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Por Rodrigo Roddick, para o TechTudo


Os usuários de iPhone abandonaram, nos últimos meses, os serviços de localização geográfica presentes em alguns aplicativos. Dados da consultoria de marketing Location Sciences mostram que a queda foi de 68% na quantidade de dados de localização coletados em segundo plano – ou seja, sem que a pessoa confirme o envio das informações enquanto o aplicativo não está aberto.

De acordo com a firma, a queda está relacionada com uma mudança profunda no controle de privacidade do iOS 13. A versão mais recente do sistema privilegia a detecção de localização geográfica “durante o uso” do aplicativo, e não o tempo todo. O relatório sugere que os usuários preferem desta forma.

iPhone 11, lançamento da Apple em 2019 — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

As mudanças no iOS 13 e no Android 10 permitem que os usuários escolham se eles querem manter o serviço de localização ativo para cada aplicativo que utilizam. Assim que são confrontados com a mensagem, eles podem optar por bloquear o rastreamento em segundo plano.

O iOS 13 ainda possui um agravante. O sistema da Apple dá a opção ao usuário de selecionar o uso do GPS “apenas dessa vez”. Com essa opção ligada, o GPS fica ativo apenas durante o uso do aplicativo naquele único acesso. Em outro momento, o serviço volta a questionar o que o usuário deseja fazer com o serviço de localização.

De acordo com o documento, a maioria dos usuários preferem deixar o serviço de localização em segundo plano inativo. Por isso, as empresas de publicidade passaram a enfrentar dificuldades para rastreá-los. Elas utilizavam estes dados para desenvolver campanhas com base no histórico de localização do usuário.

A partir do GPS, as empresas de publicidade sabiam em qual restaurante o usuário almoçou ou lojas visitadas. Então, quando vendiam estas informações aos clientes, poupavam em despesas indesejadas com anúncios imprecisos, ou seja, conseguiam segmentar a publicidade para potenciais compradores com maior exatidão.

Devido a esses novos mecanismos instalados nos sistemas operacionais, os usuários são constantemente avisados do tráfego de informações em segundo plano. À medida que eles se informam a respeito, ou seja, quando descobrem para o que estas informações são utilizadas, os serviços de localização passaram a ser menos usados.

A tendência é que as empresas de publicidade tenham que encontrar outras alternativas para produzir campanhas. Uma das possibilidades é a utilização de pistas contextuais. Nessa hipótese, as empresas analisariam dados aproximados, geralmente coletados quando o serviço de GPS está ativado, e então traçariam um perfil do que o usuário estaria interessado em adquirir.

As empresas também podem utilizar o rastreamento através do IP. O número pode ser coletado por aplicativos e sites através da rede móvel ou Wi-Fi que o usuário estiver conectado. No entanto, eles são menos precisos que o GPS no que se refere a rastreamento de locais visitados. Mesmo impreciso, pode fornecer pistas para estas empresas sobre as intenções de compra dos usuários.

Em contrapartida, o relatório indica que as pessoas estão cada vez mais conscientes da necessidade de proteger dados virtuais. Por causa disso, políticas e fabricantes incentivam a utilização de acesso à internet através de redes privadas, as famosas VPNs. A previsão é que os usuários comecem a utilizar conexões particulares para fugir do rastreamento das empresas de publicidade.

Android 10 também fornece opção de desativar GPS em segundo plano aos usuários — Foto: Pedro Vital/TechTudo

A VPN já é realidade no Google. Com o Google Fi, os usuários conseguem se conectar à internet através de uma rede privada. A Amazon e o Firefox também já fornecem meios para uma conexão segura. A tendência é que mais empresas adotem este mecanismo, como a Apple, por exemplo, que geralmente recebe pedidos para desenvolver recurso semelhante.

Com informações da Fast Company

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