Roteadores

Por Filipe Garrett, para o TechTudo


IEEE (sigla para Instituto de Engenheiros Eletrônicos e Eletricistas) é a maior organização técnica e profissional do mundo. Em 2020, uma de suas ações mais importantes completa 40 anos: o IEEE 802. Por meio do grupo, a entidade tem um papel fundamental no processo de padronização e homologação de tecnologias de rede.

Entre elas, estão Ethernet e Wi-Fi, que são utilizadas por celulares, computadores, tablets, consoles, TVs entre outros dispositivos de diferentes fabricantes, além de uma versão do Bluetooth, que não teve sucesso comercial. Confira a seguir mais detalhes sobre a organização, o projeto IEEE 802 criado em 1980 e saiba o que pode aparecer no futuro em relação a essas conexões.

IEEE desempenha papel central na concepção e amadurecimento de tecnologias como Ethernet e Wi-Fi — Foto: Fillipe Garret/TechTudo

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As ações de regulamentação não aparecem muito para o público, mas são responsáveis diretas pelo uso geral das tecnologias. Isso porque, ao aplicar padrões predefinidos, as empresas permitem que diferentes dispositivos se conectem de forma estável e eficiente. Por exemplo: sem a ação contínua da IEEE em definir esses padrões, uma marca qualquer "A" poderia criar uma espécie de Bluetooth exclusivo, enquanto computadores de outra fabricante "B" teriam conectores e redes Ethernet próprias, que não funcionariam com todos os tipos de roteadores.

Outro aspecto relevante da contribuição da IEEE está na concepção da Internet. Sem uma estrutura padronizada, acessível e que adaptável para diferentes tipos de uso, teria sido mais difícil a criação de uma rede mundial.

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Além de garantir bases comuns a serem respeitadas por toda a indústria, os esforços de padronização da IEEE também abrem caminho para que sucessivas gerações de cada tecnologia sejam compatíveis entre si. Portanto, seu computador com Wi-Fi 6 irá operar naturalmente com um roteador Wi-Fi 5, por exemplo. Da mesma forma que um fone com Bluetooth 4.2 pode parear com um celular com Bluetooth 5.0 e uma placa de rede do PC, com saída Gigabit Ethernet, funciona normalmente via cabo ligado em um roteador Fast Ethernet.

Essa garantia de retrocompatibilidade torna a tecnologia mais acessível, além de prevenir que fabricantes fragmentem o mercado com dispositivos de conectividade restrita. Esses fatores também são importantes para que os custos sejam controlados e os consumidores possam acompanhar a evolução das tecnologias de rede.

Primeiros passos e padronizações

O processo de padronização das diferentes tecnologias tem início em 1980, com a criação do grupo de normas IEEE 802. Em linhas gerais, essas normas estabelecem as bases pelas quais tecnologias de rede que usamos todos os dias funcionam e se comunicam entre si, seja em casa ou no trabalho.

Ethernet

Cabos de rede e conexões Ethernet foram definidos a partir de padrões lançados em 1983 pela IEEE — Foto: Thiago Rocha/TechTudo

Com a evolução das primeiras redes de computador criadas nos Estados Unidos nos anos 1980, a tecnologia de comunicação entre dispositivos eletrônicos foi amadurecendo, e, em 1983, a IEEE criou as primeiras normas técnicas para conexões via Ethernet. A tecnologia levaria esse nome em referência a uma antiga hipótese do século 19, que apontava a circulação de ondas eletromagnéticas pelo universo por meio da substância chamada éter. Conhecidas como IEEE 802.3, essas normas permitiram pela primeira vez o compartilhamento de arquivos dentro do âmbito de uma mesma rede, e são a base na qual as conexões via cabo que usamos até hoje foram criadas.

Com a passagem do tempo e o avanço natural da tecnologia como um todo, a IEEE desenvolveu versões complementares do padrão de rede Ethernet que ofereceram algumas melhorias, sobretudo relacionadas às velocidades de comunicação suportadas a cada nova geração. Tecnologias como o Fast Ethernet (802.3u, capaz de atingir 100 Mb/s) e Gigabit Ethernet (802.3z, para a velocidades de até 1 Gb/s, e 802.3ae, para as versões de 10 Gb/s) são exemplos do constante amadurecimento dos padrões.

