Sistemas operacionais

Por Filipe Garrett, para o TechTudo


Windows e Linux são dois famosos sistemas operacionais para computadores. Enquanto o tradicional Windows da Microsoft está presente na maioria dos PCs e notebooks à venda no país, o Linux vem ganhando mais espaço no mercado. Somente em maio, a distribuição Ubuntu registrou um crescimento de 599% na sua participação no mercado de computadores, saindo de 0,27% para 1,89%, de acordo com dados da Net Market Share. Esse aumento pode refletir um maior interesse dos usuários em rodar sistemas operacionais livres no computador.

Embora se destinem ao mesmo fim – operar o hardware do seu PC –, os sistemas Linux e Windows diferem em suas potencialidades e casos de uso mais indicados. Se você considera trocar um pelo outro, pode ser uma boa ideia compreender quais são as vantagens e pontos fortes de cada plataforma. A seguir levantamos características dos sistemas, apontando as diferenças entre as várias distribuições do Linux diante do sistema operacional de referência da Microsoft, cuja versão atual é o Windows 10.

Windows 10 ainda é referência, mas Linux tem ganho espaço no mercado — Foto: Caroline Doms/TechTudo

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Interface e usabilidade

Linux e Windows vão por caminhos bem diferentes quando o assunto é interface gráfica e a usabilidade proveniente dela. Enquanto o sistema operacional da Microsoft é único (sempre a mesma interface e a mesma maneira de se operar), o Linux pode variar muito mais, oferecendo interfaces gráficas completamente diferentes que o usuário pode não só instalar por conta própria, como também personalizar extensivamente.

Essa diferença de abordagem pode tanto funcionar como uma vantagem como uma desvantagem. Se você considera personalização importante e quer manipular o SO do seu gosto, aplicando um fluxo de trabalho que atenda de forma eficiente o seu cotidiano, não há muito o que escolher. O Linux permite “criar” um sistema operacional seu, com a interface que você mais gosta, além de cores, ícones, fontes, elementos e efeitos gráficos que funcionam para você.

Sistemas Linux contam com interfaces profundamente customizáveis, como o KDE Plasma (foto) — Foto: Reprodução/Filipe Garrett

Por outro lado, para chegar nesse ponto, será preciso ter uma certa intimidade com as distribuições Linux, o que requer tempo, curiosidade e um pouco de paciência, já que nem tudo o que você sabe de Windows vai ser aplicado sem adaptações ao Linux. Nesse sentido, quem tem dificuldade ou não quer investir tanto tempo para aprender a operar a plataforma com maior desenvoltura, e pode se satisfazer com a postura mais tradicional do Windows, a opção pelo sistema da Microsoft acaba mais racional. Embora não seja possível customizar profundamente o sistema, o usuário não terá dificuldade alguma de operar o padrão Microsoft, que persiste mais ou menos inalterado desde o Windows 95.

Recursos comuns

Suporte a hardware no Linux avançou bastante nos últimos anos — Foto: Reprodução/Filipe Garrett

Em linhas gerais, Windows e Linux se equiparam nos recursos oferecidos. Além disso, atualmente, o suporte a hardware é similar nas duas plataformas. No fim das contas, se algum componente funciona no Windows, a chance é grande de que seu suporte já esteja também implementado no Linux. Por exemplo, interfaces Thunderbolt, SSDs de alta velocidade, drivers para placas gráficas, redes sem fio e suporte integrado aos lançamentos de processadores de Intel e AMD são alguns exemplos que mostram o ritmo mais acelerado do Linux para suporte de hardware atualmente.

No entanto, uma característica que deixa o Linux um pouco para trás são as tecnologias de biometria, que estão se tornando comuns em laptops. Enquanto o Windows possui o Windows Hello para autenticação por reconhecimento facial ou leitura biométrica, o suporte a esses recursos ainda se mostra inconsistente no sistema rival, mesmo nas distribuições mais recentes. Isso significa que se seu computador usa biometria, você possivelmente só poderá autenticar com senha no Linux

Como programar um computador Windows para desligar sozinho

Como programar um computador Windows para desligar sozinho

Outra característica que difere as duas plataformas são as telas touch. O Linux irá reconhecer e controlar normalmente uma tela sensível ao toque em um notebook híbrido, mas ainda falta às distribuições do pinguim modos de uso mais propícios para telas touch, como é o caso do Windows Ink. Para tirar todo o proveito de uma tela sensível ao toque no Linux, é preciso recorrer a aplicativos apps dedicados a esse modo de uso.

