Celulares

Por Michele Corrêa, para o TechTudo


O número de acidentes relacionados ao uso do celular está em ascensão, segundo estudo publicado na revista científica da Associação Médica Americana. Rosto, nariz, orelhas, olhos e pescoço são as áreas do corpo que tiveram um aumento acentuado de lesões nos últimos 20 anos. O público mais afetado engloba jovens de 13 a 29 anos de idade, que sofreram acidentes por se distraírem com o smartphone enquanto dirigiam ou enquanto andavam e digitavam mensagens.

Os ferimentos mais comuns são cortes no rosto e cabeça. Depois aparecem na lista: contusões, abrasões e lesões em órgãos internos. Apesar de os acidentes não apresentarem necessidade de hospitalização e serem tratados imediatamente, os autores do estudo dizem que podem surgir consequências a longo prazo. Como por exemplo cicatrizes no rosto provenientes de lacerações faciais, que poderiam levar a um quadro de ansiedade e baixa autoestima, além da necessidade de cirurgias estéticas.

Ano de lançamento do primeiro iPhone coincide com aumento de lesões

O estudo teve como foco explorar as lesões nas áreas do pescoço e cabeça em vez de investigar todo o corpo. Foi descoberto que até 2007 esses tipos de ferimentos não eram tão comuns. A partir daí os casos aumentaram. E não por coincidência, a Apple lançou o primeiro iPhone no mesmo ano.

Celulares já eram comuns antes disso, no entanto, os autores do estudo destacam que os dispositivos não tinham tantas funcionalidades como os smartphones atuais, e portanto, não eram uma ferramenta de distração.

A pesquisa indica ainda que lesões encontradas em crianças de até 13 anos podem ser mecânicas, adquiridas por causa do uso constante de celulares. O motivo pode estar relacionado ao tamanho e peso dos aparelhos que podem ferir os pequenos.

Primeiro iPhone foi lançado em 2007 pela Apple. O número de acidentes envolvendo celulares aumentou a partir desse ano. — Foto: Anna Kellen Bull/TechTudo Primeiro iPhone foi lançado em 2007 pela Apple. O número de acidentes envolvendo celulares aumentou a partir desse ano. — Foto: Anna Kellen Bull/TechTudo

Primeiro iPhone foi lançado em 2007 pela Apple. O número de acidentes envolvendo celulares aumentou a partir desse ano. — Foto: Anna Kellen Bull/TechTudo

Outros tipos de lesões e mortes por uso de celular

Outro estudo revelou que o uso do celular também pode prejudicar o pescoço e a parte superior das costas. O movimento de inclinação do pescoço para frente a partir de uma posição neutra aumenta a pressão feita sobre a coluna. Ou seja, olhar para o seu smartphone que está no colo pode fazer com que essa pressão dobre e tire a coluna de alinhamento.

Segundo o médico Tom DiAngelis, ex-presidente da Associação Americana de Fisioterapia em entrevista à CNN, isso seria o mesmo que dobrar o dedo para trás e mantê-lo nessa posição por uma hora. “A medida que você estica o tecido por um logo período, fica dolorido e inflamado. A questão é: quais serão os efeitos a longo prazo?”, disse.

Mortes relacionadas à distração pelo smartphone também aumentaram. O Conselho Nacional de Segurança dos Estados Unidos divulgou em relatório que 2.841 pessoas morreram em acidentes causados por distração em 2018. Já a Associação de Segurança Rodoviária Estadual dos Estados Unidos estimou mais de 6 mil mortes de pedestres em 2018, um recorde de mais de 20 anos.

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