Celulares

Por Filipe Garrett, para o TechTudo


O Google revelou alguns dos segredos tecnológicos por trás do mecanismo do Pixel 4 para processar fotos com o Modo Retrato. O smartphone (e a versão XL) são os primeiros smartphones do gigante da internet com sistema de câmera dupla na traseira, recurso que possibilitou detecção de profundidade de campo mais precisa, essencial para resultados melhores nas fotografias com fundo desfocado. Até então, aparelhos da linha Pixel geravam fotos com efeito bokeh apenas por meio de software.

Câmera extra dos novos Pixel 4 dá mais qualidade ao Modo Retrato — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

O sistema de câmeras do Pixel 4 é formado por um sensor principal de 12 megapixels, similar às câmeras únicas dos modelos Pixel anteriores, e por uma câmera secundária de 16 MP com lente teleobjetiva. É essa câmera que se encarrega de detectar as distâncias do primeiro plano e do fundo das fotos, dado essencial para que a fotografia seja capturada com o aspecto borrado no cenário.

Mais do que simplesmente usar essa percepção de distância para borrar o fundo das fotos, o Google explica ter incluído uma tecnologia de processamento de imagem que deixa o resultado final mais preciso. Usando o recurso de foco automático dual-pixel da câmera principal – a de 12 MP, portanto – o celular consegue estimar a distância dos objetos.

Comparação mostra o resultado de desfoque de uma câmera DSLR, do recurso do Pixel 3 ao centro e, por fim, o resultado num Pixel 4 — Foto: Divulgação/Google

Na imagem acima o Google faz uma comparação em que mostra a qualidade da nova abordagem. Veja que o resultado desfocado do terceiro quadro, que apresenta o resultado de uma foto com o Pixel 4, se aproxima muito mais do que uma câmera fotográfica DSLR consegue realizar. Ao centro, mostra o resultado usando apenas a técnica do Pixel 3.

O uso dessa técnica não é por acaso, já que era dessa forma que Pixel 2 e Pixel 3 faziam o modo retrato: os pixels das áreas limite das fotos eram divididos em dois. A diferença entre as duas metades da informação permite que o telefone faça uma avaliação de distância para descobrir o que é fundo – e deve ser desfocado – e o que não é.

A animação abaixo exemplifica as duas técnicas: à esquerda, o recurso de aferição de distância por meio do fracionamento de pixels. À direita, a técnica que usa a teleobjetiva para o cálculo. O resultado com câmera extra é melhor porque dá um desfoque mais definido em virtude da percepção mais precisa das distâncias.

No primeiro quadro, detecção de fundo é menos precisa; no segundo, com reforço de câmera extra, percepção é melhor — Foto: Divulgação/Google

O Google explica também que tecnologias de inteligência artificial são usadas no processamento das imagens geradas pelas duas técnicas para garantir um resultado final de melhor qualidade. É nessa etapa do processo que o software de câmera do smartphone define o que deve ficar focado na foto e o que deve ficar desfocado.

Por fim, os criadores do Pixel 4 também valorizam a atenção com o processo de compressão da imagem final. A empresa explica que toma o cuidado de condensar a imagem final de uma forma que valorize o grande alcance dinâmico (HDR) da imagem para um resultado que preserva melhor a intensidade de brilho, cores e contraste.

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