Jogos de tiro

Por Tainah Tavares*, de Los Angeles


Valorant é o novo jogo de tiro da Riot Games. O fps, até então conhecido como “Project A”, teve seu nome e mais detalhes revelados pela desenvolvedora do League of Legends (LoL) nesta segunda-feira (2). O game terá lançamento no inverno de 2020 para download grátis em PCs. O TechTudo foi até a sede da empresa em Los Angeles, EUA, para testar uma demo do shooter em primeira mão. As impressões iniciais são positivas. Podemos dizer que Valorant se inspirou bastante no Counter Strike: Global Offensive (CS:GO) e tem elementos de Overwatch, mas é particularmente tático, competitivo e, principalmente, divertido. Confira o hands-on a seguir.

Valorant: testamos a primeira demo do jogo na sede da Riot Games em Los Angeles — Foto: Divulgação/Riot Games

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Séries e mapas: semelhanças e diferenças em relação ao CS:GO

A proposta de Valorant já é conhecida pelos jogadores de shooters: dois times de cinco jogadores se enfrentam. O objetivo das equipes é atacar e plantar uma espécie de C4, ou defender o terreno. Os times trocam de lados após o primeiro half da série. Cada metade da partida é composta por 12 rounds, e ganha quem vencer 13 rodadas.

Os mapas de Valorant lembram muito os do CS:GO. E não é à toa: o principal responsável pelo desenvolvimento dos cenários foi Salvatore Garozzo (Volcano), criador da Cache. Os ambientes não têm gráficos muito realistas ou chamativos, eles são compostos por tons mais pastéis com alguns efeitos de sombra e texturas, nada que impressiona. Mas isso não é um problema, pelo contrário. A simplicidade visual do cenário destaca as ações e jogadas de Valorant.

Diferente do CS:GO, Valorant permite que o jogador interrompa e salve o processo de desarme da "C4" quando ele ultrapassa de 50%. Assim, é possível eliminar um oponente, por exemplo, e depois concluir a ação de desarme da bomba.

Em Valorant, progresso do desarme da bomba é salvo quando ultrapassa 50% — Foto: Divulgação/Riot Games

A demo testada pelo TechTudo contava com dois mapas. O primeiro deles, chamado de Haven, traz um elemento novo: três bombsites. A edição desse terceiro bomb aumenta a possibilidade de rotas e estratégias no cenário. O outro, Bind, conta com dois bombs e dois portais, que transportam os jogadores para locais bem próximos desses bombsites (o que pode criar situações interessantes de clutches). É preciso ficar atento a eles para proteger seu território e saber como usá-los no ataque.

No geral, os mapas oferecem rotas diversas aos jogadores e podem proporcionar muitas horas de diversão. Tudo foi muito bem desenhado, as trocas de tiro acontecem e, mais que isso, são determinantes. Avançar no mapa pode ser uma tarefa lenta: é importante tomar ciência do território antes de atacar o inimigo (e os operadores ajudam bastante nesse aspecto). Quando as trocas de tiro começam, no entanto, o jogo pode acabar rápido. Um único headshot pode eliminar seu oponente.

Cenários de Valorant têm tons mais pastéis — Foto: Divulgação/Riot Games

Trama e personagens: nada de League of Legends

A Riot sai do universo de League of Legends no "Project A". O jogo é ambientado em um planeta Terra em um futuro próximo. Depois que um evento catastrófico chamado de First Light acontece por aqui, algumas pessoas desenvolvem talentos especiais. Valorant é uma organização secreta que reúne esses seres humanos e outros agentes que dominam armas especiais. Alguns deles são ex-militares, outros já foram criminosos. Com histórias diversas, eles trabalham juntos para defender o mundo de uma ameaça existencial maior.

