Atletas

Por Camila Iglesias, da redação


Gabriel "Kami" Bohm anunciou sua volta ao competitivo de League of Legends (LoL) na última sexta-feira (6), e já está com grandes expectativas para o primeiro split do CBLoL 2020. O jogador da paiN Gaming estava aposentado desde janeiro de 2018, quando decidiu se afastar das competições para se dedicar aos estudos de aviação. Em conversa com o TechTudo durante a final do Campeonato Brasileiro de League of Legends 2019, no Rio de Janeiro, Kami avaliou a campanha da paiN neste ano, disse o que espera de sua relação com Thiago "tinowns" Sartori e quais são os seus objetivos para o próximo ano.

Kami retorna ao competitivo de League of Legends — Foto: Tainah Tavares/TechTudo

Quer comprar consoles, jogos e outros produtos com desconto? Conheça o Compare TechTudo

Considerado o “Faker brasileiro”, Kami sabe da pressão que é voltar para o competitivo, e diz que sua maior motivação é reencontrar o mid laner coreano, que é um dos maiores jogadores da história do League of Legends. “O que me motiva é encontrar o Faker lá fora de novo e dar um 'oi' pra ele no corredor”, conta. O pro player assume que tem vários desafios pela frente, como voltar a jogar em time, saber se comunicar com a equipe e lembrar de dizer o que está fazendo todo o tempo para seus companheiros. “Meu maior desafio vai ser voltar para esse meio e conseguir performar como antes, e até melhor. Não quero ser o Kami de antes, quero ser um novo Kami”.

Antes de se afastar do cenário, Gabriel já era pro player há seis anos, e começou a jogar profissionalmente quando tinha apenas 15 anos de idade. Para ele, competir é uma paixão que vem desde a adolescência, e foi disso que ele sentiu mais falta neste tempo fora. Kami revela que sentiu saudade do contato com a torcida e do apoio dos fãs. “A torcida é a melhor parte. Se não existisse o contato com o público, não existiria nada disso”, agradece.

"Kami" e "Faker" no mundial de LoL 2015 — Foto: Reprodução/Twitter

Kami terá um grande desafio na paiN e mostrou estar decepcionado com o desempenho do time no 2° split do CBLoL 2019. A equipe se classificou para a elite do LoL brasileiro depois de vencer a primeira etapa do Circuito Desafiante 2019, e terminou a fase regular em quinto lugar da tabela com 10 vitórias e 11 derrotas, não se classificando para os playoffs. Para o jogador, o time ficou muito dependente das atuações do caçador Gustavo "Minerva" Queiroz. “A equipe funcionava muito bem quando o Minerva estava bem, mas se ele não encaixava no jogo, o time ficava travado”, disse.

Apesar dos desafios do próximo ano, o player pareceu animado para voltar a jogar pela única org que representou em toda sua carreira. E o jogador acredita que treinar com tinowns, outro mid laner da organização, será essencial para seu retorno. “Preciso reaprender a ter esse instinto de pro player, e isso vai ser muito legal. O tin vai poder me ajudar muito”. Vale lembrar que a posição oficial dos dois jogadores no time não foi divulgada, portanto, ainda não se sabe se eles dividirão a mid lane, como já fazem os top laners Felipe "Yang" Zhao e Marcelo "Ayel" Mello.

League of Legends para celular é verdade? Comente no Fórum do TechTudo

Kami joga pela paiN Gaming desde 2012 — Foto: Divulgação/Riot Games

A paiN é um dos poucos times do CBLoL que não conta com jogadores de fora do país em sua line up. A grande presença de jogadores internacionais, e principalmente asiáticos, no cenário brasileiro de LoL é algo recente. Na época em que jogava, Kami teve pouco contato com players de outros países, mas disse que seu tempo jogando com Han “Lactea” Gi-hyeon e Kim “Olleh” Joo-sung em 2014 foi muito importante para sua carreira. Gabriel também acredita que Choi "Wizer" Ui-seok, top laner da KaBuM!, foi um dos grandes destaques do CBLoL 2019. “Eu acho que o Wizer foi um dos jogadores mais sólidos, mecanicamente falando, que já passou pelo Brasil”, analisa.

Para Kami, players, técnicos e analistas de outros países têm uma nova mentalidade de jogo, e isso pode ser muito bem aproveitado pelos brasileiros, já que o Brasil não tem tantas oportunidades de jogar com outras regiões. “Nossa região está isolada. A gente acaba criando nosso próprio estilo de jogo, mas comparado com o estilo de jogo lá de fora, claramente o nosso não está dando certo. Desde 2015, a evolução de times brasileiros em campeonatos internacionais foi uma curva para baixo”, finaliza.

Mais do TechTudo