Jogos de aventura

Por Thaime Lopes (colaboração) e Yuri Hildebrand (redação), para o TechTudo


Fortnite é um jogo Battle Royale disponível para download no PC, Xbox One, PS4 e Nintendo Switch, e em versão mobile para celulares Android e iPhone (iOS). Apesar de não ser pago, existem diversos itens à venda no jogo, que podem ser comprados com V-Bucks, moeda oficial do game. Alguns desses extras não aparecem para venda e são exclusivos de parcerias da desenvolvedora Epic Games com outras marcas, como é o caso da skin Glow, disponível apenas para donos de celulares Samsung.

Uma opção encontrada pelos players para driblar essa limitação de venda é acessar sites como a Fortnite Shop, loja online não oficial que comercializa itens raros, como a própria Glow ou a picareta Minty, por exemplo. Pensando nisso, o TechTudo entrou em contato com dois especialistas em segurança: Daniel Barbosa, da ESET, e Santiago Pontiroli, da Kaspersky. As empresas especializadas em segurança na Internet avaliaram a Fortnite Shop para dizer se a loja é confiável ou não.

Como jogar Fortnite: 5 dicas para mandar bem no Battle Royale

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O site é confiável?

De acordo com a Epic Games, desenvolvedora de Fortnite, todos os itens disponíveis para comprar no game devem ser adquiridos por canais oficiais. Portanto, a Fortnite Shop fica fora desse critério, uma vez que afirma não ser afiliada à desenvolvedora. A Epic recomenda ainda que as informações de conta do usuário nunca devem ser compartilhadas com terceiros.

Apesar de não ser uma parceira da Epic, a loja comercializa itens raros do jogo por valores que chegam a quase R$ 800. Segundo informações disponíveis no setor de compras, o jogador deve realizar o pagamento do item desejado e depois entrar em contato com o site pelo WhatsApp, Discord ou Instagram para receber o código de resgate. As formas de pagamento são cartões de crédito e Mercado Pago.

Produtos vendidos em site possuem altos valores — Foto: Reprodução/Thaime Lopes Produtos vendidos em site possuem altos valores — Foto: Reprodução/Thaime Lopes

Produtos vendidos em site possuem altos valores — Foto: Reprodução/Thaime Lopes

Santiago Pontiroli, analista de segurança da Kaspersky, aponta que a Epic Games alega não ser permitido comercializar ou trocar contas, mas não entra em detalhes a respeito de itens, como skins, armas, entre outros. Apesar disso, um dos problemas é justamente não saber de onde vêm as skins vendidas no site, o que pode significar inclusive que foram roubadas de outras contas.

Falta de confiabilidade

Mesmo não solicitando dados pessoais da conta do player, Daniel Barbosa afirma que o Fortnite Shop não é confiável. “Apesar de ter https, não requer autenticação para comprar, o que nos dá indicações de que se trata de uma fraude”, afirma o especialista.

Venda não possui nenhum tipo de verificação por parte do fornecedor — Foto: Reprodução/Thaime Lopes Venda não possui nenhum tipo de verificação por parte do fornecedor — Foto: Reprodução/Thaime Lopes

Venda não possui nenhum tipo de verificação por parte do fornecedor — Foto: Reprodução/Thaime Lopes

Além disso, é possível suspeitar da loja por conta de suas atividades nas redes sociais. No Facebook, por exemplo, não há nenhuma postagem há mais de quatro meses. Já no Instagram, apesar do número alto de seguidores (158 mil), existem centenas de comentários de clientes que realizaram suas compras e não receberam contato nenhum da loja para resgatar os códigos dos itens adquiridos.

No Reclame Aqui, as queixas são parecidas: mesmo após o pagamento, usuários não receberam os produtos. O especialista da ESET aponta ainda que no site de reclamações nenhuma das solicitações abertas por clientes foi respondida. Já o analista de segurança da Kaspersky lembra que, pagando no crédito, é possível interromper a compra nessa situação. Mas, de qualquer forma, Santiago afirma que não é aconselhável inserir as informações do cartão no site. "O benefício não justifica o risco", completa.

Dentre as reclamações no Reclame Aqui, pais preocupados com itens adquiridos para os filhos — Foto: Reprodução/Thaime Lopes Dentre as reclamações no Reclame Aqui, pais preocupados com itens adquiridos para os filhos — Foto: Reprodução/Thaime Lopes

Dentre as reclamações no Reclame Aqui, pais preocupados com itens adquiridos para os filhos — Foto: Reprodução/Thaime Lopes

Como identificar e evitar sites fraudulentos

O primeiro passo para não cair em golpes de lojas que oferecem produtos de forma suspeita é, segundo Daniel Barbosa, “verificar a reputação dos sites visitados e seus fornecedores, ler os comentários de outros compradores e se certificar de que eles usam o HTTPS". Ao adquirir um software, o especialista aponta ainda para a importância de assegurar que a página é oficial – o que não é o caso da Fortnite Shop.

Também é necessário ficar em alerta a promoções atípicas ou valores anormais. Na loja de skins, por exemplo, os itens são raros e não foram disponibilizados para venda geral. Mais uma vez, a recomendação é optar por sites oficiais dos desenvolvedores ao realizar compras relacionadas a jogos em geral.

Manter o antivírus atualizado, utilizar redes privadas de Internet e autenticação em duas etapas também são essenciais para manter a segurança no momento de compras online. Além disso, sites como o Reclame Aqui servem como guia para conferir a reputação das lojas, sejam elas físicas ou virtuais.

Reclame Aqui é uma ferramenta interessante para conferir a reputação das lojas online — Foto: Gabrielle Lancellotti/TechTudo Reclame Aqui é uma ferramenta interessante para conferir a reputação das lojas online — Foto: Gabrielle Lancellotti/TechTudo

Reclame Aqui é uma ferramenta interessante para conferir a reputação das lojas online — Foto: Gabrielle Lancellotti/TechTudo

Segundo o Procon, em caso de compras online, o fornecedor deverá informar ao consumidor, conforme a Lei de Entrega 13.747/09 do Estado de São Paulo, os seguintes dados:

  • identificação do estabelecimento;
  • identificação do endereço de entrega;
  • descrição do produto ou serviço;
  • data e turno.

Caso o prazo de entrega não seja cumprido, o consumidor poderá, então:

  • I – exigir o cumprimento forçado da obrigação, nos termos da oferta, apresentação ou publicidade;
  • II – aceitar outro produto ou prestação de serviço equivalente;
  • III – rescindir o contrato, com direito à restituição da quantia eventualmente antecipada, monetariamente atualizada, e a perdas e danos.

Além dessas informações, o Procon recomenda que toda a comunicação com os fornecedores seja armazenada por meio de comprovantes, sejam eles e-mails ou números de protocolo. Dessa forma, se necessário, o cliente tem provas da compra e de possíveis problemas.

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