Por Filipe Garrett, para o TechTudo


Usados em notebooks, computadores de mesa e servidores, os SSDs servem para deixar os aparelhos mais rápidos e têm se tornado cada vez mais acessíveis. No entanto, na hora de escolher o melhor drive para uso pessoal ou na empresa, tanto o consumidor doméstico quanto o profissional de TI podem cometer erros. Os SSDs variam bastante em termos de perfil, preços, desempenho, tecnologia e até formato físico, criando um labirinto de possibilidades. Veja a seguir nove pontos de atenção que você deve conhecer para evitar prejuízos e dor de cabeça depois da compra.

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SSDs variam em perfil, preços, desempenho, tecnologia e até formato físico — Foto: Filipe Garrett/TechTudo

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1. Conheça formato e interface ideal para o seu equipamento

A maior dificuldade na hora de comprar um SSD é navegar pela variedade de formatos e interfaces disponíveis no mercado: há SSDs SATA de 2,5”, mas também existem SSDs SATA tipo M2. Há ainda os NVMe, que podem se encaixar em slots PCI ou nos conectores M2, que também são usados pelos SATA. Tudo isso sem considerar as dimensões físicas dos SSDs M2, que podem variar muito e são fonte de confusão, especialmente, para quem compra um SSD pela primeira vez.

Toda essa variedade pode levar o consumidor a comprar um SSD que não funciona no seu computador ou que subaproveita o hardware: usar um SSD SATA – que é mais lento – do que um NVMe em uma interface compatível, por exemplo.

O mesmo problema pode acontecer ao procurar SSDs para servidores e datacenters. Nesses cenários estão os SSDs tipo EDS, além das placas, e há também interfaces como o SAS, além das já mencionadas SATA e NVMe.

Descubra o que o seu computador suporta e, a partir disso, inicie a pesquisa. Há notebooks que suportam formatos M2 e SATA de 2,5 polegadas ao mesmo tempo e, em alguns casos, garantem suporte a NVMe. O mais comum, no entanto, é que cada fabricante aposte em um ou outro: por isso pesquisar a documentação e ficha técnica do seu notebook é muito importante.

O mesmo cuidado vale para quem quer um SSD dentro do dekstop. No caso do PC de mesa, a saída é procurar os dados técnicos referentes à placa-mãe no site do fabricante. Assim, você descobre o que pode e não pode na sua placa e, então, busca produtos no mercado.

Quem procura hardware para servidores deve saber que é compatível com as máquinas da empresa — Foto: Divulgação/Dell

Quem procura hardware para servidores deve percorrer o mesmo caminho e ter uma ideia clara do que é compatível com as máquinas disponíveis na empresa. No caso do datacenter, o processo de escolha tende a ser mais complexo do que a simples questão dos encaixes físicos e das interfaces.

2. Não subestime a capacidade de armazenamento

Um erro comum na compra de SSDs está em subestimar a capacidade de armazenamento do dispositivo. Como os SSDs tendem a ser mais caros do que HDs convencionais, é comum que na busca por economia o consumidor sacrifique espaço para diminuir o custo.

Um SSD de 120 a 128 GB pode ser suficiente para o sistema operacional e apps, mas pode deixar na mão em pouco tempo o usuário que curte games e baixa muitos arquivos. Considere investir em drives maiores ou combinar o SSD menor com um disco rígido maior, caso seu computador ou notebook permita instalar mais de um drive.

3. Evite usar SSD em aparelhos com sistema operacional antigo

É comum que usuários de PCs mais rodados apostem no SSD para ganhar mais desempenho. A ideia está correta do ponto de vista prático. A troca do HD por um SSD, mesmo SATA, representa ganhos de performance expressivos, mas isso só vale para quem roda sistemas operacionais mais atuais.

A razão para isso é que edições antigas do Windows (XP, Vista e 7) foram desenvolvidas com um foco maior em HDs. O uso desses sistemas pode representar perdas de performance e até comprometer a vida útil do SSD, caso as configurações de indexação e outras não estejam corretamente definidas. Para evitar dores de cabeça, considere investir também em um sistema mais recente.

Edições antigas do Windows (XP, Vista e 7) foram desenvolvidas com foco em HDs — Foto: Reprodução/Microsoft

4. Aproveite as ferramentas de gerenciamento

Por desatenção e na busca por economizar, alguns usuário compram SSDs tipo OEM. Essas unidades são vendidas a fabricantes para a inclusão em computadores novos. Embora não haja nenhuma restrição em performance, esses discos podem ser incompatíveis com ferramentas de gerenciamento que facilitam a manutenção do drive.

Ao investir num drive OEM, que é, em geral, mais barato, o consumidor abre mão de softwares voltados para o usuário final, que são uma ferramenta poderosa de gerenciamento e configuração dos drives. Esses apps facilitam o upgrade de firmware, passam informações úteis sobre saúde e desempenho do drive, além de possibilitar configurações de aspectos do SSD.

5. Conheça os tipos de tecnologia NAND

Escolher qualquer tipo de tecnologia NAND em favor de outra não chega a ser um erro, mas uma escolha mal-informada pode gerar despesas e dores de cabeça. Como SSDs variam muito em perfil e tecnologias, conhecer um pouco a respeito desses diferenciais ajuda na hora da compra.

Drives com NAND tipo SLC (sigla, em inglês, para “célula de uma camada”) são aqueles que guardam um bit por célula e costumam apresentar altíssima velocidade e durabilidade. Por essas características, seu uso é mais comum em versões de SSD para datacenters e aplicações mais específicas. Já os do tipo MLC permitem mais de um bit por célula, mas não são mais tão comuns. Em um cenário ideal, em que o orçamento não é um problema, a melhor escolha sempre será por drives SLC e MLC, que têm ótima performance e grande durabilidade.