Wi-Fi

Sucessivas gerações do Wi-Fi usam padrões da IEEE: Wi-Fi 4 (802.11n), Wi-Fi 5 (802.11ac) e Wi-Fi 6 (802.11ax) — Foto: Divulgação/Wi-Fi Alliance

Se as redes Ethernet são denotadas pelo IEEE 802.3, as redes Wi-Fi ficaram com as normas definidas pelo prefixo 802.11. A partir de 1990, o grupo de trabalho da organização começou a lançar as bases para um conjunto de definições com foco em uma conexão de rede entre computadores que dispensasse o uso de fios, aproveitando ondas de rádio para trocar dados. Nascia, então, o Wi-Fi, uma abreviação para “Wireless Fidelity” (fidelidade sem fio, em tradução livre).

Depois de sete anos de estudos e discussões, o padrão seria estabelecido comercialmente nos primeiros produtos com Wi-Fi 802.11, a primeira geração da tecnologia. Esse tipo de conexão ficaria bastante popular a partir de 1999, com a chegada dos padrões 802.11a e 802.11b. De acordo com a Wi-Fi Alliance, entidade de regulamenta o uso comercial da tecnologia, redes Wi-Fi são responsáveis por 71% das conexões ao redor do mundo hoje em dia.

Bluetooth

Bluetooth surgiu no fim dos anos 1990 nas normas IEEE 802.15.1, que não teve sucesso comercial e acabou de fora da família IEEE 802 — Foto: Luciana Maline/TechTudo

Em 1998, a IEEE estabeleceu as bases para outro tipo de rede sem fio por meio de ondas de rádio: as normas 802.15.1, que correspondem ao Bluetooth. Esse padrão foi pensado como um tipo de rede para conexão de eletrônicos a curtas distâncias, com baixo custo e altas velocidades. Curiosamente, o nome Bluetooth vem de um rei Viking, Harold "Blåtand" Gormsson, que foi rei no século X. O termo Bluetooth, que significa "dente azul", é uma tradução para inglês do apelido "Blåtand".

Diferente do Wi-Fi, o Bluetooth foi criado para oferecer conectividade simplificada entre aparelhos próximos. Por conta disso, a tecnologia usa sinais mais fracos, algo que, se por um lado compromete a velocidade, por outro torna conexões Bluetooth bastante estáveis, mesmo em ambientes com muita interferência.

Wi-Fi 7 e além

Já em estudos, Wi-Fi de sétima geração pode estar longe do consumidor — Foto: Reprodução/Softonic

O Wi-Fi 6 ainda engatinha em termos de adoção, mas o futuro das redes sem fio já é discutido pelos especialistas. O Wi-Fi 7, cujas normas são agrupadas sob os padrões IEEE 802.11be, está em fase de estudos. A princípio, essas novas redes terão como principal característica uma capacidade maior de banda para vários dispositivos simultâneos, o que permitiria uma troca maior de informações entre os equipamentos a velocidades maiores. Esses aspectos são interessantes com a chegada do 5G, e também para casas conectadas e veículos autônomos, por exemplo.

Um dos desdobramentos do Wi-Fi 7 que pode vir a aparecer seria a capacidade de detectar os movimentos no ambiente e até mesmo o ritmo de seus batimentos cardíacos, dispensando a necessidade de sensores específicos para isso. portanto, um roteador com a tecnologia poderia ajudar no sistema de segurança da sua casa, ou até mesmo monitorar a saúde dos usuários, sobretudo pessoas em situação de risco por conta da idade avançada. Equipamentos com essa funcionalidade poderiam detectar quedas ou qualquer comportamento anormal dos moradores. Vale ressaltar que o Wi-Fi 7 ainda está em fase de estudos, e não há uma previsão de chegada ao mercado.

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