ser consumida no mundo.

Napster teve vida curta, já que em 2001 seu serviço foi fechado após sofrer forte pressão da indústria da música. Porém, o legado permaneceu. Programas como eMule e Kazaa, além da tecnologia torrent, usam o mesmo protocolo Peer to Peer (P2P) desbravado por Fanning e estão até hoje na ativa.

Em linhas gerais, o P2P funciona da seguinte forma: ao instalar o programa, ele escaneia todos os arquivos do computador e lista todos os arquivos de música e vídeos armazenados. Esses arquivos ficam disponíveis para que outros usuários copiem e baixem em seus respectivos computadores, criando uma rede sem a necessidade de um servidor central.

Sites para ouvir músicas

Rede social Myspace ajudou artistas a se notabilizarem — Foto:  Reprodução/Meegannic Rede social Myspace ajudou artistas a se notabilizarem — Foto:  Reprodução/Meegannic

Rede social Myspace ajudou artistas a se notabilizarem — Foto: Reprodução/Meegannic

A distribuição de arquivos MP3 também era uma boa oportunidade para bandas desconhecidas apresentarem seu som para um amplo público. A rede social Myspace, que chegou a ser uma das maiores do mundo, tinha um espaço onde artistas podiam criar suas páginas e postar músicas. Nomes como Katy Perry, Lilly Allen, Paramore e Arctic Monkeys tiveram seus primeiros momentos de fama dentro da plataforma.

Outro site que ajudou muitas bandas a ganharem espaço foi o MP3.com. Fundada em 1997, a página permitia que músicos postassem suas canções gratuitamente aos usuários. Em troca, eles recebiam uma parte da receita de publicidade de acordo com o número de downloads. Após algumas batalhas jurídicas, o site acabou falindo em 2003 e a URL foi vendida.

No Brasil, um site que fez essa ponte entre artistas independentes e público foi o Trama Virtual. O serviço, porém, fechou em 2013 sem muitas explicações. Já o Palco MP3 continua de pé. Criado em 2003, ele conta com mais de 1 milhão de músicas gratuitas, de mais de 119 mil artistas. E, acompanhando as novas tendências, também conta com um app e um canal no YouTube.

Winamp

Winamp: player icônico ainda tem fâs pelo mundo — Foto: Reprodução/Taysa Coelho Winamp: player icônico ainda tem fâs pelo mundo — Foto: Reprodução/Taysa Coelho

Winamp: player icônico ainda tem fâs pelo mundo — Foto: Reprodução/Taysa Coelho

Nada tem mais cara dos anos 2000 do que o clássico tocador Winamp. Ele não apenas era um ótimo substituto do Windows Media Player como ainda permitia customizações de todo o tipo. Usuários mais experientes em design e programação disponibilizavam suas skins em sites como 1001Skins.com e Skinz.org. Além disso, era possível baixar extensões que permitiam visualizar capas, colocar efeitos nas faixas e ripar CDs.

Ao longo dos anos 2000, o Winamp sucumbiu em meio à concorrência de outros softwares, como iTunes e o Foobar. Em 2013, a AOL (então dona da marca) resolveu encerrar o suporte e os downloads do Winamp.

No ano seguinte, a marca foi comprada pela Radionomy e desde então vem se ensaiando o retorno triunfal do Winamp. A versão beta mais recente (5.8) é compatível com Windows 8.1 e Windows 10, e em breve o nostálgico tocador deve chegar aos smartphones.

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