Celulares

Por Rodrigo Roddick, para o TechTudo


A empresa norte-americana GrayShift desenvolveu um programa capaz de interceptar e armazenar senhas digitadas em iPhones. A ferramenta chamada Hide UI fica indetectável pelo usuário e salva as atividades em um arquivo de texto, inclusive a senha para desbloquear o smartphone. O recurso foi criado para atender agências de segurança – como o FBI dos Estados Unidos – que precisam do acesso ao telefone para desvendar crimes.

Até então desconhecida, a tecnologia veio a público nos últimos dias. O programa trabalha junto com o GrayKey, equipamento da mesma companhia que ficou conhecido por conseguir driblar a poderosa criptografia da Apple.

GrayKey ficou conhecido por quebrar criptografia da Apple — Foto: Divulgação/MalwareBytes

O GrayKey realiza diversas tentativas para conseguir desbloquear o celular. Dessa forma, pode demorar horas ou até semanas para ter acesso ao smartphone. Além disso, especialistas em segurança dão conta de que há uma dificuldade maior em conseguir descobrir senhas maiores que seis dígitos.

Já com o Hide UI não há estes impedimentos. O software é instalado no telefone do suspeito e não fica visível. Após a digitação da senha, a ferramenta armazena os dígitos e os revela quando é conectada GrayKey. Isso permite que a polícia utilize a própria senha do dono do iPhone para acessar as informações.

Por necessitar que o usuário digite a senha após a instalação, o Hide UI exige algumas estratégias. As autoridades podem, por exemplo, indicar à pessoa detida que ela tem direito a uma ligação e oferecer o iPhone para realizar a chamada. Dessa forma, o suspeito não iria saber a intenção dos agentes policiais.

O Hide UI gerou preocupação em ativistas e advogados envolvidos na luta pelos direitos civis – inclusive os digitais. Eles criticam o uso da ferramenta fora dos trâmites legais, em que é necessário um mandado judicial, por exemplo. Em tese, a tecnologia poderia ser empregada quando a polícia quiser.

"Está confuso. A supervisão pública do policiamento é um valor fundamental da democracia. Com esse tipo de ferramenta inovadora, vemos um desejo real de sigilo por parte do governo", diz Jennifer Granick, advogada da União Americana pelas Liberdades Civis, em entrevista à NBC News.

Print de um iPhone com Hide Ui de um agente anônimo da polícia — Foto: Reprodução/Phone Arena

No entanto, policiais apontam o Hide UI como uma ferramenta útil no combate ao terrorismo. Eles argumentam que desbloquear o celular mais rapidamente pode ser crucial para apurar crimes. Mas concordam que, como cidadão, o software pode ferir os direitos civis caso seja utilizado de maneira errada.

"É uma ótima tecnologia para nossos casos, mas como cidadão, eu não gosto de como está sendo usado. Sinto que, às vezes, os policiais se envolvem em comportamentos antiéticos", explica um agente policial que teve contato com o recurso.

Não é de hoje que as autoridades americanas estão interessadas em driblar a segurança defendida pela Apple. O governo já exigiu no passado que a fabricante produzisse uma espécie de backdoor (acesso alternativo ao sistema) para que conseguisse verificar iPhones de suspeitos, mas a empresa sempre se posicionou contrária à ideia. A companhia presidida por Tim Cook explica que, ao fazer isso, estaria comprometendo todos os usuários do sistema.

A GrayShift, responsável pelo GrayKey, recusou-se a comentar sobre a existência do Hide UI, mas revelou que trabalha para que a tecnologia seja utilizada legalmente.

Com informações de Phone Arena, NBC News e Apple Insider

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