Antes de comprar um SSD, verifique se a tecnologia é compatível com seu aparelho — Foto: Adriano Hamaguchi/TechTudo

Para computadores domésticos, o TLC, que permite três bits por célula, tem ocupado espaço como referência mais comum, mesmo em drives mais caros. Como esse tipo de drive retém mais informação em menos espaço físico, esses SSDs são de maior capacidade e ainda oferecem bons resultados em termos de velocidade e durabilidade.

Por fim, o QLC é a opção mais densa – aqui são quatro bits por célula – e é a tecnologia mais usada nos drives de entrada. Oferece performance e durabilidade menores, mas, em contrapartida permite que drives com 2 e 4 TB tenham preços mais acessíveis.

Para quem quiser se aprofundar nessas questões há ainda considerações referentes ao número de camadas dos módulos em cada chip que compõe o SSD.

6. Considere a vida útil prometida pelo fabricante

SSDs também estão sujeitos a desgaste e podem falhar com o tempo. Embora a situação hoje seja bem melhor do que há uma década – um SSD novo deve durar 10 anos ou mais com tranquilidade – a preocupação com a durabilidade é importante e pode passar despercebida para muita gente.

Há gradações em termos de vida útil que variam de produto para produto e costumam também ter impacto no preço. Em geral, fabricantes estimam quantidades de terabytes gravados (TBW), ou “gravações por dia” (DWPD) até que o drive entre num ponto em que falhas podem ocorrer. Um disco de 1.200 TBW, por exemplo, pode começar a apresentar falhas depois de 1.200 terabytes gravados ao longo de anos de uso.

A questão, no entanto, é decisiva para quem procura drives para servidores. Nesses tipos de SSDs, há considerações que contribuem para a durabilidade, como o tipo de NAND (drives SLC, como já explicado, são ao mais duráveis), além de outras métricas, como o MTBF (tempo médio entre falhas): um ponto mínimo considerado em SSDs comerciais é de 1 milhão de horas MTBF, o que resultaria em algo como uma falha a cada catorze anos.

O erro para profissionais de TI que buscam drives do tipo está em não saber escolher o drive de acordo com a necessidade. Existem SSDs de alta durabilidade para servidores que, no entanto, seriam um investimento incorreto (e custoso) para uma aplicação em que os dados seriam raramente escritos no disco, apenas lidos com frequência, por exemplo.

O inverso também vale: um servidor que irá gravar informações constantemente equipado com SSDs de alta velocidade, mas durabilidade relativamente baixa, é receita para caos e despesas enormes no futuro.

7. Tenha em mente a importância do controlador

Todo SSD oferece um tipo de controlador interno – algo como o “processador” do drive – responsável por todas as funcionalidades do drive. Esse chip controla como o disco funciona, grava, apaga e lê dados e interage com o restante do sistema. Ele também tem funções de racionalização do uso do drive como forma de atenuar o desgaste do uso.

HD e SSD SATA têm o mesmo formato e encaixes — Foto: Filipe Garrett/TechTudo

Essa preocupação é mais importante para datacenters, já que um controlador de alta performance, associado com um SSD de primeira linha, pode ter efeitos positivos em termos de durabilidade, performance e mesmo consumo de energia.

8. Avalie o nível de controle de erros e proteção de dados

Por mais avançado e bem configurado que o servidor seja, há sempre riscos de inconsistência e erros na gravação e leitura de dados, sobretudo em sistemas expostos a alta demanda e um volume grande de usuários e acessos simultâneos. É por isso que hardwares empresariais, como SSDs e memórias, tem tecnologias que mitigam e corrigem esses tipos de erros. Além da confiabilidade, a segurança também é fundamental para o uso em servidores, garantindo alguma margem de proteção via hardware para dados, tornando a tarefa de invasores mais difícil.

Diferentes modelos e fabricantes de SSDs (e seus respectivos controladores) têm diferentes recursos para impedir a propagação de erros de gravação e leitura de dados, seja por erros de software, de hardware ou mesmo por flutuações na energia elétrica alimentando o datacenter. É fundamental que antes da compra do SSD seja avaliada com atenção a robustez desses recursos diante dos cenários de uso que cada aplicação prevê para o hardware.

9. Utilize os Benchmarks

Em aplicações comerciais, como no servidor da empresa, um erro é julgar apenas a performance teórica do drive a partir do que fabricante e vendedor prometem. Também é errado pesquisar produtos apenas com ideias e noções gerais de como eles serão usados, sem nunca realizar testes reais para atestar a qualidade do drive e sua aptidão para o negócio.

A melhor estratégia é buscar entendimento com representantes de vendas e obter amostras do hardware. Assim, é possível testar e gerar cargas representativas dos piores cenários, como sobrecargas de requisições em momentos cruciais para empresa – o tipo de tráfego de uma Black Friday para uma loja, por exemplo.

O benchmark não apenas permite observar a performance geral do drive em uso real, como pode dar outros subsídios relevantes na busca pelo produto ideal. Questões como o consumo de energia e fatores de correção de erros também podem ser medidos em testes do tipo.

Para quem deseja usar um SSD no computador de casa ou laptop, encontrar um drive exclusivamente para testes é inviável. Nesse caso, consulte a Internet, leia artigos e reviews a respeito do modelo que interessa, navegue em fóruns especializados e busque referenciais semelhantes. Se você quer rodar games, use a experiência de outros jogadores de PC com o modelo desejado para formar um juízo a respeito do produto antes de definir a compra.

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