Programas e jogos

É comum ouvir críticas com relação à falta de aplicativos para Linux, já que o Windows conta com uma infinidade de opções, que podem ser instaladas via Micrososft Store ou fazendo o download direto pela Internet, por exemplo. A reclamação é pertinente principalmente me alguns casos específicos, como profissionais que precisam de aplicações da suíte Adobe ou quem faz questão de rodar o Microsoft Office.

No entanto, é possível encontrar programas equivalentes tão bons quanto e, geralmente, de graça. O Inkscape, por exemplo, cumpre as funções do Adobe Illustrator, enquanto o GIMP rivaliza com o Photoshop. Já as suítes como Libre Office, WPS Office e Only Office oferecem alta compatibilidade com os formatos da Microsoft e rodam de graça tanto no Linux como no Windows.

A questão se torna mais delicada para quem procura por jogos. Nesse sentido, a melhor escolha é o Windows, já que nem todos os games mais populares estão disponíveis para Linux. Apesar dos avanços e e esforços de suporte de muitas produtoras, como o projeto Proton da Steam, que permite rodar games do Windows no Linux, nem sempre a compatibilidade é total e o jogador pode acabar encontrando problemas.

Oferta de games é bem maior no Windows — Foto: Reprodução/Filipe Garrett

Segurança e privacidade

Sistemas operacionais que usam o kernel Linux como base tendem a ser mais seguros. Isso não significa que não existam malwares para a plataforma, mas que, como a base de usuários é bem menor, criminosos tendem a concentrar seus esforços no Windows.

Além disso, o Linux permite mais liberdade no controle do sistema, colocando-o como uma peça central na segurança do computador. De qualquer forma, a segurança de qualquer sistema operacional está atrelada aos hábitos do usuário. Se você acessar páginas duvidosas, ou baixar apps e pacotes (componentes de software comuns no Linux) de fontes inseguras, é bem provável que acabe alvo da ação de criminosos.

Com relação à privacidade, o Linux se sobressai, especialmente porque há todo um controle da própria comunidade a respeito de como cada distribuição se comporta. Como os sistemas Linux são de código aberto, qualquer usuário com conhecimentos de programação pode inspecionar livremente o que o sistema faz e como funciona. Nesse contexto, qualquer medida de coleta irregular de dados do usuário acabaria detectada naturalmente pela comunidade.

Já no Windows, as políticas de privacidade são mais complexas e nem sempre tão claras ao usuário. O sistema da Microsoft coleta dados (que a desenvolvedora garante serem anônimos) para fins de telemetria e análise de funcionamento do Windows. Quando o usuário permite, a empresa pode usar dados remotos do usuário para inferir preferências e oferecer anúncios publicitários, por exemplo.

Instalação

Processo de instalação em si dos dois sistemas é descomplicado — Foto: Reprodução/Helito Bijora

O processo de instalação do Linux pode ser um pouco mais complexo, especialmente para iniciantes. Questões e termos como boot, UEFI, partições como swap e home, controle e gerenciamento de discos acabam assustando usuários sem um conhecimento mais aprofundado e exigem algum nível de pesquisa e atenção.

Esse processo no Windows, em geral, costuma ser mais fácil em virtude do fato de que o sistema é muito mais popular e normalmente vem incluso em computadores novos. Embora, no fim das contas, uma instalação mais correta do produto da Microsoft – como a chamada instalação limpa – também envolva algumas noções como boot, inicialização por pendrive e o melhor aproveitamento de partições do disco.

Versões

Linux pode aparecer em inúmeras versões diferentes: as chamadas distros — Foto: Reprodução/Filipe Garrett

Neste ponto, de certa forma, recuperamos um pouco da discussão anterior sobre interfaces e personalização. O Windows 10 é um só, assim como só há um Windows 7 e um Windows 8.1. Se você já usou um deles, sabe muito bem como usar os outros e não terá a menor dificuldade em se adaptar a uma nova versão. No caso do Windows 10, o sistema pode ser encontrado nas variantes Home e Pro. A primeira é voltada para usuários domésticos, enquanto a segunda traz recursos mais profissionais e corporativos. De qualquer forma, as ferramentas e a usabilidade é a mesma.