Os personagens vêm de países diferentes do mundo, como EUA, Reino Unido, China, Rússia e Coreia. A ideia da desenvolvedora é fazer uma homenagem às culturas e servidores espalhados pelo globo. Para nossa frustração, até agora nenhum campeão brasileiro foi relevado. Mas, segundo os desenvolvedores, as tramas dos operadores e novos personagens serão revelados aos poucos em atualizações e em conteúdos especiais (estratégia que funciona bem no LoL). Assim, podemos sonhar com o lançamento de um personagem do Brasil no game. Por que não?

É fácil notar que a Riot se inspirou em jogos como Overwatch e Apex Legends para pensar esse enredo e a dinâmica dos personagens de Valorant. A demo testada tinha oito operadores, quatro homens e quatro mulheres. Cada um deles tem habilidades específicas que vão determinar o seu papel no time: alguns conseguem coletar informações dos inimigos, fortalecer locais do mapa ou controlar regiões, por exemplo.

O visual dos personagens segue a mesma lógica dos mapas e não são muito chamativos ou realistas. Os poderes deles, por outro lado, se destacam nos gráficos. Quando um personagem coloca um muro para se proteger dos inimigos, por exemplo, uma parede verde bem chamativa surge. O recurso visual é bom, pois você fica mais atento às ações dos jogadores.

Poderes dos personagens se destacam visualmente — Foto: Divulgação/Riot Games

O que é preciso para ir bem em Valorant?

O game importou uma economia parecida com a do CS:GO. A primeira rodada de cada half é econômica, e conforme o jogo avança os players ganham dinheiro para se equipar. A loja de arma disponibiliza equipamentos parecidos com os dos FPS tradicionais. No início você só pode comprar pistolas e uma espécie de colete. Depois, o jogador pode liberar rifles e armas que causam mais dano.

O player também libera as habilidades do seu personagem no momento da compra de armas, ou seja, elas têm um preço e influenciam na economia do game. Com exceção das habilidades, todos os operadores podem comprar todas as armas. Jogamos a maioria das partidas com Sage, uma personagem da China que é uma espécie de suporte. Ela pode aumentar o nível de vida dos companheiros de equipe e até ressuscitar alguém (apesar do jogo só ter respawn depois do fim do round). Sage também consegue criar um muro que fica ativo por alguns segundos. O maior desafio ao jogar a demo foi saber o momento ideal de usar as habilidades da personagem e com quem usá-las.

Sage vem da China e consegue curar e até ressuscitar seus companheiros de equipe — Foto: Divulgação/Riot Games

Os operadores e seus poderes adicionam mais elementos ao gameplay e tornam as partidas mais complexas. Mas é importante destacar que no fim o que conta são as skills do player, as habilidades dos personagens não têm poder de fogo ou são determinantes. O importante para ir bem em Valorant é entender a mecânica dos mapas, sua economia e saber o momento certo de usar as habilidades dos personagens. Mas, acima de tudo, é essencial estar com a mira em dia (o que não foi o meu caso). Mais uma vez: um tiro certeiro pode eliminar seu oponente em Valorant.

O que esperar do lançamento?

Em conversa com os desenvolvedores, foi revelado ao TechTudo que, diferente da demo, Valorant vai disponibilizar mais de dois mapas e mais de oito personagens em seu lançamento. Isso é importante, porque apesar do game ser desafiador e possibilitar um infinidade de estratégias, o conteúdo da demo poderia ser pequeno e cansar os jogadores depois de algumas (muitas) horas de gameplay.

A promessa da Riot é que Valorant vai receber atualizações constantes com balanceamentos de personagens e conteúdos novos, com mais personagens e cenários. Tudo para que o game se mantenha interessante e competitivo. A desenvolvedora já executa um trabalho assim com o League of Legends e, independente do gosto do freguês, é incontestável que essa estratégia funciona. LoL foi lançado há 10 anos e mantém uma grande comunidade ativa (e fiel) até hoje.

As atualizações frequentes, junto ao fato do novo game ser gratuito, leve, bem feito e divertido, podem fazer o título emplacar. Os jogos fps eram até então um terreno inexplorado pela desenvolvedora do MOBA, mas o Valorant tem tudo para também ser um sucesso.

*A jornalista viajou a convite da Riot Games

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