Por Raquel Freire, para o TechTudo


Já existem diversas opções de fone de ouvido com cancelamento de ruído ativo no Brasil. O recurso se dá a partir da captação de barulhos externos e a geração de ondas com mesma amplitude, bloqueando a entrada desses sons. Isso garante uma experiência mais imersiva ao usuário, que pode ganhar em concentração, por exemplo. Apesar disso, dependendo do modelo, a funcionalidade costuma representar um preço maior – além de menor autonomia.

Atualmente, o ANC (como é chamado em inglês) aparece em diferentes tipos de fone, desde os intra-auriculares e esportivos até headphones over-ear com outros recursos premium, em modelos de marcas como Apple, Samsung, JBL e Sony, entre outras. Confira a seguir os pontos positivos e negativos de fones com cancelamento de ruído ativo e saiba se vale a pena ter um desses.

Veja prós e contras de fones de ouvido com cancelamento de ruído ativo — Foto: Yuri Hildebrand/TechTudo

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Prós

1. Maior imersão e concentração

O grande atrativo do cancelamento de ruído ativo é proporcionar um isolamento em relação ao "resto do mundo". A característica faz com que o usuário consiga escutar músicas, podcasts, jogar ou ver filmes sem ouvir barulhos externos.

Não por acaso, muita gente busca esse tipo de fone para ter maior concentração em tarefas, já que sons ao redor ficam praticamente inaudíveis. Outro uso comum – e também motivo pelo qual o cancelamento ativo foi projetado – é neutralizar ruídos em aviões, por exemplo, assim como em outros ambientes barulhentos como obras, escritórios, entre outros exemplos.

2. Música com detalhes

Usuário não precisa colocar a música em volumes mais altos para escutar todos os detalhes — Foto: Divulgação/JBL

Outra consequência bem-vinda do isolamento é a possibilidade de prestar atenção aos detalhes das músicas. O primeiro motivo é óbvio: não há barulhos atrapalhando sua audição para o que você quer realmente ouvir.

Além disso, o usuário consegue reproduzir as faixas em volume médio ou baixo, evitando as distorções provocadas pelo aumento excessivo de volume. Vale ressaltar que, além e prejudicar a audição, ouvir música em volumes muito altos pode estragar os drivers dos acessórios.

3. Muitos recursos

Os fones com cancelamento ativo de ruído são modelos premium. Por isso, eles normalmente trazem vários recursos avançados, como superfície sensível ao toque para controlar chamadas e faixas, assistente de voz integrado ou não, resistência à água, entre outros.

Grande parte dos modelos também permite controlar a intensidade do cancelamento de ruído. Assim, você pode escolher se desconectar totalmente do seu entorno em um momento e, em outra situação, captar os sons que estão ao redor. Há ainda casos em que os níveis de bloqueio são definidos automaticamente por meio de Inteligência Artificial, algo presente em opções mais caras do mercado.

Sony WH-1000XM4 é exemplo de headphone com ANC e diversos outros recursos — Foto: Yuri Hildebrand/TechTudo

Contras

1. Preço ainda alto

Fones de ouvido com cancelamento de ruído ativo costumam ser bem mais caros. O Bose 700, um dos mais conhecidos do segmento, aparece por, pelo menos, R$ 3.575 no mercado brasileiro. É verdade que esse produto em específico é um dos top de linha, acompanhando o Sony WH-1000XM4, que chegou recentemente ao Brasil por R$ 2.429.

Enquanto os exemplos acima são do tipo over-ear, há fones do tipo earbuds, como o Freebuds 3, da Huawei, que custa R$ 1.299, e intra-auriculares, como os top de linha AirPods Pro, à venda por R$ 2.249 na loja oficial da maçã. Outro que chegou recentemente e traz formato diferente é o Galaxy Buds Live, da Samsung, com preço sugerido de R$ 1.299.

AirPods Pro é um dos top de linha do mercado com cancelamento de ruído ativo; valor oficial é de R$ 2.249 — Foto: Reprodução/Apple

Um dos mais baratos disponíveis no mercado é o QuietPoint ATH-ANC33is, da Audio Technica, que tem preço de R$ 480 – bem abaixo dos mencionados aqui, mas ainda caro para um intra-auricular sem quaisquer recursos avançados além do ANC.

2. Impacto na autonomia

O cancelamento de ruído é um recurso que se dá via hardware, ou seja, consome a bateria do fone. O Sony WH-1000XM4, por exemplo, tem 38 horas de autonomia com a função desativada, número que desce para 30 horas com o ANC. Outro exemplo é o Soundcore Life Q20, da Anker, que cai de 60 para 40 horas com a funcionalidade ligada.

Se fabricantes dos over-ear conseguem imprimir boa duração de bateria com o recurso ligado o tempo todo, o mesmo não se pode dizer dos intra-auriculares e modelos mais compactos. Os AirPods Pro, por exemplo, só duram 4,5 horas com cancelamento de ruído ativo (e 5 horas sem a função) – fora a carga disponível no estojo carregador.

Um dos mais tradicionais com cancelamento de ruído ativo é o Beats Studio3 Wireless; veja o que achamos do modelo:

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3. Nem sempre funciona...

Se o usuário compra um fone com cancelamento de ruído ativo esperando se isolar totalmente de sons externos, pode se decepcionar em alguns casos. Isso porque nem sempre o recurso consegue bloquear tudo, e a promessa pode deixar a desejar.

Um exemplo é o Freebuds 3, da Huawei que, apesar de oferecer um controle para ajustar o ANC manualmente via app, não agradou durante os nossos testes (em relação ao recurso). Vale ressaltar que o modelo promete bloquear até 15 dB de ruídos de fora, valor bem abaixo dos 40 db de cancelamento prometidos pela fabricante no novo Freebuds Pro, rival direto do AirPods Pro.

Entre os motivos para isso está o funcionamento da tecnologia, que atua reagindo a ruídos externos – o que facilita o bloqueio de ondas constantes, como o ruído de um motor ligado, por exemplo. Conversas e gritos com muitas variações de frequência são difíceis de captar sem um hardware premium tanto nos microfones quanto no processamento.

Tecnologia funciona a partir da captação de ruídos externos; variações e hardware inferior podem diminuir a qualidade do cancelamento — Foto: Divulgação/Padmate

Uma alternativa a esse inconveniente é apostar em fones com um cancelamento passivo, ou seja, proporcionado pelo próprio design e material. Intra-auriculares, por exemplo, encaixam no ouvido, enquanto opções over-ear envolvem as orelhas do usuário, cumprindo parte do papel de isolamento. Isso, junto ao recurso em si, deve ser suficiente para uma experiência melhor independente do hardware disponível.

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