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Por Daniel Dutra, para o TechTudo


A inteligência artificial (IA) está presente em aplicativos para aprimorar seu funcionamento e torná-lo mais seguro. A tecnologia pode ser aplicada para identificar padrões de preferências do usuário para sugestões de conteúdo — como as recomendações de músicas do Spotify, por exemplo — ou para evitar desentendimentos e mesmo crimes por parte de pessoas mal-intencionadas. Segundo a 99, recursos de segurança e de inteligência artificial ajudaram a diminuir em 60% o volume de ocorrências graves no aplicativo de mobilidade em 2019.

O Airbnb, aplicativo de aluguel de temporada, também tem iniciativas de IA que escaneiam redes sociais em busca de "índices de psicopatia" para verificar o cadastro de usuários. Confira, a seguir, detalhes sobre o funcionamento da inteligência artificial, sobretudo em sua modalidade de aprendizagem de máquina, e como plataformas como 99 e o Airbnb vêm utilizando a tecnologia para oferecer serviços mais seguros aos usuários.

99 utiliza inteligência artificial para evitar condutas perigosas por parte de usuários mal-intencionados — Foto: Rodrigo Fernandes/TechTudo 99 utiliza inteligência artificial para evitar condutas perigosas por parte de usuários mal-intencionados — Foto: Rodrigo Fernandes/TechTudo

99 utiliza inteligência artificial para evitar condutas perigosas por parte de usuários mal-intencionados — Foto: Rodrigo Fernandes/TechTudo

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O que é inteligência artificial (IA)?

A inteligência artificial (IA) é uma área de estudos bem estabelecida desde a década de 1950. Ela trabalha com a simulação de interações intelectuais e permite a criação de programas de computador que atinjam comunicação e nível de respostas bem-sucedidos quando em interação com humanos — agindo, assim, como uma espécie de "cérebro" sintético.

A inteligência artificial é aplicada principalmente ao subcampos de aprendizagem de máquina (machine learning), que permite "adivinhar" o que o usuário deseja. Essa técnica é comum em aplicativos para entregar uma experiência personalizada a usuários — o Spotify, por exemplo, sugere músicas por meio de machine learning. A tecnologia leva em consideração o histórico de canções do usuário para fazer conexões e descobrir quais faixas inéditas podem agradá-lo mais.

Como a IA pode prever comportamentos suspeitos?

Os investimentos realizados pela 99 em inteligência artificial já produziram bons efeitos, de acordo com a empresa. Segundo o aplicativo, reduziu em 60% a quantidade de ocorrências graves na plataforma ao longo do ano de 2019.

Os algoritmos de IA mobilizados pela empresa conseguem prever riscos de incidentes, analisar perigos envolvendo trajetos em determinados horários e o histórico do comportamento dos usuários. O aplicativo também interage com dados sobre áreas de risco e compartilhamento de rotas, o que permite prever a possibilidade de crimes em determinados casos.

Por exemplo, uma corrida feita tarde da noite em dinheiro por uma conta recém-criada na 99 pode ser considerada suspeita pelo aplicativo. Como medida de segurança para evitar a aplicação de um possível golpe, a plataforma requer, então, uma validação adicional de identidade (como informar o CPF ou data de nascimento) ou pode até mesmo resultar em um bloqueio automático do aplicativo.

Investimento em inteligência artificial reduziu ocorrências graves no uso da plataforma 99, segundo a empresa — Foto: Divulgação/99 Investimento em inteligência artificial reduziu ocorrências graves no uso da plataforma 99, segundo a empresa — Foto: Divulgação/99

Investimento em inteligência artificial reduziu ocorrências graves no uso da plataforma 99, segundo a empresa — Foto: Divulgação/99

Outro caso de destaque é o uso de inteligência artificial feito pelo Airbnb. A plataforma de aluguel de imóveis por temporada está desenvolvendo algoritmos para verificar se os usuários cadastrados apresentam indícios de psicopatia e podem e tornar ameaças para anfitriões ou hóspedes.

A inteligência artificial do Airbnb realiza uma verificação de posts em redes sociais e demais conteúdos compartilhados online pela conta recém-cadastrada. Sinais como amizade com contas falsas em redes sociais, produção de mensagens de ódio e pornografia, e envolvimento com drogas auxiliam a elaborar um índice de confiança do usuário.

De acordo com o comportamento detectado a partir das publicações, é possível traçar um perfil do usuário e prever comportamentos indesejados. A ferramenta auxiliaria a impedir o ingresso de pessoas mal-intencionadas na plataforma, e evitar desentendimentos e golpes.

A plataforma Airbnb também recorre à inteligência artificial para garantir a proteção dos usuários — Foto: Karen Malek/TechTudo A plataforma Airbnb também recorre à inteligência artificial para garantir a proteção dos usuários — Foto: Karen Malek/TechTudo

A plataforma Airbnb também recorre à inteligência artificial para garantir a proteção dos usuários — Foto: Karen Malek/TechTudo

As preocupações por parte da plataforma aumentaram após o caso de um tiroteio em massa ocorrido na Califórnia, em dezembro de 2019. Nessa ocasião, uma festa realizada em um imóvel alugado no Airbnb na área suburbana de São Francisco terminou de modo trágico, com feridos e cinco mortos. Embora o proprietário do imóvel alugado não tivesse autorizado a realização da festa, ela chegou a contar com mais de cem convidados.

No entanto, o uso de IA por parte do Airbnb não se restringe a medidas de segurança. A plataforma se vale da tecnologia para identificar similaridades em termos de acomodação e destinos e, com base nesses dados, oferecer propostas aos clientes. Isso é feito por meio de algoritmos que analisam quanto tempo o usuário gasta observando determinadas opções. Assim, a plataforma identifica as preferências do usuário e sugere opções mais prováveis para garantir uma reserva.

Polêmicas

Apesar das vantagens, a inteligência artificial também tem gerado controvérsias e polêmicas. Um risco cada vez mais evidente decorrente do uso da IA é a reprodução de preconceitos. Muitos estudos oriundos de diversas áreas já demonstraram que sistemas do tipo podem corroborar preconceitos raciais, por exemplo.

Um estudo referente ao sistema COMPAS, utilizado nos Estados Unidos para analisar o índice de reincidência criminal no condado de Broward, na Flórida, classificou negros como pertencentes à categoria de alto risco de reincidência criminal. O FaceApp, aplicativo que fez sucesso com efeito de idoso, também já esteve envolvido em polêmicas similares. O filtro de "embelezamento" do app deixava a pele dos usuários mais clara.

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