No Linux, as coisas são bem diferentes. Como a plataforma é livre, qualquer um pode criar seu próprio sistema operacional, ou distribuição (distro), usando o kernel Linux como base. É por conta disso que você vai encontrar Ubuntu, Fedora, Manjaro, Elementary OS, Endless OS, Arch, Linux Mint, Zorin OS, Pop_OS!, Open SUSE, Debian e outras dezenas opções. Todos eles são sistemas operacionais completos, que usam o kernel Linux como base, mas apostam em formas diferentes de instalar software, liberar atualizações, focar em suporte e funcionalidades.

Cada uma dessas distros pode ter variações em perfil e interface. Por exemplo, há o Ubuntu convencional, o Kubuntu com interface KDE, ou o Ubuntu MATE com interface MATE. A base de tudo e o funcionamento geral dessas variantes é o mesmo, o que muda é a interface gráfica. O mesmo vale para Manjaro e Fedora, por exemplo, encontrados em múltiplas versões.

Essa grande fragmentação do Linux é, ao mesmo, positiva e negativa. Ela reflete a liberdade do software de código aberto e potencializa customização e criação de sistemas focados nas necessidades de cada tipo de usuário. No entanto, também é uma barreira para novatos: é tanta versão diferente com navegações variadas que a confusão é normal para quem nunca usou um sistema derivado do Linux.

Atualizações e suporte

Windows e Linux contam com comunidades de suporte na Internet — Foto: Filipe Garrett/TechTudo

Linux e Windows recebem atualizações frequentes, mas lidam com updates de formas diferentes. No primeiro, as atualizações tendem a ser menos invasivas e a introduzir menos rupturas, já que o usuário tem total controle do que e quando vai atualizar o sistema. Além disso, raramente será necessário reiniciar o computador para que alguma modificação entre em funcionamento.

Já no Windows, por conta da arquitetura interna do sistema, os updates exigem que você pare tudo que está fazendo para resetar o PC. Além disso, o processo de filtragem e de atualização é mais rígido e usuário tem um controle menor.

Em termos de suporte, os dois sistemas tendem a funcionar da mesma forma: a Microsoft oferece fóruns e comunidades em português em que o usuário pode relatar problemas e procurar ajuda. Além disso, a fabricante do seu computador pode oferecer algum tipo de serviço para auxiliar você em caso de dificuldades.

Já no Linux, por conta da natureza mais descentralizada, pode ser mais difícil encontrar fóruns e comunidades em português para cada distro. Se você souber inglês, terá acesso a uma rede maior de repositórios de apoio e suporte com usuários do mundo inteiro.

Custos

Licenças do Windows podem sair caro — Foto: Reprodução/Filipe Garrett

Com relação aos custos, o Linux é completamente gratuito. Não há nenhum gasto financeiro associado a licenças e a distros.

Já o Windows é um produto com código fechado comercializado pela Microsoft. Mesmo quando você compra um computador novo, o custo da licença de uso do Windows vem incluído no preço do PC. É por isso que produtos de marcas como Dell, Acer e Lenovo com Linux são mais baratos do que as versões com as mesmas configurações, mas com sistema Windows

Para se ter uma ideia dos custos para usuário final, a Microsoft hoje comercializa a licença do Windows 10 Home por R$ 730 na loja oficial para o Brasil. As licenças da versão Pro são ainda mais caras, custando a partir de R$ 1.099.

Conclusão

Comparar Windows e Linux em 2020 não é mais um processo com grandes níveis de contraste, como era há alguns anos. Atualmente, as duas plataformas se equiparam em nível de oferta de apps, facilidade de uso e suporte a hardware, mas fatores de diferenciação ainda persistem. O Windows 10 é um sistema mais fácil de usar e pode ser a melhor opção para quem não está tão interessado em aprender mais sobre computadores. Por outro lado, o produto da Microsoft é pago, se tornou um alvo mais comum de hackers e tem mais restrições de personalização.

Já o Linux é completamente customizável e dá mais liberdade de controle para o usuário, além de oferecer maior privacidade. Os pontos negativos, no entanto, são a fragmentação do universo Linux, algo que pode impor barreiras para escolher a distribuição correta, e a relativa falta de games e softwares. Além disso, adotar o Linux vai envolver um período de adaptação e estudo para entender e resolver alguns problemas no início do percurso.

No fim das contas, na hora de escolher, é preciso ter em mente as características de cada um dos sistemas e o uso que você pretende fazer do computador. Privacidade, personalização e controle do sistema são os pontos fortes do Linux, enquanto facilidade de uso, games e oferta de apps são os diferenciais do Windows.

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